Pois é. Né, gente? Para alegria de uma mídia oligopolista e porta-voz exclusiva da Casa-Grande, o nível de emprego no nosso país está em queda, a inflação se animando, os juros sempre subindo de acordo com o desejo dos banqueiros (o Bradesco manda agora na Fazenda). Não é uma característica do Brasil. O mundo inteiro está em crise, até a China, acostumada a crescer aos pulos. Embora esta sinta menos, uma vez que seu capitalismo consentido é controlado pelo Partido Comunista, algo que Lênin já ensaiara nos primeiros anos da Revolução Russa de 1917. Aliás, convenhamos, o capitalismo não pode conviver com a ética nem prosperar sem crises de arrumação, solavancos. Só que quem paga pelas crises é o assalariado, o não capitalista. Salvem-se o mundo financeiro, os rentistas, pague quem vive de seu trabalho.
Quando a mais recente crise se iniciou, aí por 2008, quando até um banco faliu (boi de piranha), o então presidente Lula falou, naquela sua linguagem pitoresca, que, aqui no Brasil, a crise seria apenas uma marolinha. E foi de fato, pois tomaram-se providências para sustentar o consumo, a saúde possível da economia. Hoje, os artistas globais morrem de rir quando falam em marolinha. Artistas, sim, pois na Globo, para ser jornalista, é preciso fazer curso de teatro, com raras exceções.
Outro tema preferencial da imprensa monopolista é a corrupção desenfreada que assola o país. Para quem só está interessado em defender seus próprios interesses, sonegar as informações que não lhes interessam, manipular tudo com objetivos bem claros, a corrupção começou quando Fernando 2º (FHC) desceu a rampa do Planalto, após um mandato ganho e outro comprado, e bilhões de prejuízos ao país, com a privataria tucana e o desmantelamento do patrimônio público. Os editoriais da grande imprensa esquecem completamente que o procurador-geral de Fernando 2º (Geraldo Brindeiro) era ironicamente conhecido como engavetador-geral. A Polícia Federal não policiava nada, a não ser os mal-feitos dos inimigos do liberalismo.
Enquanto no Brasil, os postos de emprego diminuíram um bocado, mas não sumiram; enquanto o nosso país continua recebendo milhares de imigrantes e refugiados do Haiti, do Oriente Médio; na Europa a crise e a direitona só fazem crescer. Depois de se locupletarem com as riquezas naturais das Américas, da África, da Ásia, deixando na maioria dos países explorados um neocolonialismo talhado para gerar conflitos e alimentar a indústria bélica, os países da Europa rica, liderados pelos Estados Unidos (hoje colonizador), se fecham à imigração. Além de tudo, não querem assumir a responsabilidade pelo caos que geraram em países artificialmente criados por eles; pelo nascimento da Al-Qaeda, do Califado (Estado Islâmico) e demais monstrengos produzidos pelo colonialismo e pela pretensão de serem donos do mundo.
terça-feira, 16 de junho de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
ASSALTO A MÃO DESARMADA, FRUTO DA PRIVATARIA TUCANA
Amigas e amigos, vocês já pararam pra pensar como falta qualidade à nossa vida? Os novos ricos, os deputados e senadores que vivem às custas da Viúva e às nossas custas, além das compensações que vêm do lado daqueles que financiaram suas campanhas, estão satisfeitíssimos. Viajam constantemente a países mais organizados, embora, quando voltam, nada tragam na cabeça para aplicar aqui. Sua generalizada incultura não lhes permite enxergar que também nós merecemos ruas calçadas, saneamento, boa educação e saúde públicas etc.
Já quem tem algum esboço de cultura sai de casa e logo encontra trânsito travado, sujeira nas ruas, calçadas que mais parecem corrida de obstáculos, transporte público, como o BRT (Via Livre; é gozação) e o metrô, com implantação atrasadíssima ou sucateado, camelôs privatizando o espaço público (se os políticos privatizam verbas públicas, pensam, por que nós não podemos seguir-lhes o exemplo?), carros particulares desrespeitando a teórica reserva de canais de trânsito para ônibus e muita coisa mais.
Se você, num belo dia de sol, quer pegar uma praia, pode se preparar para enfrentar preços absolutamente fora da realidade para obter maus produtos, muita sujeira, invasão do espaço por casas e barracas que quase atingem o mar etc. Não precisa nem sair daqui para ver que pode ser diferente. Basta ver programas de TV tipo Globo (com licença da palavra) Repórter, que nos mostram praias e outros pontos turísticos da Croácia, da Itália, da Europa em geral, dos Estados Unidos, até de países considerados por nós como de pouca higiene. Quando eu morava no Quatro Rodas de Olinda, vi, lá da cobertura, uma senhora distinta (?!) com sua filha, tirando de poderoso carrão e jogando dentro do mar todo tipo de lixo. E lá tem coleta de lixo (ao menos tinha; não sei se o prefeito Renildo Calheiros mantém esse serviço).
Ora, não dizem que é capitalismo o sistema econômico daqui? Como é que esse sistema funciona (pra uns) em países ricos e aqui vira bagunça? Conforme o iluminado americano-japonês, um tal de Fukuyama, a história se acabou com o colapso da União Soviética. Doravante, reina absoluto o perfeito e triunfante capitalismo. Mas o que é o capitalismo?
Segundo o filósofo e ecologista Leonardo Boff, “no capitalismo, já não é o homem que comanda, mas o dinheiro e o dinheiro vivo. A ganância é a motivação. [...] Um sistema econômico centrado no deus Dinheiro precisa saquear a natureza para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente”.
Para finalizar: em que outro país do mundo, o usuário precisa discar duas, três vezes para finalizar uma conversa? Isto é assalto a mão desarmada.
Já quem tem algum esboço de cultura sai de casa e logo encontra trânsito travado, sujeira nas ruas, calçadas que mais parecem corrida de obstáculos, transporte público, como o BRT (Via Livre; é gozação) e o metrô, com implantação atrasadíssima ou sucateado, camelôs privatizando o espaço público (se os políticos privatizam verbas públicas, pensam, por que nós não podemos seguir-lhes o exemplo?), carros particulares desrespeitando a teórica reserva de canais de trânsito para ônibus e muita coisa mais.
Se você, num belo dia de sol, quer pegar uma praia, pode se preparar para enfrentar preços absolutamente fora da realidade para obter maus produtos, muita sujeira, invasão do espaço por casas e barracas que quase atingem o mar etc. Não precisa nem sair daqui para ver que pode ser diferente. Basta ver programas de TV tipo Globo (com licença da palavra) Repórter, que nos mostram praias e outros pontos turísticos da Croácia, da Itália, da Europa em geral, dos Estados Unidos, até de países considerados por nós como de pouca higiene. Quando eu morava no Quatro Rodas de Olinda, vi, lá da cobertura, uma senhora distinta (?!) com sua filha, tirando de poderoso carrão e jogando dentro do mar todo tipo de lixo. E lá tem coleta de lixo (ao menos tinha; não sei se o prefeito Renildo Calheiros mantém esse serviço).
Ora, não dizem que é capitalismo o sistema econômico daqui? Como é que esse sistema funciona (pra uns) em países ricos e aqui vira bagunça? Conforme o iluminado americano-japonês, um tal de Fukuyama, a história se acabou com o colapso da União Soviética. Doravante, reina absoluto o perfeito e triunfante capitalismo. Mas o que é o capitalismo?
Segundo o filósofo e ecologista Leonardo Boff, “no capitalismo, já não é o homem que comanda, mas o dinheiro e o dinheiro vivo. A ganância é a motivação. [...] Um sistema econômico centrado no deus Dinheiro precisa saquear a natureza para sustentar o ritmo frenético de consumo que lhe é inerente”.
Para finalizar: em que outro país do mundo, o usuário precisa discar duas, três vezes para finalizar uma conversa? Isto é assalto a mão desarmada.
terça-feira, 2 de junho de 2015
QUE BONITO PARA O BONDOSO TIO SAM
Meu filho Paulo, que sabe das coisas quando se trata de hardware, software, internet e quejandos, conseguiu escapar do deserto de Atacama e também está conseguindo repor este blogue nos eixos, além de tentar melhorar seu visual . Semana passada, já postamos algo aqui e também mais três capítulos do “Viver é muito perigoso”, para tirar o atraso. Hoje vamos acrescentar mais um desta minha “autobiografia precoce”. Logo ao iniciar nossa conversa, faço questão de assinalar o centenário de nascimento de Paulo Cavalcanti. No ano do meu nascimento (1932), ele aderiu ao Partido Comunista Brasileiro, conhecido como Partidão desde quando se iniciaram as dissidências da esquerda (primeiro o PCdoB e depois as organizações armadas que combateram a ditadura militar). Ele é, entre muitas contribuições às causas populares, um dos responsáveis pelo novo registro do PCB, depois que certos aventureiros que fingiam ser comunistas decidiram dar uma rasteira no Partidão criando um tal de PPS.
A sanha da gorilada e de seus acólitos sem farda era tamanha que já perto do fim da ditadura, quando não tinham mais quase ninguém para torturar e matar, iniciaram uma caça aos comunistas do Partidão, que nunca haviam aderido à luta armada, por uma razão muito simples: sabiam que seria impossível ganhar a batalha da democracia lutando contra forças armadas profissionais, sustentadas pela maior potência bélica do mundo. Que bonito para o bondoso Tio Sam: ostenta e prega democracia para os WASPs, enquanto semeia golpes militares e ditaduras “do bem” (para o bem deles) da América Latina à Ásia, passando pela África e Oriente Médio. Isto é, semeava, pois hoje está mais difícil, devido à desmoralização das intervenções do Pentágono, que só levam mais desgraça para os povos que são vítimas de tanto afã “democrático”.
Alguns exemplos. Os EUA apoiaram Osama Bin Laden na guerra do Iraque contra o Irã e na luta para expulsar os soviéticos do Afeganistão. Daí a pouco, Bin Laden já era um bandido terrorista para os EUA. Invadiram o Iraque com a comprovadamente mentirosa alegação de que esse país possuía armas químicas. Hoje o Iraque está aos pedaços e controlado em grande parte por um tal de Califado ou Estado Islâmico, perigo maior para a humanidade, para a civilização. Invadiram o Vietnam e ali sustentaram um ditador, no Sul, depois que Ho Chi Minh derrotou os colonizadores franceses na famosa batalha de Diem-Bien-Phu. Os ianques terminaram fugindo atabalhoadamente de uma Saigon sitiada pelos guerrilheiros do Viecong e os combatentes do Norte. Precisa mais?
Mesmo assim, gosto muito dos Estados Unidos, do que eles têm de bom (tirante claro, ações como a dizimação dos índios, a tomada de metade do México, a guerra sem fim que movem contra quase todo o resto mundo etc.). Admiro suas universidades, centros de pesquisa, bibliotecas. Agora mesmo em junho, minha netinha Maria se formou em Boston. Um filho meu, Carlos, trabalhou uns seis anos por lá, convocado pelo bancão Chase, que estava precisando de craques (mesmo sem serem WASPs).
A sanha da gorilada e de seus acólitos sem farda era tamanha que já perto do fim da ditadura, quando não tinham mais quase ninguém para torturar e matar, iniciaram uma caça aos comunistas do Partidão, que nunca haviam aderido à luta armada, por uma razão muito simples: sabiam que seria impossível ganhar a batalha da democracia lutando contra forças armadas profissionais, sustentadas pela maior potência bélica do mundo. Que bonito para o bondoso Tio Sam: ostenta e prega democracia para os WASPs, enquanto semeia golpes militares e ditaduras “do bem” (para o bem deles) da América Latina à Ásia, passando pela África e Oriente Médio. Isto é, semeava, pois hoje está mais difícil, devido à desmoralização das intervenções do Pentágono, que só levam mais desgraça para os povos que são vítimas de tanto afã “democrático”.
Alguns exemplos. Os EUA apoiaram Osama Bin Laden na guerra do Iraque contra o Irã e na luta para expulsar os soviéticos do Afeganistão. Daí a pouco, Bin Laden já era um bandido terrorista para os EUA. Invadiram o Iraque com a comprovadamente mentirosa alegação de que esse país possuía armas químicas. Hoje o Iraque está aos pedaços e controlado em grande parte por um tal de Califado ou Estado Islâmico, perigo maior para a humanidade, para a civilização. Invadiram o Vietnam e ali sustentaram um ditador, no Sul, depois que Ho Chi Minh derrotou os colonizadores franceses na famosa batalha de Diem-Bien-Phu. Os ianques terminaram fugindo atabalhoadamente de uma Saigon sitiada pelos guerrilheiros do Viecong e os combatentes do Norte. Precisa mais?
Mesmo assim, gosto muito dos Estados Unidos, do que eles têm de bom (tirante claro, ações como a dizimação dos índios, a tomada de metade do México, a guerra sem fim que movem contra quase todo o resto mundo etc.). Admiro suas universidades, centros de pesquisa, bibliotecas. Agora mesmo em junho, minha netinha Maria se formou em Boston. Um filho meu, Carlos, trabalhou uns seis anos por lá, convocado pelo bancão Chase, que estava precisando de craques (mesmo sem serem WASPs).
quinta-feira, 28 de maio de 2015
PREJUÍZOS DA PRIVATARIA TUCANA E DA FALTA DE REGULAÇÃO
Amigas e amigos, estou com um problema no “Viver é muito perigoso”. Não consigo botá-lo no ar há semanas. O serviço que nos presta a Hotlink, ao menos aqui onde moro, é péssimo, com muitas interrupções e lentidão de tartaruga. Tudo devido à famosa “privataria tucana” (leiam o livro) e ao descaso das agências reguladoras. Estou tentando uma solução e também aguardando a volta das férias de meu filho Paulo, grande sabedor dos mistérios da informática e da web. A última notícia que tive dele é que se encontrava perdido no deserto de Atacama. Com ele também vou examinar proposta para me enquadrar nos modelitos do Google. Talvez assim até consiga que Obama curta minhas postagens. Ele deve ter um tradutor de português. Além disso, ficará mais agradável visualmente pra vocês.
No último dia 15, comemorou-se o centenário de nascimento de Pelópidas Silveira, reconhecido como o melhor prefeito do Recife. Na época de grandes avanços sociais que precedeu os 21 anos de trevas da ocupação do nosso país por seu próprio Exército (por delegação dos Estados Unidos e da turma da Casa Grande), ele foi responsável pelo primeiro plano diretor no Brasil e fez obras até hoje admiráveis.
Aproveito para registrar aqui que o meu amigo Arthur Carvalho tem unanimidade para ser eleito imortal da Academia Pernambucana de Letras. Excelente advogado e cronista, ele foi meu companheiro de trabalho na equipe de Paulo Freire, desmanchada pelo golpe de 1964. E eu peguei carona num habeas corpus que ele obteve no Superior Tribunal Militar. Mesmo sendo militar, o tribunal julgou que o IPM da Universidade do Recife (hoje UFPE) tinha sido tão malfeito, tão fajuto, que não merecia consideração. Escapamos de novas punições; mas, àquela altura, já havíamos sido expelidos da universidade pelo AI-1, irrecorrível como qualquer ato da tão sábia ditadura.
PS – O ínclito Fernando 2º (FHC) vociferou que “nunca se roubou tanto neste país”. Esqueceu um detalhe: na época do desgoverno dele, inclusive no segundo mandato comprovadamente comprado, Sua Excelência tinha um procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, que era conhecido como “engavetador geral da República”. E a privataria? E a tentativa de entregar a Petrobras aos gringos. Não conseguiram privatizá-la, mas afundaram uma plataforma que fazia prospecção, algo quase fictício na história da indústria petrolífera.
terça-feira, 14 de abril de 2015
SAMBA DO CRIOULO DOIDO
Reproduzo hoje pra vocês artigo que escrevi
no sábado 4 de abril no Jornal do Commercio, sob o título “Samba do
crioulo doido”. Há algum tempo, estou escrevendo ali só uma vez por mês,
geralmente no primeiro sábado. Combinei isso com Ivanildo Sampaio, então
diretor da Redação e hoje coordenador do Comitê de Conteúdo do Sistema Jornal
do Commercio de Comunicação, pois acho que os mais jovens precisam de mais
espaço. Creio que vale a pena a transcrição para aumentar a conscientização sobre
como a nossa sociedade está se perdendo em um consumismo desbragado, sem
respeito a uma ética básica e descambando para supostas “facilidades” golpistas.
O título é de um samba enredo criado pela imaginação do jornalista Sérgio Porto,
que escrevia como Stanislaw Ponte Preta no velho Última Hora de Samuel Wainer.
Era época de preparação pro Carnaval do Rio,
em plena ditadura militar. A coisa estava preta, mas cismaram de encomendar a
um compositor de escola de samba uma composição sobre o tema “A atual
conjuntura”. Aí o cabra endoidou e largou coisas como “A princesa Leopoldina
foi obrigada a casar com Tiradentes”; “... falou com Anchieta. O Vigário dos
Índios aliou-se a Dom Pedro e acabou com a falseta. Foi proclamada a escravidão”.
E termina tudo assim: “Dona Leopoldina virou trem. E Dom Pedro é uma estação
também. O trem tá atrasado ou já passou”. O título de tudo: Samba do crioulo
doido.
Lá vai o artigo:
Há alguns dias, minha gente, ouviu-se em um
restaurante nem tão luxuoso assim um brado retumbante: “Em pouco tempo, não
teremos mais quem nos sirva. Todo mundo só quer ir pra faculdade”. Quanta
saudade da Senzala! Algo realmente positivo dos últimos governos brasileiros
foram exatamente ações capazes de uma maior inclusão social. O cara do brado
certamente não gostou. Gosta de ser servido por fâmulos. Certamente engrossou
as marchas pedindo a volta de uma ditadura sanguinária que torturou e matou
centenas de patriotas que desejavam um Brasil mais embebido de desenvolvimento
e civilização. Se vivo fosse em 1964, teria certamente marchado “com a família
e Deus pela liberdade” (que família?, que divindade?). O “Deus” inquisitorial
dos autos-de-fé. A “liberdade” de passar 21 anos de ordem unida e desmandos
acobertados pela censura.
Aqui onde me escondo, em Aldeia, tem uma
padaria expandida (chamam delicatessen, uma palavra francesa germanizada), na
Galeria Boulevard. As pessoas que a frequentam não são tão pobres de precisar do
Bolsa Família. No entanto, muitos saíam pela porta de entrada, sem passar pelo
caixa e jogavam a comanda eletrônica no estacionamento. Depois de muito
prejuízo, Fábio, seu dono boa-praça (desculpem gíria tão antiga), teve que
tomar providências para estancar a sangria.
Essa turma gostaria mesmo é de “proclamar a
escravidão”, na expressão de Stanislaw Ponte Preta em seu “Samba do crioulo
doido”. A única coisa que apreciam, em matéria de turismo, é Orlando, no máximo
Miami. Nada da cultura de Paris, Roma, Londres, Nova York, Boston. Pelas
janelas de seus carrões, voa todo tipo de lixo. Só estacionam enviesado,
ocupando duas e até mais vagas. Importantes e ocupados demais para manobrar
corretamente. Pior, para adquirir e transmitir aos filhos um mínimo de
educação, de civilidade.
Os mais abonados têm suas “continhas” no HSBC
da Suíça e alhures, que ninguém é de ferro. Onde colocar em segurança os
apurados do caixa-2, das propinas, da sonegação de impostos, da pilhagem ampla,
geral e irrestrita? São ações que atrasam o nosso desenvolvimento. E daí? Que
mal faz aos correntistas de paraísos fiscais que a educação e a saúde sejam tão
maltratadas, que tenhamos tanto déficit de saneamento, pavimentação, estradas
tão ruins; que tenhamos acabado com nossa malha ferroviária; que nossos ditos
representantes no Congresso nos representem tão pouco, ocupados em satisfazer
seus financiadores?
Quando chegará no Brasil a hora de sepultar a
cultura escravagista; de chegarmos ao menos à Revolução Francesa: liberdade,
igualdade, fraternidade?
segunda-feira, 6 de abril de 2015
UMA MENININHA DE NADA
Que é que é isso, minha gente? Ainda tenho,
tantos têm, alguma esperança, aquela “petite fille de rien du tout” (menininha
de nada) de que tanto gostava e falava Charles Péguy; mas tá ruço. O Congresso,
que deveria representar o povo, a sociedade (mas representa prioritariamente os
financiadores de campanhas), está sob a chefia de dois paquidermes do mal
fazer. O ínclito Renan Calheiros, que já teve de renunciar para não ser
ejetado, e o deputado de negócios Eduardo Cunha. O Judiciário já viveu dias
melhores. Hoje, há pelo menos uma ministra sentada há anos sobre uma caixa
preta que desvendaria negócios de Daniel Dantas; e um ministro que pediu
vistas, mas parece que não tem tempo pra ver, da questão, quase decidida a bem
do povo, do financiamento de campanhas por empresas. Na chefia do Executivo, a
reeleita a duras penas Dilma Roussef, que nomeou, debochando de seus eleitores,
uma ruralista para ministra da Agricultura e um banqueiro para ministro da
Fazenda.
Peço licença a vocês, mas vou parar de
criticar Dilma. Já tem muita gente fazendo isto, racionalmente ou aos coices.
Como também me recuso a falar mal de alguns caminhos que Cuba tomou, pelo mesmo
motivo: tem gente demais fazendo isto. Aliás, criticando também os bons
caminhos, como socialismo, educação, saúde. Se Cuba escapar do estatismo
soviético (socialismo é socialismo e não estatização ampla, geral e irrestrita),
se consolidará como um modelo para a América cá de baixo e para o resto do
mundo.
O inefável Renan descobriu de repente que o
Congresso é independente e que “o que a sociedade está cobrando do Congresso
neste momento é que seja cada vez mais independente”. Junto com o seu
companheiro de defesa de privilégios Cunha, diz que se empenharão per uma
reforma política. Que reforma será essa? Um gatilho para o aumento de seus
vencimentos de acordo com a inflação e mais pra cima? Mais mordomias, como
auxílio cueca, auxílio calcinha, mais verba indenizatória e mais isso e aquilo?
Mais partidos sem programa e sem responsabilidade? Mais financiamento de
empresas, empreiteiras, para as campanhas eleitorais das caixas de ressonância
dos bons financiadores, que Renan chama de “caixa de ressonância da sociedade”?
Oh!
O Cunha, além de business representative
(deputado de negócios), se diz evangélico. Será que ele já leu ao menos por alto
os Evangelhos? Cid Gomes foi catapultado do Ministério da Educação por dizer e
sustentar que há centenas de deputados achacadores. Cunha diz que ele é mal
educado. Oh! Já o Fernando 2º (FHC), um Carlos Lacerda um pouco mais
envernizado, e o perdedor das eleições de outubro Aécio Neves estimulam o caos
e miram no impeachment da presidente eleita. Enquanto se deliciam com a sangria
da Petrobras. Getúlio foi “suicidado”, entre outras coisas, por haver criado a
Petrobras. Com Dilma, não precisariam ir tão longe. Bastaria ser chutada.
Amigas e amigos, vou tentar aperfeiçoar mais
este blogdenegoveio e enquadrá-lo no modelo Google, do qual recebi uma oferta
para isto. Inclusive marcar um dia certo para as novas postagens. Feliz Páscoa
e tempo pascal! Ressuscitemos com Cristo de vera.
quinta-feira, 12 de março de 2015
DESCOBRI UM LIVRO SOBRE O HOJE ESQUECIDO PAULO FRANCIS
Gente, eu não tenho avançado muito neste
blogue em boa parte devido ao mau desempenho da internet neste país tropical,
em que a privatização, ao contrário do que ocorreu na Inglaterra, não veio para
melhorar o desempenho de algumas empresas públicas, mas para enriquecer meia
dúzia de amigos do rei. Vejam o precioso livro A privataria tucana. Além do mais, privataria financiada pelo BNDES
e pelas pornográficas tarifas que pagamos por internet, telefone, energia, TV fechada
etc. Hoje, vou falar sobre um livro que me caiu nas mãos recentemente por obra
de sebos on line, Vida e obra do
plagiário Paulo Francis, do jornalista Fernando Jorge. O trabalho é antigo,
com duas edições em 1996 e 1997, mas eu ainda não o havia descoberto, talvez
por não ter tido a divulgação que merece. O acusado Francis tinha muitos amigos
na imprensa e alhures, encantados com seus chutes e pose de homem culto.
Eu lia raramente o que ele escrevia, por puro
desinteresse. Com a erudição e quilometragem cultural que o seminário e a
faculdade me deram, não era difícil ver que esse cara era um tremendo chutador,
além de frustrado por sua espetacular ignorância, e tinha a mania de
achincalhar nomes realmente competentes e até veneráveis. Fernando Jorge
acrescenta que ele plagiava sem compostura. Para bancar uma pose maior, foi
para os Estados Unidos, de onde mandava colunas para jornalões do Rio e São
Paulo, além de participar de um pífio programa chamado Manhattan Connection,
que ainda hoje teima em persistir, dirigido por Lucas Mendes, que se autointitula
“Papel Higiênico”. Isto mesmo, o papel higiênico dos malfeitos dos governos
inimigos da Rede Globo.
Os chutes de Francis eram uma característica
de seu magro jornalismo. Quando eu trabalhava no jornal alternativo Opinião, no Rio, financiado por Fernando
Gasparian, ele mandou de Nova York uma matéria execrável (não lembro sobre o
que) em que bancava o repórter sobre um fato acontecido em outra parte dos EUA,
sem sair de seu canto. Não apurava, não pesquisava. Uma vez, quando eu já
estava de volta ao Recife, escrevi uma gozação com ele. Disse que ele tinha
descoberto, com um certo atraso, que o nascimento de Jesus Cristo não coincide
exatamente com a contagem da Era Cristã; algo que eu havia estudado, muitos
anos atrás, na minha licenciatura em teologia, feita em Lyon, na França. Algum
fã enviou-lhe o que eu havia escrito e ele ficou pê. Não entendeu a gozação e
xingou muito (isto ele sabia fazer).
Fernando Jorge esmiúça a incultura, as
frustrações e pretensões de Francis, tudo com base em exaustiva pesquisa e
centenas de citações das diatribes dele. Descendente de alemães, encarnou
tardiamente o espírito ariano do 3º Reich e odiava negros, nordestinos em geral,
japoneses, árabes. Garoto de estimação de Pascoal Carlos Magno, um diplomata
que era gay e que promovia o teatro de estudantes, não conseguiu ser um bom
ator e vingou-se xingando atores e atrizes de renome.
Felizmente, Paulo Francis está completamente
esquecido. Morreu pela boca, que nem peixe. Caluniou gratuitamente a Petrobras
(odiava a esquerda e seus ícones) e estava respondendo a processo que iria
destruir o que ele havia angariado com seu péssimo jornalismo. Por hoje,
fiquemos por aqui. Deem uma olhada nas colunas à esquerda e á direita deste
blogue.
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