quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

SUDENE. CONVIVÊNCIA COM A SECA. FHC ABOMINA CARNE DE BODE

Além da crise que abala o mundo desde 2008, atualmente intensificada, e que no Brasil não é mais aquela marolinha de que falava Lula, o Nordeste ainda tem de enfrentar uma prolongada e cruel estiagem. O ex-presidente tinha razão quando queria dizer que a crise não mexia muito com o o nosso país naquela época, devido ao aprumo financeiro conquistado. A seca porém não depende de equilíbrio econômico-financeiro. Mas é preciso levar em conta que regiões muito mais secas do que o Nordeste e parte de Minas, como o Texas (EUA), o Estado de Israel, convivem com o fenômeno natural através de práticas de irrigação, de armazenagem de água e de uma agricultura adaptada à região. Os israelenses se orgulham de haver transformado o deserto em oásis.
No Brasil, um país sem projeto (já teve, mas perdeu) e herdeiro do escravagismo, de uma história política de golpes (Maioridade, República, Estado Novo, 1964 etc.) e do constante conluio dos herdeiros das capitanias e sesmarias contra o povo, o fenômeno das secas vem sendo tratado malandramente, como fatalidade, castigo de Deus, e constitui um achado para os que vêm embolsando verbas públicas e propinas há muito tempo. A diferença atualmente é que investiga-se e pune-se a malandragem, embora ainda haja muita coisa a investigar e punir. Outra tronchura: a punição é seletiva. Malandragens tucanas ainda ganham a proteção de magistrados.
No começo do século passado, foi criada a Inspetoria Federal de Obras contra as Secas (Ifocs, que depois virou Departamento, o Dnocs). Pouco depois, o Ifocs era traduzido como “Imensos furtos operados contra os sertanejos”. A coisa vem de longe, não foi inventada pelo PT, embora este tivesse a obrigação de manter seus princípios. O processo de privatização, no governo do xogum Fernando 2º, também conhecido como FHC, foi uma patifaria só (vejam o livro Privataria tucana). Claro que havia empresas a privatizar (até a Editora José Olympio tinha sido estatizada) A ditadura adorava criar estatais para acomodar a turma que, alegadamente, chegara para moralizar. Mas algumas empresas estratégicas, como a Telebras, a Embratel e algumas outras, precisavam ser preservadas. Dona Margareth Thatcher, que inventou a desestatização lá na Grã-Bretanha, fez um processo de privatização decente, com pulverização de ações e não entrega literalmente a “amigos do rei” (o rei era Fernando 2º e o primeiro-ministro o aloprado Mota).
Voltando às secas. Acredito que hoje não se constroem mais açudes para deleite de latifundiários. Mas sabota-se a reforma agrária, a irrigação e a construção e distribuição de cisternas pré-fabricadas. Convém lembrar sempre, pois os mais jovens costumam esquecer o passado, o trabalho de uma missão israelense que andou por aqui, no tempo que a Sudene era Sudene, e deixou bons estudos (Israel é craque em convivência com a seca). Nunca saíram da prancheta. Nem na ditadura, nem quando o Sarneystão foi fraudulentamente ampliado, nem na dinastia dos dois Fernandos, nem nos governos do xogum e do PT.
Pesquisem na web um caderno especial editado pelo Jornal do Commercio (17 de setembro de 2013) sobre a questão, sob o título “Outro Sertão é possível”. É um trabalho muito bem feito e abrangente dos repórteres Felipe Lima, Adriana Guarda e Angela Fernanda Belfort, com fotografias de Heudes Regis e Alexandre Gondim. Ivanildo Sampaio, que na época era diretor de Redação do JC (hoje ele é coordenador do Comitê de Conteúdo de todo o Sistema JC), escreveu no caderno especial sobre a ideia plantada por Celso Furtado de convivência com a seca: “Vieram planos, vieram projetos, foram feitos experimentos com irrigação a partir de lençóis aquíferos subterrâneos. Ficou constatado que o Sertão é viável [...]. Um dia a Sudene acabou, por obra e graça do então presidente Fernando Henrique e do silêncio quase cúmplice dos nordestinos que o assessoravam. Alegava-se que a corrupção ali grassava, mas em lugar de nominarem, julgarem e condenarem os corruptos, preferiram o menor esforço de extinguir o órgão”.

Mais uma obra de FHC contra o Nordeste. Ele abomina carne de bode. Também, com tripas tão insignes.

sábado, 9 de janeiro de 2016

PODE-SE VIVER SEM UTOPIA (COMO EXTINGUIR ARMAS NUCLEARES)?

Essa notícia de que a Coreia do Norte, um dos países mais fechados do mundo e que proclama um comunismo totalmente fora de prumo, pior do que aquele tipo que terminou por estilhaçar a União Soviética, avançou em seu programa de produção de armas nucleares é extremamente preocupante. Nenhum país deveria ter armas desse tipo, nem os Estados Unidos, único país até agora a usá-las contra um país (o Japão) já em seus extertores no fim da 2ª Guerra Mundial. Em duas lapadas, mataram centenas de milhares de civis. Um terrorismo que o establishment estadunidense considera “do bem”, pois teria evitado mais baixas dos EUA e impedido a URSS de ocupar uma parte doJapão, contra o qual também estava em guerra.
O Brasil se recusou durante muito tempo a assinar o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, inventado pelos EUA para que outros países não desenvolvessem nem a energia nuclear para fins pacíficos, como a produção de energia. Quem resolveu assiná-lo? Só poderia ser o xogum Fernando 2º, sempre obsequioso em relação aos desejos e imperativos estadunidenses. Israel, Índia, Paquistão podem ter até armas nucleares, não só produção pacífica. Agora aparece a Coreia de Pyongyang afirmando que já fez seu teste da bomba de hidrogênio. Assinando aquele tratado, o nosso país tem dificuldade na produção de energia de fonte nuclear, pois se submete a inspeções a que os EUA, a Rússia etc. não estão sujeitos.
Aonde nos levará a insensatez da dinastia familiar que governa aquele país desde os anos 1950? Vai empurrar uma bomba sobre a vizinha Coreia do Sul, extremamente desenvolvida? Ou mandar uma para o Japão? Será que a vizinha China, uma potência comunista com tinturas de capitalismo de Estado, conseguirá controlar os ímpetos belicosos do governo norte-coreano?
Já não bastam as inúmeras e infindáveis guerras tradicionais que a força dos produtores de armamentos espalha e sustenta pelo mundo afora, sobretudo no Oriente Médio? O governo dos EUA jogou suas duas bombas atômicas no longínquo Japão. E se os controladores do Estado de Israel decidirem experimentar as suas para completar a limpeza étnica dos palestinos? Como é que fica? São vizinhos, inclusive o governo sionista coloniza vastas áreas do pouco que sobrou da Palestina de 1967. Todo mundo ficará contaminado com irradiação nuclear. Ou é só pra fazer medo? E se o Paquistão e a Índia decidirem se enfrentar nuclearmente?

Não seria melhor todo mundo renunciar a tão perigosos e apocalípticos instrumentos bélicos? Mas aí já seria utopia. E se pode viver sem utopia? 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

QUEIMA DA LAPINHA. FOLIAS DE REIS

Estamos chegando ao Dia de Reis, com a queima da lapinha e folguedos populares por todo este imenso Brasil.O Dia de Reis é designado oficialmente pela Igreja comoe Epifania (aparecimento, manifestação, em grego) e, na maioria das igrejas orientais, é festejado como o Natal da Igreja Romana e de outras confissões cristãs ocidentais. A seguir, no calendário litúrgico cristão, vêm a Quaresma, Páscoa, Pentecostes, até chegarmos novamente ao Advento, que prepara a celebração do nascimento de Jesus Cristo.
Como sabemos, num cristianismo diluído como o nosso, não vivemos certamente segundo a descrição da vida dos primeiros, cristãos, narrada no livro dos Atos dos Apóstolos, onde ficamos sabendo como eles juntavam o que possuíam e faziam uma redistribuição a cada uma conforme suas necessidades, como se reuniam para a partilha do pão, o eucarístico e o do sustento físico, como pregavam o Evangelho a judeus e àqueles chamados de gentios, como São Pedro não exercia nenhuma administração monárquica, chegando a ser questionado pelos outros apóstolos e desafiado por São Paulo, que, este sim, tinha pretensões hegemônicas e era quem mandava mesmo (ou fazia força para isso), praticamente obrigando Pedro a viajar para Roma. Paulo só pensava em difundir o Evangelho no mundo greco-romano, enquanto Pedro era mais ligado ao mundo judaico e médio-oriental.
Hoje, nós (aqueles que nos dizemos cristãos) será que, nestas festas de fim de ano, prestamos uma atenção fraterna àqueles que nos servem em xópins, restaurantes, réveillons; bem como a outras pessoas obrigadas a trabalhar quando folgamos e que recebem, geralmente, remuneração baixíssima?

Bom seria fazermos um exame de consciência e tentarmos uma vida cristã mais autêntica durante o ano que temos pela frente, “O que fizerdes a um destes estareis fazendo a mim”, disse o Mestre. E lembremos: quantos ateus, agnósticos, fiéis de outras crenças levam uma vida muita mais cristão que a da maioria dos cristãos?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

DE CRISE, CRISES, TERRORISMO (TEM ATÉ O DO BEM ...)

Estamos atravessando de um ano para outro. Tempo de balanços de nossa vida pessoal, familiar e também da vida do nosso país e do mundo. Foi 2015 um ano de crise no mundo todo, não só no Brasil. Crise que se arrasta desde 2008, quando bancos irresponsáveis, que transacionavam com papéis sem valor, geraram uma das maiores crises do capitalismo recente. É verdade que especulação é a marca registrada dos bancos e que o capitalismo vive em crises cíclicas. Mas o sensato seria que eles também pagassem pelos malfeitos. Na realidade, é a sociedade, sobretudo os assalariados que nem sequer poderiam especular se o quisessem, que é obrigada, pelo manda-chuvismo do capital financeiro secundado por governos pouco representativos, a pagar a amarga conta. Veja-se o caso exemplar da Grécia e, em menor garu, o do nosso país, onde um executivo do Bradesco foi nomeado, por um governo que se diz popular, para gerir a Fazenda.
Quando a atual crise se iniciou, o então presidente Lula disse que, no Brasil, ela era uma marolinha. Tinha razão, pois, naquele momento, o país tinha como enfrentá-la sem castigar tanto o povo. De lá para cá as coisas mudaram muito. A crise foi se agravando. E Dilma não é Lula. Apesar de uma certa incompetência da nossa presidente, ninguém tem o direito de pedir sua deposição, por impeachment, pois o país já está cansado de tanto golpe. E o impeachment de Fernando 1º (o Collorido), esse não foi golpe? Assim não pareceu a ninguém, tantos foram os desmandos do "caçador de marajás" em pouquíssimo tempo de desgoverno, incluindo comprovado enriquecimento ilícito.
No resto do mundo, a crise mais braba mesmo é a terrorismo. Os povos oprimidos desde as Cruzadas e os "descobrimentos", colonizados, brutalizados pelas grandes potências acordaram para a luta, a vingança. E não foi para reivindicar seus direitos  nas mesas de discussões e na valorização do que é deles (petróleo, por exemplo). Os instintos mais primitivos de vingança e uma mistura démodée entre política e religião levaram egos inflados e deletérios a tomar o poder sobre vastas regiões (caso do Califado ou Estado Islâmico), onde assassinam não só fiéis de outras religiões, mas até dissidentes do islamismo, além de destruir monumentos multisseculares da civilização. Com o dinheiro obtido do petróleo, contrabandeado tranquilamente, eles podem financiar ataques mortíferos por quase toda parte, como o que ocorreu em novembro em Paris. Paris, a capital do mundo tão gostosa e tranquila dos meus tempos de estudante, apesar de saindo de uma guerra sanguinária.
Como sempre falo, o terrorismo não é privilégio de islamitas radicais. As Cruzadas não foram atos de terrorismo? A destruição de impérios como o asteca, o maia, o inca, a chacina dos índios dos EUA, a matança um pouco menor de índios no Brasil, a bárbara colonização da África e de continentes menos desenvolvidos, as bombas atômicas lançadas sobre o Japão, os bombardeios de populações inteiras na 2ª Guerra Mundial? Nada disso foi terrorismo, simplesmente por ter sido iniciativa de brancos e ricos? Existe terrorismo do mal e do bem, como, para certos países, há ditaduras do mal e do bem?
Que 2016 seja bem melhor que 2015 para todos nós. No Brasil e no mundo. Amém.


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

“A CULPA NÃO É MINHA; EU VOTEI NO AÉCIO”; NOVES FORA A ÉTICA DUVIDOSA DO NETINHO DE TANCREDO

Gente, continuo revendo “Viver é muito perigoso” e espero entregar a revisão a vocês brevemente. Estou pensando também em acrescentar a estas minhas postagens bissemanais uma postagem exclusivamente sobre economia, que seria escrita por um executivo de grande empresa paulistana. Outra que estou lhes devendo é iniciar, na coluna aí ao lado direito, as transcrições de meus artigos no Jornal do Commercio, coisa que abrange uns 25 anos.
Lendo a última edição deste ano de uma revista que é rebelde à assim dita “mídia nativa” (Carta Capital), descubro uma preciosidade do jornalista João Filho, que mantém na web um perfil intitulado Jornalismo Wando. Desde o ano passado, intensificando-se à medida que essa braba crise vai fustigando o Brasil, uma campanha pretende derrubar a presidente eleita. Arrefeceu um pouco após um freio de arrumação constitucional do STF e a descoberta de que adversários de Dilma, como o presidente da Câmara, o senador Aécio Neves, o xogum Fernando 2º não são exatamente vestais nem varões de Plutarco.
Uma camisetinha de grife destacou-se em manifestações que lembram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, preâmbulo do golpe civil-militar de 1964. Na camiseta lê-se: “A culpa não é minha; eu votei no Aécio”. (O mui politizado Ronaldo Fenômeno usava uma.) A ideia que pretende passar é a de que tudo seria diferente com a eleição do netinho de Tancredo. A culpa pela corrupção (imensa, não há dúvida, mas afinal apurada e punida) é daqueles que  não votaram nesse “bibelô da retidão moral”, como diz João Filho.
O jornalista aponta uma série de fatos (não factoides) a desmentir tanta honestidade. O primeiro é um aeroporto público construído em Cláudio (MG) dentro da fazenda de umm tio de Aécio, com acesso guardado por sobrinhos do então governador. O bibelô da retidão moral usou, quando no governo mineiro, aeronaves oficiais 1.430 vezes, muitas para fins particulares. Só no aroporto do Tio Múcio foram mais de cem pousos e decolagens.
Mas não foi só isso que o grande modelo dos “fora Dilma” fez. Deu caronas, às custas do contribuinte mineiro, a Ricardo Teixeira, o campeão da ética no futebol, José Serra, Ray Whelan (já estve preso em Bangu), Roberto Civita, Luciano Huck, Alexandre Accioly (parceiro de farras), Boni, Sandyjunior, Milton Gonçalves, Zé Wilker, FHC, Roberto Irineu Marinho etc. etc. etc.

Quando critico Aécio, não estou afirmando que o governo de Dilma está sendo uma maravilha. Tá muito ruim. Pode piorar. Pode melhorar. Oxalá! Mas o fato é que ela foi reeleita e, uma vez por todas, temos que respeitar a Constuição e o voto popular. Não podemos alimentar eternamente a cultura do golpe: proclamação da República, Constituição outorgada por Floriano Peixoto, Estado Novo, derrubada de Getúlio (golpe no golpe) às vésperas das eleições de 1945 (os generais fascistoides se vingaram por Getúlio ter se unido aos Aliados na 2ª Guerra Mundial), derrubada trágica de um Getúlio constitucionalmente eleito, em 1954, golpe frustrado contra Jango em 1961, e finalmente aquele golpe que pôs o Brasil em ordem unida por 21 anos, hoje tão homenageado e lembrado nas manifestações dos coxinhas.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

SEM CONSTITUINTE EXCLUSIVA NÃO HÁ SALVAÇÃO

O panorama que conseguimos enxergar para 2016 é bem inquietante, mas temos o direito de esperar que nossos políticos, incluindo a presidente Dilma, criem juízo e funcionem melhor do que neste definhante 2015. O Congresso precisa agir como representante do povo, deixando de lado múltiplas patifarias, aprovando leis que possam nos tirar do atoleiro e elegendo líderes que não estejam implicados em malfeitos, sobretudo o presidente da Câmara, que consegue ser mais cínico na embromação que Paulo Maluf. E a chefe do Executivo não pode continuar esnobando políticos e empresários e ignorando a própria realidade nacional. Não bastará que ela aprenda a governar. Será necessário também que o Congresso a deixe governar.
É igualmente preciso que nós, cidadãos, eleitores, exerçamos nosso direito de vigiar os poderes constitucionais e cobrar deles que cumpram seus papéis, deixando de lado interesses pessoais. Tudo isso só será possível com uma constante e rápida elevação do nível educacional do brasileiro, que, como sabemos e sentimos na pele, ainda é baixíssimo. (Escrevi a propósito recentemente.) Somente aqui na América do Sul, perdemos para a Argentina, Chile, Uruguai. Nossos professores ganham mal, vivem mal e, consequentemente, são desmotivados. Despreparados quase sempre, pois uma simples graduação, sem especialização, reciclagem, não lhes permite o desempenho que seria necessário para elevar o nível geral do ensino.
Acredito que, não só esta elevação da qualidade do ensino, mas a solução de outros tantos demasiados problemas que a afligem o brasileiro só será viável com algumas muletas básicas que nunca tivemos pra valer. Uma delas é uma Constituinte exclusiva (Congresso investido de poderes constituintes nunca funcionou: políticos viciados em privilégios votam uma Constituinte viciada, como eles). Nunca tivemos uma. No pós-ditadura, quase conseguimos. Chegou-se a ter um esboço para servir de base às deliberações, feito pelo jurista Afonso Arinos. Mas prevaleceu a vontade dos políticos profissionais e aproveitadores. Resultado: uma Constituinte com algumas boas determinações, muitas que nunca foram regulamentadas, e a seguir tantas emendas casuísticas que agora ela parece mais uma colcha de retalhos desprestigiada.
Outra é termos, afinal, um pacto federativo. Com o golpe republicano (que país para gostar de golpe!), as províncias do Império, com pouquíssima autonomia, foram transformadas, num passe de mágica, em Estados extremamente dependentes do poder central. Jantaram a federação. E, como Pedro 1º havia feito no passado, o sanguinário Floriano Peixoto mandou os constituintes para casa e outorgou ao país uma Constituição a sua imagem e semelhança. Essa usurpação da vontade popular continuou depois da Revolução de 1930, no Estado Novo, em 1946, durante a ditadura de 1964-85, na redemocratização à la Sarney-Collor. O resultado é que hoje ser congressista virou um bom negócio e há uma boa quantidade de malandros disfarçados de representantes do povo. Assim não dá.

Como convocar uma Constituinte exclusiva? Creio que haverá maneiras legais de se fazer isso, por iniciativa popular ou, quem sabe, da Presidência da República. Com a palavra os juristas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

VINTE SÉCULOS DE CRISTIANISMO. E O EVANGELHO?

"Adeste, fideles, laeti, triumphantes, venite, venite in Bethlehem. Natum videte, regem angelorum ...” (Vamos, fiéis, alegres, triunfantes, vinde, vinde a Belém. Vede o nascido que é o rei dos anjos ...). É um antiquíssimo canto natalino que é cantado por católicos romanos e protestantes através do mundo. Era; porque hoje do Natal religioso quase nada resta. Até a tradicional Missa do Galo foi deixada de lado, sob o pretexto da violência urbana sobretudo à noite. Virou missa do pinto mesmo, às 20 ou 22 horas. Mas não se deixa de ir a outras celebrações noturnas, como bares, baladas, boates, cinemas, teatros etc.
O importante no Natal hoje é o lado profano da festa: ruidosas confraternizações em que ninguém se sente frater (irmão), consumismo desenfreado mesmo com crise, troca de presentes e, finalmente, uma lauta ceia à meia-noite substituindo a Missa do Galo. Vinte séculos de cristianismo e o Evangelho está cada vez mais longe da realidade do mundo. Pobres, miseráveis mesmo, perambulando pelas ruas e a gente se fechando sempre mais a eles, a uma realidade desumana e anticristã.
É assim que é preciso ver o que se passa no momento. Nos últimos 13 anos, houve alguns avanços sociais, que tiraram muita gente da miséria absoluta. O que Gilberto Freyre chamava de casa-grande não gostou nada: já se viu um aeroporto com cara de rodoviária? Já se viu você sentar na sua poltrona no avião e ver junto uma pessoa com ar de pobre, de sandálias Havaianas? Para esses, a senzala não tem o direito de evoluir; só tem direito ao pelourinho e ao açoite. São avanços tão pequenos e precários, mas a casa-grande quer acabar com eles.
A casa-grande só ficará contente quando vir o Temer, o Aecinho ou, quem sabe, o Serra, no poder. Enquanto isso não chega, contenta-se com um Congresso dos mais amorais que já tivemos. E tem aí uns que se dizem neopentescostais, bancada evangélica (como em um Estado laico, pode-se misturar de tal modo religião com política?). O máximo expoente desse pessoal, Cunha, o presidente da Câmara dos Deputados, é um multicriminoso.
Amigas, amigos, qualquer que seja a nossa fé, vamos lutar para que tal situação não se sustente. Se partidos mais à esquerda que estão no poder desde 2003 perderam o trem da história, podem muito bem ser substituídos por outros que, como diz o papa Francisco, não sejam adoradores do deus Mercado, do deus Dinheiro;
Feliz Natal para todas e todos vocês e um 2016 dos melhores. Vocês merecem. Todos merecemos.

PS – Estou com dificuldade para fazer uma revisão de “Viver é muito perigoso”. Não consigo substituir o que está aí por capítulos revistos. Preciso me acostumar com novos programas. Vou fazer o trabalho em todos os capítulos e depois tentar colocar.