terça-feira, 20 de setembro de 2016

CARLOS MAGNO, MESMO ATAVIADO DE REI ARTUR, NÃO CONVENCE E VENDE BARATO O BRASIL

Lula acaba de lançar um site – www.lula.com.br. Vale a pena ver. E estabeleceu advogado na Europa para acompanhar as violações de direitos cometidas pela Justiça brasileira. O Sapo Barbudo, como o chamou Brizola, não é nenhum congregado mariano, mas e os outros, que o parcial juiz Moro finge não ver: Aécio, Alckmin, Fernando 2º et caterva?
How do you do Mr. ForaTemer?
Foi hilariante o escorrego de Fora Temer ao confundir Carlos Magno com o rei Artur das brumas de Avalon. Um cara que se apresenta como culto, embora esconda sua incultura na pernosticidade de algumas falas. Como é que pode?
Diretas Já! Após um golpe, sempre é bom Diretas Já.
Como comentei aqui, apesar de uma fingida isenção ianque, o golpe em curso no Brasil é do maior interesse do governo estadunidense e da finança internacional. Após a 2ª Guerra Mundial, os EUA passaram a se considerar donos do mundo e xerife internacional. A paz só durou cinco anos. Desde a Guerra da Coreia que se desenrola a 3ª e perene Guerra Mundial. A indústria bélica não aguentou o tranco da paz e exigiu que, sob o pretexto de combater o demônio comunista, conflitos se espalhassem pelo mundo afora. Grã-Bretanha e França foram obrigadas a largar (em termos) suas colônias africanas e asiáticas. Mas o fizeram sacanamente, misturando em um mesmo país etnias inimigas e separando etnias que conviviam bem. Prato feito pra guerras futuras e trava no desenvolvimento. O resultado está aí até hoje.
Cansada de golpes comandados por Washington, a América do Sul começou a eleger governos mais de acordo com seus interesses. As secretarias de Estado e da Defesa dos EUA precisavam mudar de tática. Em vez do desembarque de marines, comum na América Central e Caribe, ou a convocação de militares nativos para fazer o serviço sujo, por que não utilizar instrumentos aparentemente e formalmente constitucionais para esvaziar o avanço da banda meridional das Américas na conquista de seus próprios interesses? Com essa mudança, conseguiram derrubar governos populares na América Central, no Paraguai e agora no nosso país. Na Venezuela, a sabotagem campeia e Maduro não tem o carisma de Chávez. Só o índio Evo continua de vitória em vitória. Vingança dos espíritos dos ancestrais?
Vejamos a opinião de um economista estadunidense, Mark Weisbrot, sobre os avanços do Brasil nos governos do PT. “O Brasil também avançou muito. Em relação aos anos FHC, dobrou sua taxa de crescimento econômico. Há a política de reajuste do salário mínimo. E as políticas fiscais melhoraram muito [...]. Isso teve enorme impacto sobre o crescimento per capita do Brasil, que, antes da chegada do PT ao governo, praticamente não existia. A prioridade de Dilma Roussef, a meu ver, parece ser reforçar as políticas para reduzir a desigualdade e a pobreza”.

Esta entrevista foi dada à revista Carta Capital há quatro anos, no primeiro mandato da presidente golpeada. Não dava para aguentar. Como em 1964, impunha-se um golpe para manter a distância entre Casa-Grande e Senzala. Como aparentemente não há mais, no Exército, nas forças armadas em geral, serviçais de Washington prontos a ocupar seu próprio país; e como terminou a Guerra Fria, que justificava qualquer traição à pátria, impunha-se a tática atual do “golpe pseudoconstitucional”. Com Carlos Magno e Artur da Távola Redonda fundidos na troncha pessoa do mesmo impostor.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

POR QUE O GOLPE? PARA A RAPOSA TOMAR CONTA DO GALINHEIRO

Primeiro que tudo, Fora Temer! Um impostor. Foi cumprimentado, na China, como Mister ForaTemer. O “Fora” já grudou no nome.
Segundamente, Diretas Já, como no fim da ditadura.
Nesta postagem, transcrevo uma mensagem que recebi de Aníbal Valença, que aqui no Estado lidera o PCB (o velho Partidão). Vale a pena ter a opinião de um cabra que sabe das copisas, professor e pesquisador que é.


Golpe 'made in USA': Queda de Dilma foi ordenada por Wall Street?
Especialista canadense fala sobre os objetivos do golpe de Estado
Em artigo publicado pela primeira vez em junho, mas reeditado neste 1º de setembro, um dia após a consumação do impeachment no Brasil, o renomado professor e economista canadense Michel Chossudovsky explica por que a queda de Dilma foi ordenada por Wall Street e tenta desmascarar “os atores por trás do golpe”.
“O controle sobre a política monetária e a reforma macroeconômica eram os objetivos últimos do golpe de Estado. As nomeações principais do ponto de vista de Wall Street são o Banco Central, que domina a política monetária e as operações de câmbio, o Ministério da Fazenda e o Banco do Brasil”, diz o artigo, ressaltando que, desde o governo FHC, passando por Lula e Temer, Wall Street tem exercido controle sobre os nomes apontados para liderar essas três instâncias estratégicas para a economia brasileira.
“Em nome de Wall Street e do ‘consenso de Washington’, o ‘governo’ interino pós-golpe de Michel Temer nomeou um ex-CEO de Wall Street (com cidadania dos EUA) para dirigir o Ministério da Fazenda”, diz o artigo, referindo-se a Henrique Meirelles, nomeado em 12 de maio. Como observa o artigo, Meirelles, que tem dupla cidadania Brasil-EUA, serviu como presidente do FleetBoston Financial (fusão do BankBoston Corp. com o Fleet Financial Group) entre 1999 e 2002 e foi presidente do Banco Central sob o governo Lula, entre 1º de janeiro de 2003 e 1º de janeiro de 2011. Antes disso, o atual ministro da Fazenda, que volta ao poder sob o governo Temer após ter sido dispensado por Dilma em 2010, também atuou por 12 anos como presidente do BankBoston nos EUA.
A reportagem analisa que Henrique Meirelles, atual ministro da Fazenda, que volta ao poder sob o governo Temer após ter sido dispensado por Dilma em 2010, também atuou por 12 anos como presidente do BankBoston nos EUA. Já o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, nomeado por Temer em 16 de maio, tem dupla cidadania Brasil-Israel e foi economista-chefe do Itaú, maior banco privado do Brasil. Segundo o artigo, Goldfajn “tem laços estreitos tanto com o FMI (Fundo Monetário Internacional) quanto com o Banco Mundial”. “Goldfajn já havia trabalhado no Banco Central sob Armínio Fraga, bem como sob Henrique Meirelles. Ele tem estreitos laços pessoais com o prof. Stanley Fischer, atualmente vice-presidente do Federal Reserve dos EUA (além de ex-vice-diretor do FMI e ex-presidente do Banco Central de Israel). Desnecessário dizer que a nomeação de Golfajn para o Banco Central foi aprovada pelo FMI, pelo Tesouro dos EUA, por Wall Street e pelo Federal Reserve dos EUA”, afirma o artigo. Fraga, por sua vez, atuou como presidente do Banco Central entre 4 de março de 1999 e 1º de janeiro de 2003. Ele foi diretor de fundos de cobertura (hedge funds) por seis anos na Soros Fund Management (associada ao magnata George Soros), e também tem dupla cidadania Brasil-EUA.“O sistema monetário do Brasil sob o real é fortemente dolarizado. Operações da dívida interna são conducentes a uma dívida externa crescente. Wall Street tem o objetivo de manter o Brasil em uma camisa de força monetária”, explica o professor canadense.
Por isso, afirma o artigo, quando Dilma Rousseff aponta um nome não aprovado por Wall Street para a presidência do Banco Central, a saber, Alexandre Antônio Tombini, cidadão brasileiro e funcionário de carreira no Ministério da Fazenda, é compreensível que os interesses financeiros externos se articulem aos interesses das elites brasileiras para mudar o quadro político no país. Contexto histórico No início de 1999, na sequência imediata do ataque especulativo contra o real, diz Chossudovsky, o presidente do Banco Central, Francisco Lopez (que havia sido nomeado em 13 de janeiro de 1999, a Quarta-feira Negra) foi demitido pouco depois e substituído por Armínio Fraga, cidadão americano e funcionário da Quantum Fund de George Soros em Nova York. "A raposa tinha sido nomeada para tomar conta do galinheiro", resume o artigo, afirmando que, com Fraga, os especuladores de Wall Street tomaram o controle da política monetária do Brasil.
Sob Lula, o apontamento de Meirelles para a presidência do Banco Central do Brasil dá seguimento à situação, diz o artigo, destacando que o nomeado já havia atuado anteriormente como presidente e CEO dentro de uma das maiores instituições financeiras de Wall Street. “A FleetBoston era o segundo maior credor do Brasil, após o Citigroup. Para dizer o mínimo, ele (Meirelles) estava em conflito de interesses. Sua nomeação foi acordada antes da ascensão de Lula à presidência”, escreve o autor. Além disso, Meirelles foi um firme defensor do controverso Plano Cavallo da Argentina na década de 1990: “um ‘plano de estabilização’ de Wall Street que causou grandes estragos econômicos e sociais”, segundo o professor Chossudovsky.
De acordo com ele, “a estrutura essencial do Plano Cavallo da Argentina foi replicada no Brasil sob o Plano Real, ou seja, a imposição de uma moeda nacional conversível dolarizada. O que esse regime implica é que a dívida interna é transformada em uma dívida externa denominada em dólar”. Quando Dilma sobe à presidência em 2011, Meirelles é retirado da presidência do Banco Central. Como ministro da Fazenda de Temer, ele defende a chamada “independência do Banco Central”. “A aplicação deste conceito falso implica que o governo não deve intervir nas decisões do Banco Central. Mas não há restrições para as ‘Raposas de Wall Street’”, diz o artigo, acrescentando que “a questão da soberania na política monetária é crucial” e que “o objetivo do golpe de Estado foi negar a soberania do Brasil na formulação de sua política macroeconômica”.
De fato, sob o governo Dilma, a "tradição" de nomear uma “raposa de Wall Street" para o Banco Central foi abandonada com a nomeação de Tombini, que permaneceu no cargo de 2011 até maio de 2016, quando Temer assume a presidência interina do país. A partir daí, Meirelles, no Ministério da Fazenda do governo interino, “aponta seus próprios comparsas para chefiar o Banco Central (Goldfajn) e o Banco do Brasil (Paulo Caffarelli)”, diz o artigo do Global Research, sublinhando que o novo ministro havia sido descrito pela mídia dos EUA como "market friendly" (“amigável ao mercado”).
Conclusão: “O que está em jogo através de vários mecanismos – incluindo operações de inteligência, manipulação financeira e meios de propaganda – é a desestabilização pura e simples da estrutura estatal do Brasil e da economia nacional, para não mencionar o empobrecimento em massa do povo brasileiro”, afirma Chossudovsky. Segundo a tese do renomado professor, “Lula era ‘aceitável’ porque seguiu as instruções de Wall Street e do FMI”, mas Dilma, com um governo mais guiado por um nacionalismo reformista soberano, não pode ser “aceita” pelos interesses financeiros dos EUA, apesar da agenda política neoliberal que prevaleceu sob seu governo.
“Se Dilma tivesse decidido manter Henrique de Campos Meirelles, o golpe de Estado muito provavelmente não teria ocorrido”, afirma o analista. “Um ex-CEO/presidente de uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos (e um cidadão dos EUA) controla instituições financeiras chaves do Brasil e define a agenda macroeconômica e monetária para um país de mais de 200 milhões de pessoas. Chama-se um golpe de Estado… dado por Wall Street”, conclui Chossudovsky.
Michel Chossudovsky, escritor premiado, é professor (emérito) de Economia da Universidade de Ottawa, fundador e diretor do Centro de Pesquisa sobre a Globalização (CRG) e editor da organização independente de pesquisa e mídia Global Research. Ele lecionou como professor visitante na Europa Ocidental, no Sudeste Asiático e na América Latina, serviu como conselheiro econômico para governos de países em desenvolvimento e tem atuado como consultor para várias organizações internacionais. 

Ele é autor de onze livros, publicados em mais de vinte línguas. Em 2014, foi premiado com a Medalha de Ouro de Mérito da República da Sérvia por seus escritos sobre a guerra de agressão da OTAN contra a Iugoslávia.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

DINHEIRO DA FUNDAÇÃO FORD/CIA PARA O CEBRAP. FERNANDO 2º DIZ QUE NEM TINHA COMO GASTAR E TAMBÉM NINGUÉM PRECISAVA PRESTAR CONTAS

Consta que a Fundação Ford (EUA) tem como um de seus objetivos conquistar a intelectualidade ocidental para as propostas ideológicas estadunidenses. Uma comprovação disso encontra-se no livro Quem pagou a conta? da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (tradução brasileira pela Record, de Vera Ribeiro). Segundo outro interessante livro, Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível, da francesa Brigitte Hersant Leoni (tradução pela Nova Fronteira, de Dora Rocha), numa noite do início de 1969, pouco após a edição do infame AI-5 da ditadura de 1964-85, Fernando 2º (FHC) foi ao escritório da Fundação Ford, onde teve uma conversa com Peter Bell, seu representante no nosso país. Bell se entusiasma com a alma entreguista do xogum (qualificação que lhe foi dada por Mangabeira Unger, de Harvard) e lhe oferece uma ajuda financeira de US$145 mil para montar o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Isso era apenas uma entradazinha de uma ajuda que pode ter chegado US$1 milhão.
Agora que vimos Fernando 2º apoiando, junto com uma malta de tucanos de impressionante bico, o golpe travestido de impedimento contra a presidente eleita em 2014, podemos ter certeza sobre o dinheiro americano. Não o estavam jogando pela janela. Ele já tinha serviços prestados. Por exemplo, mancomunado com o chileno Faletto, acabava de lançar Dependência e desenvolvimento na América Latina. O livro defende a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados podem se desenvolver mesmo mantendo dependência em relação a países ricos, como os EUA. Com essa grana para gastar à vontade, o xogum foi catapultado a personalidade internacional, sendo convidado por universidades europeias e estadunidenses. E o que é a Fundação Ford (ou era?): um braço intelectual da CIA, serviço secreto dos EUA.
Segundo a pesquisadora Saunders, o uso de fundações filantrópicas pela CIA ocultava a origem da grana e podia financiar intelectuais escolhidos por sua postura “correta” na Guerra Fria. O que tornou difícil sustentar equidistância cultural. No livro, a autora diz que, segundo Fernando 2º, o dinheiro era tanto que não se conseguia gastar tudo: “Não havia limites. Ninguém tinha de prestar contas. Era impressionante”.
Tem um economista estadunidense, Mark Weisbrot, colunista do inglês The Guardian e do The New York Times, que em 2012, falando à revista Carta Capital, exaltou a maior independência da América do Sul em relação aos EUA e ao FMI: “A região passou por uma mudança enorme na última década. No passado, estava dominada pelos Estados Unidos, mas hoje o Cone Sul é mais independente de Washington, além de ter uma política exterior autônoma. A mudança é histórica e abriu um monte de oportunidades. O crescimento econômico dos últimos dez anos na região foi muito mais alto do que aquele ocorrido entre 1980 e 2000. O grande resultado é mérito dos novos governos de esquerda”.

A Casa-Grande, empresários rentistas, reacionários empedernidos não podiam tolerar isso. Lugo, Zelaya, Dilma foram golpeados sem complacência. Maduro está balançando na corda bamba. Enquanto isso, Temer e seus asseclas que assaltaram o poder se apressam em torrar o que sobrou do patrimônio público, que o xogum não teve tempo de torrar. Merecemos? Isso vai mudar? Que o Bom Jesus da Lapa nos proteja.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

DEUS NÃO SERIA BRASILEIRO? OU TRATA-SE DE UMA PAUSA?

Há essa brincadeira de que Deus é brasileiro. Quando foi escolhido um papa argentino, enfim um papa cristão, diziam que o papa é argentino, mas Deus continua brasileiro ... Gente, levando-se em conta a má qualidade da nossa assim dita representação popular, a presidente Dilma, que tem graves defeitos, mas foi eleita democraticamente, está definitivamente fora do Planalto. Tudo indica que o Congresso Nacional se entende bem com ditaduras e golpes. A não ser na ditadura do Estado Novo, permanece aberto e com os integrantes embolsando seus soldos. Quando um ditador plantonista tipo Geisel tem um surto e manda fechá-lo, ele continua impávido como instituição decorativa. Foi responsável pela rápida aceitação de renúncia de Jânio Quadros, ensaio para a longa ditadura de 1964-1985. Também aceitou às carreiras e sem exame declarar vacante a Presidência da República quando João Goulart permanecia em território nacional. Para abrir caminho à gorilada que vinha da selva (ou quem assassinou, torturou, cassou direitos não é selvagem?). Aliás, nem precisava esse açodamento. Bastava os marines dos EUA, que aguardavam na costa do Espírito Santo, desembarcarem (isso está documentado em papéis do Pentágono liberados).
Agora o usurpador Michel Temer, que traiu a companheira de chapa, sem a qual não estaria no Jaburu, tem mais de dois anos para completar o programa entreguista dos dois Fernandos, o 1º, Collor, e o 2º, FHC. A Petrobras já começou a ser fatiada para não custar muito caro às concorrentes estrangeiras. Já entregaram uma banda do pré-sal por um quinto do valor real. Banco do Brasil, Caixa e BNDES que se cuidem. Lembremos que, nessa sanha por derrubar Dilma, revelaram-se golpistas figuras como Fernando 2º, Serra, o netinho mimado de Tancredo Neves, uma porção de gente que se apresentava e continua se apresentando como democrata.
Por ao menos dois anos, será adiado o debate sobre regulação da mídia eletrônica. A Globo prosseguirá criando canais a mancheias para sonegar notícias, interpretá-las à sua maneira, manipulá-las. A TV Brasil e outras tevês públicas estão sendo assaltadas. Apesar do blá-blá-blá hipócrita de uma caterva de parlamentares, não haverá reforma política. Como iriam nossas vestais e varões de Plutarco derrubar mordomias e suas vergonhosas maneiras de se elegerem; acabar com partidos de aluguel como o PPS e tantos outros; diminuir o exagerado número de representantes; diminuir ao menos um pouquinho sua postura de classe?

Educação e saúde, que ganhariam muito com o resultado da exploração do pré-sal, que esperem melhores dias. Aguardemos que seja por pouco tempo, embora muita coisa seja irreversível. O “imparcialíssimo” juiz Sérgio Moro não sossega enquanto não pegar Lula. Por quê? E Aécio, Renan, tantos outros do lado tucano ou antipetista? Mas, segundo argutos observadores de toda essa sem-vergonhice que assola o país, se Lula (não estou dizendo que ele é santo) não for preso, se candidata a presidente e se elege. Se for preso, qualquer poste que ele indicar ganha. Se ficar, o bicho come; se correr, o bicho pega. É que o brasileiro se conscientizou mais politicamente neste século, enquanto também ascendia economicamente graças a políticas sociais. Daí a necessidade do golpe institucional em curso. Em 1964, também havia crescido muito uma conscientização abominada pela direitona da casa-grande. Golpe nesses metidos a coisa. Deu no que deu. Que Nossa Senhora do O nos proteja.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

APARECE AGORA NOVA CATEGORIA, A DOS SEM BANCO

Gente, a “privataria tucana” desta vez exagerou. Estamos há uma semana sem acesso à internet. O provedor é uma tal de BBC Tech, que chegou aqui em Aldeia prometendo mundos e fundos e agora está ficando com os fundos imundos, como se diz lá na minha outrora longínqua terra, Vitória de Santo Antão. A gente liga pra lá e eles se escondem, não atendem. Quando afinal se consegue ligar, prometem ir ao condomínio, mas não aparecem. Esse pessoal surfa na incompetência e ausência na Anatel, que aparentemente só serve para conceder aumento de tarifas. Apelar pra quem? Com esse desgoverno aí surgido do golpe institucional contra os eleitores, que, para golpistas, não merecem respeito, a coisa só tende a piorar. Estão a serviço da casa-grande, que recebe atenção prioritária.
Trato hoje da nova categoria surgida há algum tempo em nosso Estado, a dos sem banco. Na Região Metropolitana, Mata, Agreste e Sertão, já é uma boa quantidade de cidades que tiveram bancos assaltados. Dizer isso é pouco: estão sendo destruídos em operações de guerra com fuzis 762 e 556 e metralhadoras .50, capazes de derrubar um helicóptero. Tudo muito organizado e sempre levando vantagem sobre a polícia. Seriam as polícias Civil e Militar operacionalmente ruins? Haveria conivência de funcionários corruptos? Alguns comandantes do interior estão se organizando para juntar efetivos de mais de uma cidade para fazer rondas comuns, o que tem dado algum resultado. Já conseguiram prender bandidos e evitar assaltos.
As cidades vítimas só parecem remotas vilas do Far West estadunidense quando lá chegavam bandos de fora-da-lei. Além do susto e perigo a que as populações ficam expostas, usuários de bancos, como correntistas, aposentados, não têm mais onde depositar e pegar dinheiro. São obrigados a procurar bancos em cidades ainda livres de assaltos, o que significa perda de tempo e dinheiro, um sacrifício a mais para quem já tem pouco.
Quando a ação dos bandidos se limitava a estourar caixas eletrônicos, os bancos consertavam o que havia sido danificado e tocavam adiante. Agora que é operação de guerra mesmo, com destruição dos imóveis, as matrizes dos bancos resolveram simplesmente aguardar melhores dias. Daí a aparição da classe dos sem banco.
A epidemia de violência só faz aumentar. Acredito, como muita gente, que uma base de solução, ou grande melhora, seria acabar com a distinção entre droga lícita e droga ilícita. Se o cara pode tomar bebida alcoólica excessivamente, acabar com a saúde, fumar desbragadamente nicotina comprometendo os pulmões, por que não poderia usar outras drogas. Preocupação do governo com a saúde pública (rá,rá,rá) ou submissão a ditames dos Estados Unidos? Claro que não estou fazendo apologia do uso de drogas. Ao contrário, deixei o fumo há muitíssimo tempo e estou em processo de me abster também do escocês, da caninha, cerveja, vinho.
Hipocrisia também? Os tão cristãos e democráticos britânicos já provocaram duas guerras do ópio para obrigar os chineses a produzir e consumir essa droga, que dava muito lucro ao império. Hoje combatem as drogas, como os EUA. A política destes é combater, por exemplo, o cultivo de coca na Bolívia, nos Andes; mas pouco fazem para acabar com o consumo interno dos gringos. O presidente da Bolívia, finalmente um indígena, Evo Morales, não proíbe o cultivo da coca, apenas combate a produção de cocaína, droga braba. Nos Andes, os indígenas consomem folhas da planta para combater fome e frio. Costume milenar.

PS – Está nas livrarias mais uma produção de José Paulo Cavalcanti, autor de Fernando Pessoa uma quase autobiografia. É Somente a verdade (Record). Trata-se de contos baseados em casos reais. Uma tradução de Fernando Pessoa sai na França no final do ano e já há traduções contratadas ou em negociação na Alemanha, Rússia e Holanda.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

SERIAM AS ENERGIAS DITAS LIMPAS TAMBÉM POLUENTES? QUESTIONAMENTOS DE UM ESPECIALISTA

Gente amiga, continuo driblando problemas da “privataria tucana”. Passo hoje a vocês um artigo do professor Heitor Scalambrini Costa (UFPE) sobre energia, uma especialidade dele. Fala de senões que também atingiriam as chamadas energias limpas. Como não sou do ramo, não tenho condições de julgar o posicionamento dele. Mas creio que vale a pena tomar conhecimento de seus questionamentos; por ser um prestigiado cientista, acadêmico, professor, pesquisador.

Com a palavra o professor:

                             DEBATE ENERGÉTICO ENVIESADO

                                                                         Heitor Scalambrini Costa
                                                                    Professor aposentado da UFPE

A matéria publicada na revista Caros Amigos (no 232/2016) intitulada “Sobre o mito da energia limpa”, da jornalista Lillian Primi, foi a motivação dos comentários que faço a seguir. Falar em energia nos aproxima de temas correlatos como economia, meio ambiente, tecnologia, modelo de sociedade. Logo, difícil, ou quase impossível, encontrar consensos nesta discussão.
Todavia alguns pontos são inquestionáveis, e mesmo assim conceitos são deturpados junto à população. É o caso do uso frequente do termo “energia limpa”. Toda fonte energética ao ser convertida em outra forma produz algum tipo de resíduo, emissão, contaminação, poluição, que afeta o meio ambiente e as pessoas. Além de que as obras e instalações realizadas para o processo de geração, dentro do modelo de expansão vigente, e mesmo a transmissão da energia, provocam danos, expulsões, privações, prejuízos, destruições de vidas e de bens muitas vezes permanentes e irreversíveis. Portanto é falso e desaconselhável o uso deste termo. Meros interesses econômicos da mídia corporativa, aliada das empresas, tentam confundir quando antepõem energia limpa versus energia suja.
Fato é que as chamadas fontes não renováveis - petróleo, gás natural, carvão e minérios radioativos são - as principais responsáveis pelo aquecimento global, pelas emissões que provocam, e consequentemente, pelas mudanças climáticas que ocorrem no planeta. Evidentemente, este efeito é agravado de maneira substancial pelo modo de produção e consumo da atual civilização. E aqui é ressaltado o papel nefasto do petróleo e seus derivados como o inimigo número um no aquecimento global.
Por outro lado, as fontes renováveis de energia - sol, vento, água, biomassa - são as que menos contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, e consequentemente para as mudanças climáticas. Mas aí tem um porém, e que foi muito bem registrado na referida matéria sobre os problemas socioambientais causados pela geração centralizada da energia eólica, e o que tudo indica também da energia solar fotovoltaica. O atual modelo de implantação e expansão destas tecnologias é tão catastrófico do ponto de vista socioambiental, como o do uso das fontes não renováveis. Neste caso, a vantagem comparativa inexiste. É o que ocorre atualmente no Nordeste brasileiro com a devastação do bioma caatinga, e com as mudanças dos modos de vida infligidas às populações que se dedicavam à pesca, coleta de mariscos, e agricultura familiar.
Há uma discussão sobre a questão das mega-hidroelétricas com a construção das barragens. Alguns gestores públicos, membros da academia, técnicos e grupos empresariais ainda insistem na defesa de grandes e destruidores empreendimentos, onde as desvantagens superam em muito as vantagens. Os deslocamentos de milhares de pessoas acarretam danos irreversíveis a essas populações, conforme constatações históricas. Por outro lado, é consenso que as hidroelétricas também emitem uma considerável quantidade de GEE, principalmente o metano resultante da degradação microbiológica da matéria orgânica existente nos reservatórios. Todavia, os defensores desta tecnologia, após terem que aceitar esta constatação científica, ainda tentam desqualificar aqueles que são contrários à construção de mega-hidroelétricas na região amazônica, insistindo erroneamente em afirmar que são imprescindíveis.
Neste contexto não se pode esquecer que vivemos em um sistema capitalista, onde o lucro é o objetivo principal. E aí o vale tudo tem imperado. Desde o afrouxamento da legislação ambiental para atender aos interesses econômicos imediatos, a falta de fiscalização sobre tais empreendimentos e os contratos draconianos de arrendamento da terra. Em nome da maximização do lucro, o meio ambiente e as pessoas acabam sendo prejudicadas, com o Estado se omitindo e muitas vezes incentivando práticas não condizentes com os discursos de proteção ambiental e de sustentabilidade.
Logo, os investimentos em fontes renováveis estão orientados pela lógica capitalista, e são tratados como um negócio como outro qualquer, e muito rentável, onde o lucro e a justiça são incompatíveis. É o que tem atraído fundos de pensão de outros países, empresas multinacionais e nacionais, grandes investidores particulares que encontraram no Brasil um filão para os “negócios do vento e do sol”, aliados a uma legislação que muda conforme seus interesses.
Como bem constatamos na história recente do país, o “capitalismo brasileiro” não convive com a democracia, com a justiça ambiental, com os direitos sociais. E é nesta lógica, em um país onde a informação é controlada e manipulada, que os interesses dos grupos empresariais que se dedicam aos negócios da energia prosperam e com altas taxas de exploração. Com a inexistência plena da liberdade de imprensa, discussão junto à sociedade sobre energia para que? Energia para quem? E como produzi-la? Acabam restritas a setores acadêmicos e a poucos grupos sociais.
Verifica-se que na questão energética, em particular na expansão das fontes renováveis de energia solar-eólica, o Estado é o maior gerador de conflitos socioambientais. Contraditoriamente, diante da função que seria de mediar os conflitos de classe, o Estado brasileiro tem lado e favorece os grupos empresariais.
Nesta discussão, a segurança energética de um pais é assegurada pela diversidade e complementaridade. Ambas não repousam somente no duo eólico-solar, e sim em um mix de tecnologias disponíveis localmente e escolhidas dentro de critérios técnicos e socioambientais para satisfazer as necessidades dos diferentes setores da sociedade.

Parabenizo a jornalista Lillian Primi pela provocação. Lamento que na sua matéria somente alguns interesses foram representados e tiveram voz, em particular técnicos cujas posições são bem conhecidas em prol das mega-hidroelétricas.

sábado, 13 de agosto de 2016

AS OLIMPÍADAS VÃO MELHOR DO QUE SE ESPERAVA. ENQUANTO UNS POUCOS LUCRAM COM BONS NEGÓCIOS, COMO PAES E NUZMAN

Felizmente, as Olimpíadas do Rio vão se desenvolvendo sem percalços maiores que o esperado, noves fora a violência que continua solta, apesar do reforço na segurança, registrando-se roubos até dentro da Vila Olímpica, sequestro-relâmpago de suecos, chineses do basquete envolvidos em tiroteio ao saírem do Galeão e a morte de um componente da Força Nacional. Sem falar no mau acabamento da Vila. Regozijemo-nos, porém, com o belo espetáculo de abertura, a boa organização dos eventos e a ausência (rezemos para que assim prossiga) de atos terroristas.
Convém, no entanto, observarmos alguns pontos destoantes. O boquirroto prefeito do Rio Eduardo Paes (cargo que não existiria se o ditador de plantão Ernesto Geisel não houvesse fundido arbitrariamente o Estado da Guanabara com o Estado do Rio, ou seja o progresso com o atraso) está rindo à toa, quando não está falando besteiras. Rindo junto com seu parceiro Carlos Arthur Nuzman (COB), mais contido ao abrir a boca.
A população carioca, a quem prometeram grandes vantagens, continua a ver navios, fora do Porto Maravilha. Este tornou-se um bairro privatizado. Dentro dele os que fazem fortuna na especulação imobiliária e em contratos de marketing. Aliás, a população aguarda algum benefício desde os Jogos Pan-Americanos de 2007. Estes tiveram suas despesas orçadas em R$390 milhões (só o Engenhão consumiu R$396 mi), mas torraram incríveis R$3,3 bilhões. A velha e incontornável apropriação privada de recursos públicos, que só está sendo punida quando os aproveitadores são ligados ao PT e adjacências. As mesmas pessoas que organizaram o Pan foram chamadas a cuidar da Rio-2016. Honra ao mérito ... Não esqueçamos o bárbaro desabamento de trecho da Ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemayer, fruto de açodamento e irresponsabilidade.
Já o parceiro de Paes na promoção e benesses da Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, chefe do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) há 21 anos, é êmulo de João Havelange, proprietário da CBF por décadas até que, já na Fifa, caiu nas malhas de um tribunal suíço. Nuzman vê agora o seu COB sob inquérito do Ministério Público, por relações comerciais com a Olympo Marketing e Licenciamento, engendrada pelo chefão.

Para concluir, o projeto de Paes et caterva negligenciou a alterou o Plano Diretor da cidade para atender a interesses privados.