terça-feira, 25 de outubro de 2016

REGULAÇÃO DA MÍDIA NEM PENSAR. PARA A GLOBO, É CENSURA, E A GLOBO É O PLIM-PLIM DA DEMOCRACIA...

Atenção, gente, é uma citação. “Fundamentais para a democracia, os jornais estão passando por transformações em todo o mundo. A profusão de notícias em redes sociais já foi uma ameaça. Hoje é exatamente esse fenômeno de massa que garante a relevância dos veículos. Quem quiser sair do mar de informações distorcidas ou simplesmente falsas tem que recorrer ao jornal. Impresso ou online. É o jornalista quem filtra, apura, aprofunda e decodifica tudo para o leitor”. É o resumo de entrevista com o novo presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, publicada no Jornal do Commercio de quinta-feira passada.
Que bom que assim fosse. Mas não é. Aí pelo mundo, há jornais que informam com bastante isenção e expõem suas próprias opiniões, não como verdades absolutas, mas como aquilo que acham os donos do jornal. Podemos citar o The New York Times, o Washington Post, o The Guardian, o Le Monde, o El Pais, o La Repubblica, entre outros.
Além disso, todo país civilizado faz regulação da mídia. Aqui isso é vetado pela Rede Globo (o grande pilar do poder no Brasil) e apresentado ao público como censura. Ora, censura braba é a que fazem os assim chamados barões da mídia, um oligopólio de poucas famílias neste país tropical. O que caracteriza a nossa grande mídia, capitaneada pelos grupos Globo, Folha, Estadão, é a venda de suas posições políticas, econômicas etc. como verdade absoluta, a manipulação e distorção de informações, a sonegação de informações (são famosos os casos da Globo na campanha da Diretas-Já; aliás esse grupo quase toma a vitória de Brizola para o governo do Rio, manipulando dados das eleições). O golpe do impedimento, por exemplo, é obra prima dessa vergonhosa falta de ética.
É interessante notar a sanha do entrevistado contra as redes sociais e blogs independentes. É claro que há muito lixo nas redes sociais, com as mesmas distorções da grande imprensa, ofensas pessoais, vômito de preconceitos, como também em alguns blogs que acolitam o oligopólio da grande mídia. O Sr. Marcelo Rech parece acreditar, ou é forçado a acreditar, que o jornalão brasileiro dá credibilidade às notícias, dá-lhes uma espécie de certificação. Diz que são tais veículos profissionais e seus jornalistas que fazem “uma apuração técnica com independência”. Ele está convencido (ou faz que está) de que “neste mundo, o bem mais escasso é a informação confiável” Qual mundo? O dos blogs e redes sociais sem compromisso com oligopólios midiáticos e com a notícia oficial: “notícia” com carimbo de tal partido, de tal governo, de tais interesses corporativos.
É grotesco ver a defesa da grande mídia por seu novo guardião à frente da ANJ. Lendo-o, a impressão que fica é de que, nessa área, estamos no melhor dos mundos e, lendo diariamente seus jornais, vendo suas TVs e ouvindo seus rádios, o público fica bem e isentamente informado sobre o que se passa pelo mundo e em Pindorama. O golpe do impeachment é exemplar do que é capaz esse oligopólio. A Rede Globo fez uma bombardeio da presidente deposta, uma tal sonegação e distorção de informações que o público televisivo não tinha pra onde correr. Parecia o bombardeio de Londres na 2ª Guerra Mundial. Agora cuida de apresentar uma boa imagem do impostor. O que se revela muito difícil, sobretudo agora com o aguardado e provável destanpatório de outra criatura global, o Eduardo Cunha. Entregue às feras na perda de mandato pelos seus tão comportados coleguinhas e desamparado pelo presidente saído do golpe, ele não vai deixar por menos: para ganhar do inquisidor Moro uma pena menor para si e sua excelentíssima, certamente vai contar muita safadeza e falcatrua de tantos anos de prática da política à brasileira. Interessante notar que, na ditadura de 1964-1985, os generais de plantão no Planalto se autointitulavam “presidentes”. Hoje, os EUA e aliados ricos abandonaram a sedução dos fardados (que ficaram muito desmoralizados coma a longa aventura; além de não haver mais o perigo comunista) e passaram a patrocinar um golpe mais sutil e que tem dado resultados pra eles: organizam cursos e seminários lá em riba e seduzem para a causa deles juízes, procuradores, policiais. Como nossa cultura ainda é de colonizados e escravagistas, os EUA etc. voltam a nos colonizar. Já abiscoitaram uma banda do pré-sal por uma bagatela e se preparam para engolir a Petrobras inteira. Regulação da mídia nem pensar.

PS – Quinta-feira passada, na Livraria da Praça de Casa Forte, Padre Edwaldo Gomes e Vera Ferraz, minha amiga e colega de jornalismo, lançaram a biografia que fizeram dele, a dois, lembrando a trajetória do querido pároco daquela freguesia, Um Padre Nosso. *** Também na quinta, no Clube Alemão, Paulo Caldas lançou mais um livro seu. Desta vez, O círculo amoroso, obra poética. Desde 2012, quando lançou Porto dos amantes (ficção), esse importante escritor pernambucano, que folgo em ter como vizinho em meu esconderijo de Aldeia, estava sem lançar novas obras. Vamos conferir.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

INTERESSES ESTRANGEIROS E OS DOS HERDEIROS DAS CAPITANIAS

Tá danado. Se não houver uma reação democrática, o golpe vai desmontar o país. A assim dita Operação Lava Jato, por exemplo, um dos braços fortes do golpe, está destruindo as grandes empresas que têm know-how para desenvolver a infraestrutura, nossa e lá fora. Ao contrário do que se faz nos Estados Unidos e outros países desenvolvidos, o Grande Inquisidor Moro não pune somente os donos dessas empresas, mas as proíbe de continuar a fazer negócios com o governo. Ótimo para suas concorrentes estrangeiras. Nada contra a punição de quem delinquiu, desde que dentro dos trâmites legais, sem delações forçadas em troca de menores penas. O Torquemada dos pobres primeiro prende para depois apurar. Às vezes até apura alguma coisa, ao contrário de seu modelo da Santa Inquisição. Quem sabe tenha aprendido isso nos cursos que fez a convite do Departamento de Estado americano. Do novo tipo de golpe engendrado pelo bondoso Tio Sam, para retomar o espaço perdido na América Latina, não faz parte a sedução das casernas através de cursos no War College. Agora seduzem juízes, procuradores, policiais.
Impõe-se uma reação. No site do meu amigo Tadeu Colares, ele transcreve a receita de Paulo Henrique Amorim (PHA) que lidera o blog Conversa Afiada. PHA já trabalhou na excelente revista Realidade, do tempo em que a Editora Abril era uma linda e frondosa árvore, Manchete, Rede Globo. Atualmente apresenta o programa Domingo Espetacular, da Rede Record, aos domingos. Para ele, a entrega do Pré-sal já consolidada, falta prender Lula e por novamente um tucano na Presidência. Fernando 2º (FHC) já está todo assanhado, se reunindo com o presidente golpista, acolitado por Gilmar Mendes (STF). Aquele que começou a desmontar o patrimônio do país, mas não teve tempo de concluir a obra, nem comprando um segundo mandato, está escancarando sua alma de golpista e aproveitador.
PHA propõe uma frente ampla para combater o golpe, que vá do centro à esquerda. O jornalista Mino Carta, diretor da Redação da revista Carta Capital, uma das pouquíssimas que escapam à mesmice e ao golpismo convicto do que ele chama de “mídia nativa”, pede emprestada a Gilberto Freyre a divisão do nosso país em Casa-Grande e Senzala. Os inimigos do desenvolvimento autônomo do Brasil são os interesses empresariais estadunidenses, do mundo desenvolvido (sobretudo a finança hegemônica), antibrasileiros, e os daqueles que constituem a Casa-Grande. E quem são estes últimos? Respondo eu: os herdeiros das capitanias hereditárias, sesmarias e outras maneiras predatórias e colonização, os soi-disants “empresários” rentistas, cuja “produção” se encontra em paraísos fiscais, aqueles que, no governo golpista, pretendem comprometer para sempre a educação e a saúde do brasileiro.
O jornalista PHA lembra a frente ampla que tentou se constituir no auge da ditadura de 1964-1985, aproximando JK, Jango, Lacerda, Miguel Arraes, Brizola. Não progrediu porque a Operação Condor (conluio das ditaduras do Cone Sul) matou os três primeiros. Arraes e Brizola escaparam porque souberam se proteger. Ele sustenta que, com o inevitável agravamento da já dura crise econômica, com o escancaramento de um neoliberalismo tão démodé, cada vez mais o golpe vai doer no bolso dos trabalhadores. E isso pode levar a um amplo espectro político que conduza à reeleição de Lula em 2018: “O próximo presidente da República será Lula ou quem ele indicar”.

Mas PHA adverte que todo esse raciocínio pode não dar certo, se a Casa-Grande descobrir “ que o Temer não vai entregar a mercadoria”, isto é, rasgar a CLT. Aí a Casa-Grande pode dizer a Gilmar Mendes para condenar Temer na Justiça Eleitoral. E então o Congresso elegeria indiretamente um Fernando 2º ou similar. Sai de baixo! Como eu dizia há umas duas semanas, no Jornal do Commercio, “Corre que o mundo vem abaixo”.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O ESTADO LAICO ESTÁ A PERIGO NA TRANSFORMAÇÃO DE IGREJAS EM PARTIDOS, DE PASTORES EM DEPUTADOS, PREFEITOS ETC.

Apesar de o nosso país ser, desde a República, um Estado laico, a mistura e confusão entre religião e política recrudesceu nos últimos tempos de seitas tipo caça-níquel, que se dizem “evangélicas” mas se afastam do Evangelho de Jesus Cristo). Tinha havido uma lenta melhora desde o fim do padroado, quando as nomeações de bispos passavam pelo imperador. Os protestantes passaram a ter melhor tratamento, quebrando a segregação em que viviam, sobretudo nos rincões de um país forjado naquilo que Camões assim versejava: “A fé e o império andaram dilatando”. E quem assim fez? Ordens religiosas apoiadas por governadores gerais, latifundiários das sesmarias e capitanias hereditárias, todos tão cristãmente prosperando às custas do trabalho de escravos africanos.
A Igreja Romana tentou ainda, durante muito tempo, preservar seus direitos adquiridos, impor uma política que seus líderes consideravam de inspiração cristã, embora apoiassem candidatos que, apesar de distantes de uma orientação realmente cristã, batiam no peito, iam a missas, acompanhavam procissões. Até a redemocratização de 1945, ainda havia uma tal de Liga Eleitoral Católica (LEC), que jogava água benta em candidatos supostamente fiéis ao Evangelho, embora, por exemplo, deixassem suas excelentíssimas esposas na província e frequentassem assiduamente a então famosa Rua Alice (na descida de Santa Tereza para o Cosme Velho), uma espécie de anexo do Congresso Nacional.
Com a modernização e arejamento da Igreja Romana, a criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o aumento da convicção de que o regime do Estado laico é benéfico à Igreja, essas excrescências foram sendo deixadas de lado. Com o aumento da politização e conscientização do eleitorado, logo barradas pelo golpe de 1964, o atento e bondoso Tio Sam passou a incrementar a vinda para cá de vertentes protestantes capazes de conter a conscientização do povo mais simples. Pouco depois, nem foi preciso mais importar “profetas” estadunidenses. Começaram a surgir e prosperar igrejas que se dizem evangélicas e cuja principal crença é o dízimo. Elas abandonaram o tradicional termo “protestante”, que lembra Lutero e seu protesto contra os abusos papais e domínio político na Idade Média, contra a confusão entre política e religião. Criaram a Teologia da Prosperidade, em contraposição à Teologia da Libertação nascida entre os mais pobres da América Latina (e tão malvista pelos papas que antecederam Francisco).
O Tio Sam evidentemente saiu ganhando, pois conseguiu brecar aquela conscientização referida acima, não só com 21 anos de ditadura, mas com o lindo e mavioso Congresso que temos hoje, capaz de destituir uma presidente eleita para por no lugar dela um reles aproveitador e golpista, cujo programa de desgoverno vinha sendo rejeitado pelo eleitorado desde 2002: piorar ainda mais educação e saúde, alienar barato o patrimônio público que Fernando 2º não teve tempo de dilapidar, desmontar a TV pública e sepultar a regulação da mídia (que todo país civilizado faz), voltar enfim à dependência em relação aos países ricos.
Entre muitos dos que se dizem evangélicos, o que se vê hoje é a mais desbragada negação do Evangelho e a volta da simonia, a venda de indulgências, de perdão dos pecados, tudo aquilo que Lutero condenou no papado que saía da Idade Média e esperneava para prosseguir dominando a Igreja e a política dos países que faziam a autoproclamada Europa “cristã”. Nas atuais eleições, abrimos um jornal e vemos que “candidatos ligados ao eleitorado evangélico vêm ganhando casa vez mais destaque no Brasil” (Jornal do Commercio de 9 deste mês). Considera-se que a fragilização e desmoralização dos partidos políticos abriu caminho para o fortalecimento de certas igrejas como se fossem partidos (promovem e financiam seus fiéis), sempre conservadores, quando não à extrema direita. O que ocorre também com muitos candidatos que se proclamam católicos romanos. Há até quem procure, como o professor Edin Sued Abumansur (PUC-SP), ensinar que “a separação entre Igreja e Estado não significa separação entre religião e política”. E onde fica o Estado laico? Na cidade do Rio de Janeiro, outrora o politizado Estado da Guanabara, cassado pelo general-presidente Geisel, está para ser eleito um autonomeado bispo chamado Crivella, cria da igreja fundada por outro autonomeado bispo, Edir Macedo.

O que fazer? Apelar para uma reação desse Congresso que aí está, para que faça cumprir a Constituição no que se refere ao Estado laico? Seria perder tempo. Resta-nos aguardar um governo constitucional, uma Constituinte exclusiva (única maneira de se conseguir uma reforma política, mãe de todas as reformas), uma eleição limpa para um novo Congresso.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

OS VENDILHÕES DO TEMPLO PINDORAMA. VOLTA A PRIVATARIA TUCANA. SATANÁS SOLTO

Fui votar triste. Lembrei que, da última vez, havia contribuído para reeleger a presidente Dilma Roussef, não pelos méritos dela, mas pela falta de alternativa válida. Por um lado, Dilma vendeu uma coisa e entregou outra, copiando programa dos adversários. Por outro lado, a Casa-Grande, pê da vida com os poucos avanços que a Senzala havia alcançado nos governos de Lula e Dilma, embarcou na nau do golpe desde o início do novo mandato da petista. Vale a pena votar assim, para ver seu voto escamoteado por golpistas? Recolho a tristeza e voto pela volta de João Paulo à PCR. Foi um excelente prefeito e não tem nenhum compromisso em perpetuar o mito forjado em torno de Eduardo Campos.
Um gaiato postou por aí que Satanás está solto em São Paulo: Temer, o beato Alckmin e Dória. Dose pra um zoo inteiro de leões. Xô Satanai! Enquanto isso, em dimensão de Brasil, o governo oriundo do golpe, evidentemente ilegítimo, prossegue aplicando seu programa de vendilhão do templo Pindorama. Enquanto Serra, “diplomata” da escola de macaco em loja de louça, já está cansando, de tanta gafe, os responsáveis por incrementar o golpe, Meirelles e aliados prosseguem com o leilão do Brasil. Lances baixos para não espantar o capital externo, exatamente de acordo com a escola da “privataria tucana”.
Em um hotel de Manhattan, falando a endinheirados, de portas fechadas, o intruso confessou que a deposição de Dilma não foi por suposto crime de responsabilidade. A petista, segundo ele, se negou a seguir o programa proposto pelo PMDB “Ponte para o Futuro”, um pacote de medidas neoliberais: “Como isso não deu certo, não houve adoção [do pacote], instaurou-se um processo que culminou agora com a minha efetivação”. Tudo muito claro. Gente fina é outra coisa ..., como se diz por aí.
Fico imaginando como é que essas tais de medidas neoliberais ainda circulam e pedem, ou forçam, passagem. No Brasil, significaram o leilão de substancial parte do patrimônio público, sob a batuta de Fernando 2º (FHC). O grande sociólogo que ninguém lê (é como os romances de Ribamar Sarney, sobre os quais Millôr Fernandes apostava na inexistência de leitores) prometeu que o leilão atrairia capitais de fora. Ninguém viu. Foi quase tudo financiado pelo BNDES. Prometeu modernização, vigiada por agências que criou. Essas agências na prática só servem para homologar aumentos de tarifas; e assim continuaram nos governos petistas, que, ao menos, não prosseguiram na sangria do patrimônio público. Se Fernando 2º, que ganhou um mandato popular e comprou a reeleição, agiu do jeito que agiu, que dirá o atual mandante, golpista de carteirinha.

Difícil sair dessa encrenca, criada por quem não acredita na democracia, no interesse público, na alternância de poder através dos meios estabelecidos na Constituição; por quem não aceita que a Senzala vire ao menos um conjunto habitacional popular decente. A Justiça não está cumprindo sua função, pois faz uma seleção entre aqueles que deve julgar: clava forte contra o PT e similares; panos quentes nos casos de notórios inimigos da lei, como Aécio, Renan Calheiros etc, defensores da Casa Grande e da escravidão. O caso mais notório é a graça concedida aos responsáveis pelo massacre do Carandiru, em São Paulo. Importante parte dos organismos policiais também capricha em perseguir apenas quem peca contra a Casa Grande. Valha-nos Nossa Senhora do Ó!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

PROJETO NACIONAL COM FORATEMER? CHINA, JAPÃO, COREIA DO SUL TÊM SEUS PROJETOS NACIONAIS, SUA TECNOLOGIA, AUTÔNOMA

Fernando 2º (FHC) andou por Buenos Aires ensinando ao presidente Macri como se vende barato um país, preparando a visita programada de ForaTemer, o atual vendilhão do nosso patrimônio público, se Nossa Senhora do Bom Parto não nos ajudar a sair desta o quanto antes.
O Brasil é um país que ora anda devagar, ora nem sai do canto. Escravagismo, abolição deste sem reforma agrária, ao contrário do que propunha Joaquim Nabuco, daí latifúndio improdutivo e empedernido, elites ignorantes, pedantes e predatórias, além de muita coisa mais, nos trouxeram a tal impasse. Até o pós-guerra, o Brasil avançava, se industrializava, se esforçava por educar melhor sua população. Com ditadura ou sem, Getúlio tinha um projeto de pais pelo qual pagou, mais adiante, com sua vida. O país tinha reservas que acumulara durante o conflito e tinha condições para voos mais altos. Atentos à senha dada pelo embaixador estadunidense Berle, Eurico Dutra, Gois Monteiro e outros generais fascistoides deram um golpe em Getúlio, pondo fim ao Estado Novo (do qual tanto se aproveitaram) quando ele já estava morrendo, pois eleições estavam marcadas para dezembro e estava-se em plena campanha com ampla liberdade.
Dutra foi eleito pelo rolo compressor do voto de cabresto. O outro candidato mais forte era outro militar fascistoide, o brigadeiro Eduardo Gomes. Continuando no caminho já iniciado pelo presidente-tampão José Linhares, Dutra prosseguiu torrando as divisas acumuladas durante a guerra na compra de sucata de guerra, cigarros dos EUA, passas da Califórnia, Coca-Cola (ainda não havia fábricas dessa droga por aqui) etc. Quando Getúlio voltou, eleito democraticamente com boa vantagem, em 1950, tentou acabar com essa sangria e, pecado mortal inafiançável, criou a Petrobras. “Ceterum, censeo Carthaginem esse delendam” (No mais, acho que Cartago deve ser destruída), como pregava o romano Cícero, devem ter pensado udenistas e golpistas em geral. Antes de findar seu mandato, o presidente foi acuado pelos antecessores de ForaTemer, preferindo suicidar-se a sair humilhado do Palácio do Catete.
Os golpistas perderam, dada a comoção popular pela morte de Getúlio. O golpe da Casa-Grande teve de ser adiado por dez anos. Lacerda ainda procurou outro golpe, com Carlos Luz, mas levou um chega-pra-lá de um militar nacionalista e anti-golpe, o marechal Henrique Teixeira Lott. Lacerda ainda buscou melar a posse de JK, eleito no ano seguinte à morte de Vargas, 1955. JK não era nenhum golpista, pelo contrário, mas a retomada do projeto nacional de Getúlio por ele não se baseou na criação de tecnologia autônoma. Ao contrário de outros países, ele fomentou a vinda de capitais estrangeiros (que não fazem mal desde que dentro de uma perspectiva nacional) para lançar uma indústria automobilística capitaneada pela Volkswagen, Ford etc.
Enquanto isso, os países derrotados na 2ª Guerra Mundial, como Alemanha, Japão, e outros massacrados pela guerra, como a Coreia do Sul, partiram para a criação ou recriação de seu parque industrial. A Alemanha é o país mais rico da Europa. Japão, Coreia do Sul e outros chamados de “tigres asiáticos” têm hoje suas indústrias automobilísticas e muitas outras de alta tecnologia, com know-how próprio ou agregação de tecnologia. Exportam até para a Europa e Estados Unidos. A China segue o mesmo caminho.
A China, até o fim da malfadada Revolução Cultural, era de um atraso penoso. Aí redescobriu, lendo Marx mais atentamente, que socialismo/comunismo não são sinônimos de estatismo; o que é público não é estatal, é da sociedade. Com tecnologia autônoma ou incorporando tecnologia importada, a China é hoje um país de regime comunista com grande espaço para um capitalismo não selvagem (o nosso é selvagem). Um exemplo para a nova Cuba e para a vizinha Coreia do Norte, atualmente governada por uma dinastia demente.

E nós? Continuamos sem criar tecnologia autônoma, desequilibrando a balança de pagamentos com importações desnecessárias. Mal ou bem, com todos os seus aspectos negativos, os governos do PT estavam retomando o projeto nacional de Getúlio Vargas. Devagar e sempre. Sempre? O golpe travestido de impeachment abriu o governo para entrega a capitais estrangeiros de tudo o que restou do patrimônio público após os dois mandatos do xogum Fernando 2º. Como na “privataria tucana” (leiam o livro homônimo), é liquidar tudo bem barato e com financiamento do BNDES. Salvar-nos-emos?

terça-feira, 20 de setembro de 2016

CARLOS MAGNO, MESMO ATAVIADO DE REI ARTUR, NÃO CONVENCE E VENDE BARATO O BRASIL

Lula acaba de lançar um site – www.lula.com.br. Vale a pena ver. E estabeleceu advogado na Europa para acompanhar as violações de direitos cometidas pela Justiça brasileira. O Sapo Barbudo, como o chamou Brizola, não é nenhum congregado mariano, mas e os outros, que o parcial juiz Moro finge não ver: Aécio, Alckmin, Fernando 2º et caterva?
How do you do Mr. ForaTemer?
Foi hilariante o escorrego de Fora Temer ao confundir Carlos Magno com o rei Artur das brumas de Avalon. Um cara que se apresenta como culto, embora esconda sua incultura na pernosticidade de algumas falas. Como é que pode?
Diretas Já! Após um golpe, sempre é bom Diretas Já.
Como comentei aqui, apesar de uma fingida isenção ianque, o golpe em curso no Brasil é do maior interesse do governo estadunidense e da finança internacional. Após a 2ª Guerra Mundial, os EUA passaram a se considerar donos do mundo e xerife internacional. A paz só durou cinco anos. Desde a Guerra da Coreia que se desenrola a 3ª e perene Guerra Mundial. A indústria bélica não aguentou o tranco da paz e exigiu que, sob o pretexto de combater o demônio comunista, conflitos se espalhassem pelo mundo afora. Grã-Bretanha e França foram obrigadas a largar (em termos) suas colônias africanas e asiáticas. Mas o fizeram sacanamente, misturando em um mesmo país etnias inimigas e separando etnias que conviviam bem. Prato feito pra guerras futuras e trava no desenvolvimento. O resultado está aí até hoje.
Cansada de golpes comandados por Washington, a América do Sul começou a eleger governos mais de acordo com seus interesses. As secretarias de Estado e da Defesa dos EUA precisavam mudar de tática. Em vez do desembarque de marines, comum na América Central e Caribe, ou a convocação de militares nativos para fazer o serviço sujo, por que não utilizar instrumentos aparentemente e formalmente constitucionais para esvaziar o avanço da banda meridional das Américas na conquista de seus próprios interesses? Com essa mudança, conseguiram derrubar governos populares na América Central, no Paraguai e agora no nosso país. Na Venezuela, a sabotagem campeia e Maduro não tem o carisma de Chávez. Só o índio Evo continua de vitória em vitória. Vingança dos espíritos dos ancestrais?
Vejamos a opinião de um economista estadunidense, Mark Weisbrot, sobre os avanços do Brasil nos governos do PT. “O Brasil também avançou muito. Em relação aos anos FHC, dobrou sua taxa de crescimento econômico. Há a política de reajuste do salário mínimo. E as políticas fiscais melhoraram muito [...]. Isso teve enorme impacto sobre o crescimento per capita do Brasil, que, antes da chegada do PT ao governo, praticamente não existia. A prioridade de Dilma Roussef, a meu ver, parece ser reforçar as políticas para reduzir a desigualdade e a pobreza”.

Esta entrevista foi dada à revista Carta Capital há quatro anos, no primeiro mandato da presidente golpeada. Não dava para aguentar. Como em 1964, impunha-se um golpe para manter a distância entre Casa-Grande e Senzala. Como aparentemente não há mais, no Exército, nas forças armadas em geral, serviçais de Washington prontos a ocupar seu próprio país; e como terminou a Guerra Fria, que justificava qualquer traição à pátria, impunha-se a tática atual do “golpe pseudoconstitucional”. Com Carlos Magno e Artur da Távola Redonda fundidos na troncha pessoa do mesmo impostor.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

POR QUE O GOLPE? PARA A RAPOSA TOMAR CONTA DO GALINHEIRO

Primeiro que tudo, Fora Temer! Um impostor. Foi cumprimentado, na China, como Mister ForaTemer. O “Fora” já grudou no nome.
Segundamente, Diretas Já, como no fim da ditadura.
Nesta postagem, transcrevo uma mensagem que recebi de Aníbal Valença, que aqui no Estado lidera o PCB (o velho Partidão). Vale a pena ter a opinião de um cabra que sabe das copisas, professor e pesquisador que é.


Golpe 'made in USA': Queda de Dilma foi ordenada por Wall Street?
Especialista canadense fala sobre os objetivos do golpe de Estado
Em artigo publicado pela primeira vez em junho, mas reeditado neste 1º de setembro, um dia após a consumação do impeachment no Brasil, o renomado professor e economista canadense Michel Chossudovsky explica por que a queda de Dilma foi ordenada por Wall Street e tenta desmascarar “os atores por trás do golpe”.
“O controle sobre a política monetária e a reforma macroeconômica eram os objetivos últimos do golpe de Estado. As nomeações principais do ponto de vista de Wall Street são o Banco Central, que domina a política monetária e as operações de câmbio, o Ministério da Fazenda e o Banco do Brasil”, diz o artigo, ressaltando que, desde o governo FHC, passando por Lula e Temer, Wall Street tem exercido controle sobre os nomes apontados para liderar essas três instâncias estratégicas para a economia brasileira.
“Em nome de Wall Street e do ‘consenso de Washington’, o ‘governo’ interino pós-golpe de Michel Temer nomeou um ex-CEO de Wall Street (com cidadania dos EUA) para dirigir o Ministério da Fazenda”, diz o artigo, referindo-se a Henrique Meirelles, nomeado em 12 de maio. Como observa o artigo, Meirelles, que tem dupla cidadania Brasil-EUA, serviu como presidente do FleetBoston Financial (fusão do BankBoston Corp. com o Fleet Financial Group) entre 1999 e 2002 e foi presidente do Banco Central sob o governo Lula, entre 1º de janeiro de 2003 e 1º de janeiro de 2011. Antes disso, o atual ministro da Fazenda, que volta ao poder sob o governo Temer após ter sido dispensado por Dilma em 2010, também atuou por 12 anos como presidente do BankBoston nos EUA.
A reportagem analisa que Henrique Meirelles, atual ministro da Fazenda, que volta ao poder sob o governo Temer após ter sido dispensado por Dilma em 2010, também atuou por 12 anos como presidente do BankBoston nos EUA. Já o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, nomeado por Temer em 16 de maio, tem dupla cidadania Brasil-Israel e foi economista-chefe do Itaú, maior banco privado do Brasil. Segundo o artigo, Goldfajn “tem laços estreitos tanto com o FMI (Fundo Monetário Internacional) quanto com o Banco Mundial”. “Goldfajn já havia trabalhado no Banco Central sob Armínio Fraga, bem como sob Henrique Meirelles. Ele tem estreitos laços pessoais com o prof. Stanley Fischer, atualmente vice-presidente do Federal Reserve dos EUA (além de ex-vice-diretor do FMI e ex-presidente do Banco Central de Israel). Desnecessário dizer que a nomeação de Golfajn para o Banco Central foi aprovada pelo FMI, pelo Tesouro dos EUA, por Wall Street e pelo Federal Reserve dos EUA”, afirma o artigo. Fraga, por sua vez, atuou como presidente do Banco Central entre 4 de março de 1999 e 1º de janeiro de 2003. Ele foi diretor de fundos de cobertura (hedge funds) por seis anos na Soros Fund Management (associada ao magnata George Soros), e também tem dupla cidadania Brasil-EUA.“O sistema monetário do Brasil sob o real é fortemente dolarizado. Operações da dívida interna são conducentes a uma dívida externa crescente. Wall Street tem o objetivo de manter o Brasil em uma camisa de força monetária”, explica o professor canadense.
Por isso, afirma o artigo, quando Dilma Rousseff aponta um nome não aprovado por Wall Street para a presidência do Banco Central, a saber, Alexandre Antônio Tombini, cidadão brasileiro e funcionário de carreira no Ministério da Fazenda, é compreensível que os interesses financeiros externos se articulem aos interesses das elites brasileiras para mudar o quadro político no país. Contexto histórico No início de 1999, na sequência imediata do ataque especulativo contra o real, diz Chossudovsky, o presidente do Banco Central, Francisco Lopez (que havia sido nomeado em 13 de janeiro de 1999, a Quarta-feira Negra) foi demitido pouco depois e substituído por Armínio Fraga, cidadão americano e funcionário da Quantum Fund de George Soros em Nova York. "A raposa tinha sido nomeada para tomar conta do galinheiro", resume o artigo, afirmando que, com Fraga, os especuladores de Wall Street tomaram o controle da política monetária do Brasil.
Sob Lula, o apontamento de Meirelles para a presidência do Banco Central do Brasil dá seguimento à situação, diz o artigo, destacando que o nomeado já havia atuado anteriormente como presidente e CEO dentro de uma das maiores instituições financeiras de Wall Street. “A FleetBoston era o segundo maior credor do Brasil, após o Citigroup. Para dizer o mínimo, ele (Meirelles) estava em conflito de interesses. Sua nomeação foi acordada antes da ascensão de Lula à presidência”, escreve o autor. Além disso, Meirelles foi um firme defensor do controverso Plano Cavallo da Argentina na década de 1990: “um ‘plano de estabilização’ de Wall Street que causou grandes estragos econômicos e sociais”, segundo o professor Chossudovsky.
De acordo com ele, “a estrutura essencial do Plano Cavallo da Argentina foi replicada no Brasil sob o Plano Real, ou seja, a imposição de uma moeda nacional conversível dolarizada. O que esse regime implica é que a dívida interna é transformada em uma dívida externa denominada em dólar”. Quando Dilma sobe à presidência em 2011, Meirelles é retirado da presidência do Banco Central. Como ministro da Fazenda de Temer, ele defende a chamada “independência do Banco Central”. “A aplicação deste conceito falso implica que o governo não deve intervir nas decisões do Banco Central. Mas não há restrições para as ‘Raposas de Wall Street’”, diz o artigo, acrescentando que “a questão da soberania na política monetária é crucial” e que “o objetivo do golpe de Estado foi negar a soberania do Brasil na formulação de sua política macroeconômica”.
De fato, sob o governo Dilma, a "tradição" de nomear uma “raposa de Wall Street" para o Banco Central foi abandonada com a nomeação de Tombini, que permaneceu no cargo de 2011 até maio de 2016, quando Temer assume a presidência interina do país. A partir daí, Meirelles, no Ministério da Fazenda do governo interino, “aponta seus próprios comparsas para chefiar o Banco Central (Goldfajn) e o Banco do Brasil (Paulo Caffarelli)”, diz o artigo do Global Research, sublinhando que o novo ministro havia sido descrito pela mídia dos EUA como "market friendly" (“amigável ao mercado”).
Conclusão: “O que está em jogo através de vários mecanismos – incluindo operações de inteligência, manipulação financeira e meios de propaganda – é a desestabilização pura e simples da estrutura estatal do Brasil e da economia nacional, para não mencionar o empobrecimento em massa do povo brasileiro”, afirma Chossudovsky. Segundo a tese do renomado professor, “Lula era ‘aceitável’ porque seguiu as instruções de Wall Street e do FMI”, mas Dilma, com um governo mais guiado por um nacionalismo reformista soberano, não pode ser “aceita” pelos interesses financeiros dos EUA, apesar da agenda política neoliberal que prevaleceu sob seu governo.
“Se Dilma tivesse decidido manter Henrique de Campos Meirelles, o golpe de Estado muito provavelmente não teria ocorrido”, afirma o analista. “Um ex-CEO/presidente de uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos (e um cidadão dos EUA) controla instituições financeiras chaves do Brasil e define a agenda macroeconômica e monetária para um país de mais de 200 milhões de pessoas. Chama-se um golpe de Estado… dado por Wall Street”, conclui Chossudovsky.
Michel Chossudovsky, escritor premiado, é professor (emérito) de Economia da Universidade de Ottawa, fundador e diretor do Centro de Pesquisa sobre a Globalização (CRG) e editor da organização independente de pesquisa e mídia Global Research. Ele lecionou como professor visitante na Europa Ocidental, no Sudeste Asiático e na América Latina, serviu como conselheiro econômico para governos de países em desenvolvimento e tem atuado como consultor para várias organizações internacionais. 

Ele é autor de onze livros, publicados em mais de vinte línguas. Em 2014, foi premiado com a Medalha de Ouro de Mérito da República da Sérvia por seus escritos sobre a guerra de agressão da OTAN contra a Iugoslávia.