quinta-feira, 16 de março de 2017

MANIFESTAÇÕES DE HOJE PEDEM FIM DO GOPPE E PRESERVAÇÃO DE DIREITOS

No dia de hoje, milhares e milhares de brasileiros protestaram, em muitas cidades do país, inclusive no Recife, contra esse desgoverno golpista que está aí e contra o desmonte apressado e criminoso que promove do Projeto Brasil dos primeiros anos do século 21. Aliás, uma herança de Getúlio Vargas, que foi ditador, sim, mas numa época em que ditadura era moda nas civilizadas Alemanha e Itália, até na França de Vichy após a invasão alemã. Ele cometeu arbitrariedades de ditador, como a entrega de Olga Benario, grávida do brasileiro Luiz Carlos Prestes, aos nazistas; mas, pelo lado bom, terminou de acabar a escravidão, com as leis trabalhistas, criou a Petrobras e começou a montar uma infraestrutura para o desenvolvimento e verdadeira independência do nosso país. Quando ele foi levado ao desespero do suicídio em 1954, acossado pelos golpistas de então, estava exercendo um mandato democrático e constitucional.
Observe-se que Getúlio, no caso Olga, foi pressionado por seu homem da segurança Filinto Mueller, que foi expulso da Coluna Prestes e odiava o companheiro de Olga.
Quem sabe, as manifestações de hoje e outras que por aí virão consigam despertar o povo para a realidade que vivemos: golpe contra a presidente eleita, através de um impedimento sem base constitucional, votado por malfeitores que dominam o Congresso; desmonte da Petrobras e BNDES (duas heranças de Getúlio), e mais Banco do Brasil, Caixa Econômica e tudo aquilo que o xogum Fernando 2º (FHC, aquele que comprou a reeleição) não teve tempo de incluir em sua privataria (vejam o livro sob o título de Privataria tucana). Rio e Pernambuco já preparam a privatização de suas companhias de água e saneamento.
Se a Compesa já é uma das empresas públicas mais incompetentes, pior ainda ficará, seguindo o exemplo da Celpe, da Telpe. Falando em Celpe, essa concessionária de energia voltou a castigar Aldeia (onde me escondo) e adjacências com apagões programados por sua incompetência em manter e aperfeiçoar as redes de distribuição. Para investidores estrangeiros que abiscoitaram empresas públicas brasileiras, ter energia e outros bens regularmente é coisa de branco, do mundo lá de riba. Negros, mulatos, cafusos, mamelucos, caboclos não merecem essas dádivas da civilização. Chibata neles. E agora com esse desgoverno golpista, ilegítimo, é que a coisa tende a melhorar...
Será que vai sobrar alguma coisa de um Brasil que tem tudo para ser grande se os golpistas continuarem aí até o fim de 2018? Algo tem de ser feito antes, logo. Precisamos de uma Constituinte exclusiva que elabore uma Constituição respeitável que não permita que bandidos tomem conta do poder.

Amém. Aleluia.

segunda-feira, 13 de março de 2017

“CADA TAUBA QUE CAÍA DOÍA NO CORAÇÃO”. COMO NA BELA LETRA DE ADONIRAN, ESTÃODESMONTANDO O BRASIL

Vocês se lembram da letra de Saudosa Maloca, de Adoniran Barbosa? Trata-se da demolição de um velho palacete em decadência e abandonado, daqueles que existem muito por velhos bairros paulistanos. Nos Campos Elíseos, por exemplo, que já foi área nobre (expressão monarquista) onde havia inclusive o Palácio do Governo paulista, que migrou para o Morumbi. Por ali medra hoje a Cracolândia, onde uma população miserável mora e se droga na rua ou em malocas e, agora, tem de enfrentar também o novo alcaide paulistano (um tal de Dória), que não aprecia a política social de recuperação e reintegração implantada pelo ex-prefeito Fernando Haddad.
Naquela canção do grande Adoniran, tem um pé que fala assim: “Peguemo todas nossas coisa / e fumo pro meio da rua / apreciá a demolição. / Que tristeza que nós sentia, / cada tauba que caía / doía no coração”. Ele escrevia assim, como o povão fala. Essa demolição da maloca que Adoniran montou com o Mato Grosso e o Joca só me lembra o desmonte brutal que o nosso país (que não é uma maloca; estou só aproveitando a poesia de Adoniran) está sofrendo sob o poder espúrio de golpistas e quadrilheiros. Cada “tauba” que cai dói muito no coração e na cabeça. Cadê aquele projeto de país independente que Getúlio tentou e foi retomado pelos governos populares do início deste século 21?
Muita “tauba” já caiu e vai continuar caindo, se o povo não se levantar nas ruas, sindicatos, universidades, escolas. Dilma, que não era nenhuma estadista, nenhum Lula, não é sequer acusada de qualquer roubalheira mas, num conluio entre parlamentares, quase todos acusados de falcatruas, ministros, juízes, altos executivos, foi alijada da Presidência da República, traída por seu vice, uma espécie de clone de Café Filho, herdeiro da República do Galeão (aquela que antecedeu em mais 60 anos a República de Curitiba, a chefiada pelo juiz Moro). A do Galeão era chefiada por militares insubordinados que não engoliam a criação da Petrobras e a concretização de outros projetos de Getúlio e o levaram ao suicídio. A de Curitiba é aquela de um juiz provinciano e partidário, preparado nos Estados Unidos para defender os interesses de Washington, que construiu um novo tipo de golpe pseudoconstitucional, já aplicado em Honduras, Paraguai e, agora, no Brasil, que volta a ser uma “república de bananas”. Quanta glória.
Recentemente assisti a um bate-papo com Mino Carta e Paulo Henrique Amorim, no Sindsprev, e fiquei impressionado com a quantidade de informações que esses dois grandes jornalistas têm sobre esse TEMERário desmonte. Como sabemos, o pré-sal já foi assaltado; a Petrobras Distribuidora rifada barato; prepara-se uma nova “privatização”, que completará aquela de Fernando 2º (aquele sociólogo sem aluno, FHC) entregando às teles que abiscoitaram a Telebras todos os ativos que deveriam restituir ao Estado ao fim das concessões; os idosos vão ficar impedidos de gozar aposentadoria (só no céu); a CLT de Getúlio vai pro beleléu. E muita coisa mais vem por aí se não houver uma reação nossa. A quem interessa o desmonte, tanta “tauba” caindo? Ao Brasil certamente não.

T’esconjuro! Vade retro, Satanás!

sábado, 11 de março de 2017

REBELDE, REPUBLICANO, FEDERATIVO, PERNAMBUCO PERDEU MAIS DA METADE DE SEU EXTENSO TERRITÓRIO

Neste tempo de comemorações a propósito dos 200 anos da Revolução Republicana de 1817, na qual os pernambucanos comprovaram, mais uma vez, seu pioneirismo e vanguardismo políticos, confirmando que “a República é filha de Olinda”, não pretendo relembrar a toda a história. Ela vem sendo competentemente revivida por vários mestres, como Socorro Ferraz, que conheci na política estudantil. Desejo apenas fazer algumas observações sobre o que é apresentado como a história oficial do Brasil, desde que o federalismo republicano pelo qual tantos conterrâneos nossos lutaram e morreram, foi substituído pela hegemonia Rio-São Paulo-Minas e pela consolidação de uma República quase tão imperial quanto a monarquia.
Pela história oficial, apesar de todo o nosso pioneirismo e glórias revolucionárias, nada aconteceu de importante e decisivo no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O Sul é tolerado como um quintal do Sudeste. Esse espírito antifederativo tomou conta da nossa cultura. Rádios, TVs, jornais regionais geralmente gravitam em torno do Sol sudestino. Recebemos programas prontos do Rio, de São Paulo, e até a previsão do tempo passa rasteiramente pelo Nordeste.
O pior é que, nas escolas, nossas crianças e adolescentes aprendem pela cartilha sudestina, com raras exceções constituídas por mestres que revisitam e reescrevem a história oficial (ad usum Delphini ou para uso do Delfim, como dizem os franceses; notando que esse Delfim aí não é o Delfim Netto, é o herdeiro do trono francês). Assim, eles ficam convencidos de que Tiradentes é “o” mártir da Independência, apesar de ele não ter feito nenhuma revolução, apenas participado de uma trama. Ao dizer isto, não estou diminuindo em nada o heroísmo dos assim ditos inconfidentes. O certo é que Domingos José Martins, José de Barros Lima (Leão Coroado), José Luiz de Mendonça, Frei Caneca, Padre Roma, Abreu e Lima, Vigário Tenório, Cruz Cabugá, Frei Miguelinho, Padre João Ribeiro e tantos outros são solenemente ignorados pela história oficial.
Algo interessante é que a Revolução cujo bicentenário comemoramos também é conhecida como a Revolução dos Padres. A participação de clérigos foi fundamental para a articulação do movimento. Em 1800 tinha sido criado o Seminário de Olinda, a primeira escola superior da colônia, numa época em que não havia separação entre Igreja e Estado. Seus estudantes, fossem clérigos ou leigos, recebiam uma formação baseada no iluminismo do século 18. Muitos padres eram adeptos da maçonaria. Posteriormente, já no Império, a Igreja chegou a brigar com a maçonaria, que agrupava quase todos os políticos, inclusive o imperador, gerando os casos de perseguição a Dom Vital e Dom Macedo Costa.
Como imperial castigo pela rebeldia pernambucana, principalmente em 1817 e 1824, é que a província perdeu cerca da metade de seu espaçoso território. Pedro 1º detestava a província rebelde e tirou-lhe o atual Estado de Alagoas e também a Comarca do São Francisco, que espichava Pernambuco até Minas e Goiás. Infelizmente, depois de uma última fulguração na Revolução Praieira (1848), os governantes pernambucanos foram amansando e, mesmo com o fim da monarquia, nunca reivindicaram os territórios perdidos para a prepotência. Talvez fosse difícil extinguir Alagoas, que logo constituiu uma nova província, mas certamente caberia a essa gente, que no geral trocou o vanguardismo por uma politicagem rasteira, reivindicar a Comarca do São Francisco, anexada à Bahia.

Houve uma cerimônia macabra durante a ditadura, que trouxe os ossos de Pedro 1º para o Brasil e ainda deu um passeio com eles, inclusive por Pernambuco. Na ocasião, Barbosa Lima Sobrinho, um ex-governador nosso, que morava no Rio e escrevia para o Jornal do Brasil, esbravejou dizendo que o nosso Estado, mutilado por aquele monarca, jamais deveria ter recebido e homenageado a ossada do déspota.

quarta-feira, 8 de março de 2017

DE TERRORISMO E TERRORISMO. DO ESTADO ISLÂMICO E DE ESTADOS QUE SE DIZEM CRISTÃOS

Quando Karl Marx disse que a religião é o ópio do povo, não expressava simplesmente seu ateísmo e seu materialismo. Vendo o que ele via, tinha alguma razão, pois não distinguia a pregação, de Cristo e de Maomé por exemplo, da prática dos que se dizem deles discípulos. E se visse hoje o que pratica o Estado Islâmico, em nome de Deus e da religião islamita; o que fazem os tão “cristãos” países europeus com os migrantes e refugiados que os procuram; o que faz o governo do Estado judaico contra os palestinos; veria ainda mais ópio nas religiões ou, mais modernamente, cocaína.
Eu nunca tive nas mãos o texto do Corão (vou procurá-lo) mas, pelo que tenho lido sobre Maomé e seus escritos, ele nunca pregou a destruição dos não crentes nem o terrorismo. É verdade que seus sucessores eram muito belicosos e conquistaram meio mundo, desde a Península Ibérica e o norte africano até a Indonésia, mas respeitando as outras religiões. No norte da África e no Oriente Médio conviveram com judeus e cristãos. Um exemplo de harmonia e coexistência pacífica entre religiões foi o Califado de Córdoba, na Espanha, onde conviviam em paz muçulmanos, judeus e cristãos e onde brotaram sábios como Avicena e Averroes. Antes de expulsos, os árabes deixaram ali uma arquitetura admirável, como no Escurial.
Quando se fala em terrorismo, tem-se de levar em conta que ele começou lá longe, há muito tempo, na matança de hereges, nas Cruzadas, no colonialismo. E continua hoje, praticado por assim ditos cristãos, na 3ª Guerra Mundial, que começou na Coréia em 1950 e não parou mais (a indústria bélica agradece), na destruição de Hiroshima e Nagasaki pelos estadunidenses, na matança de inimigos, não com direito a julgamento e defesa como em Nurembergue, mas através de meios sofisticados como drones ou missões secretas.
Estou escrevendo horrorizado, como qualquer pessoa que aspira à civilização, com a última, por enquanto, do autoproclamado Estado Islâmico. No Afeganistão, terroristas disfarçados como médicos entraram em um hospital e massacraram dezenas de pacientes, médicos, funcionários. Ora, isso não é humano nem pode derivar de uma religião. Levemos em conta, porém, que aviões americanos e russos, e também do próprio governo sírio que se gruda ao poder, têm bombardeado hospitais inúmeras vezes. Há muita diferença nas duas atitudes, uma direta e outra levada a cabo assepticamente de longa distância? No Vietnam, os pilotos dos bombardeiros estadunidenses também não corriam nenhum risco. Era só desovar as bombas, muitas de napalm que queimavam as pessoas. Os amarelinhos lá em baixo que se virassem. Os EUA foram derrotados vergonhosamente. Fugiram atabalhoadamente de Saigon cercada. Os senhores da guerra não aprendem. Alguns anos antes, os colonizadores franceses também haviam sido derrotados na famosa batalha de Diem-Biem-Phu pelo herói Ho-Chi-Min, que igualmente comandou a derrota dos EUA.

O papa Francisco já está achando que o Apocalipse vem aí.

terça-feira, 7 de março de 2017

TEM AÍ UM JURISTA QUE QUER DAR FIM A PENDURICALHOS DE MAGISTRADOS

Os pobres magistrados inativos estão querendo auxílio moradia. Senão, vão morar debaixo da ponte. E os ativos? Precisam? E por que nós, pobres mortais que arcamos com os penduricalhos de altos executivos, parlamentares, magistrados e quejandos, não temos auxílio nem pra ir morar no cemitério? Depois reclamam que o conceito “sociedade de classes” é coisa de comunista.
Não sou somente eu a me preocupar com esses disparates à brasileira. O diretor da Faculdade de Direito do Recife Francisco Queiroz, que foi desembargador no Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, entrou com uma ação, que ele qualifica como provocativa, no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando que o auxílio moradia seja considerado como remuneração e assim pago também aos magistrados inativos. Queiroz é um dos juristas que participaram da defesa da ex-presidente Dilma Roussef, atropelada por golpistas dos três poderes, no vergonhoso processo de seu impeachment.
A provocação a que ele se refere é para que o STF se pronuncie sobre os penduricalhos usados hoje para aumentar os salários dos membros do Poder Judiciário para além do teto constitucional de R$33.763 (eu acho é pouquinho, como dizem, no Carnaval, os filhos da turma do olindense Eu Acho é Pouco). Informa o jurista que tem aí nos tribunais desembargador recebendo R$60 mil, R$70 mil com “essas invenções indenizatórias, que são irreais”. E que o Ministério Público, “para outras coisas tão rigoroso”, também é beneficiário de penduricalhos.
Nenhum poder escapa da cultura golpista do nosso país. Militares podem por seus generais como presidentes e fica por isso mesmo. Congressistas fazem a farra às nossas custas e sacramentam golpes. Magistrados também facilitam golpes e arbitrariedades. Aí por 1947 (“meninos, eu vi”), duramente pressionado pelo governo dos Estados Unidos, o STF cassou o registro do Partido Comunista Brasileiro (PCB, o chamado Partidão, e não a dissidência do PCdoB que veio aí por 1962), e os mandatos de dezenas de senadores, deputados federais e estaduais, vereadores eleitos por essa legenda. Basta lembrar isso.
Acredito que, enquanto o Brasil não tiver direito (nunca lhe reconheceram esse direito) a uma Constituinte exclusiva, composta por juristas e outras personalidades acatadas pela sociedade e não pelos políticos profissionais viciados de sempre reunidos em congressos constituintes (sem falar das constituições outorgadas), esses e outros vícios que brotam da nossa história e cultura colonial, escravista, latifundiária, rentista, resumida na expressão “lavar a burra”, não serão extirpados.

A coisa não é fácil. Após 21 anos de uma brutal e incompetente ditadura, nascida de um golpe civil-militar, tentou-se isso mais uma vez. Havia até um texto básico produzido pelo jurista Afonso Arinos para servir de plataforma às discussões dos constituintes. Os Sarneys, ACMs e outros aproveitadores e saudosistas da ditadura não podiam permitir que seus privilégios fossem rifados por uma democracia autêntica. Aí veio a “redemocratização” fajuta que tivemos, temerosa do fantasma dos militares e que confirmou a anistia impossível de torturadores, sequestradores, assassinos (aqueles que matavam sem ser na luta armada). De qualquer maneira, eram assassinos, pois foram eles que derrubaram a Constituição de 1946 (bastante boa) porque a Senzala estava obtendo alguns poucos progressos sociais. O resultado de 1988 foi uma Constituição que não merece o respeito nem de seus autores e que virou colcha de retalhos de tanta emenda casuística.

sábado, 4 de março de 2017

HÁ UMA DISTINÇÃO (SUTIL?) ENTRE MURO “DEMOCRÁTICO” E MURO COMUNISTA

Gente, os muros se tornaram parte integrante de nossa duvidosa “civilização” Muito tempo depois da queda dos muros de Jericó, de os muros de Troia terem sido penetrados pelo famoso cavalo dos gregos, de os assim ditos bárbaros terem derrubado os muros de Roma, novos muros se multiplicam, geralmente erguidos por países oriundos de migrações. Interessante que, durante os anos da Guerra Fria, os “democratas ocidentais e cristãos” abominavam o Muro de Berlim, que dividia a cidade em uma banda capitalista e outra comunista.
Mal caída aquela abominação, que só poderia emanar, segundo os “democratas ocidentais”, da mente doentia do comunismo soviético, começaram a surgir os “muros democratas”. Terminara a Guerra Fria, com a descomunização da URSS (onde comunismo autêntico nunca houvera e, sim, estatismo) e, de repente, os muros se tornaram toleráveis, pois era para proteger a “democracia”. Mesmo porque descobriu-se que a Guerra Fria continuava; EUA e Rússia prosseguiam sem se beijar, além de a segunda continuar sendo uma potência nuclear.
O primeiro país a verificar os aspectos “democráticos” de um muro foi Israel, sob governo fascistoide. Além de não permitirem a consolidação de um Estado Palestino autônomo, os governantes judeus semeiam colônias nas terras que supostamente deveriam ser palestinas e cercam de muros essas colônias para preservar a segurança dos invasores. Uma amiga minha que andou recentemente na Terra Santa me disse que a toda hora você se depara com um check-point israelense. Há redutos em que palestinos ficam isolados. E tome muro.
Não contentes de haverem pilhado e destruído centenas de aldeias palestinas em 1948, os grandes aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio continuam hoje em busca da “solução final” que Hitler buscou para os judeus da Alemanha e países ocupados pelos nazistas. Com a solução final, o governo fascistoide do Estado judeu busca também “espaço vital” (outro conceito nazista).
Entre o México e os EUA, enquanto não o contiverem, o incrível Trump, êmulo de Hulck, também quer erguer seu muro. Os EUA já se apossaram da metade do México à força e agora querem isolá-lo do “paraíso” lá de riba. “Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos!”, dizia o presidente mexicano Lázaro Cardenas, aquele que nacionalizou o petróleo de seu país.
Na Europa, por (mau) exemplo, na catolicíssima Hungria, erguem-se muros para não dar passagem a refugiados de guerra e perseguidos da África e Oriente Médio. Lembre-se: regiões outrora invadidas e colonizadas por cruzados e potências europeias.

Precisa mais, gente? Felizmente, o Brasil ainda é (cuidado com os golpistas!) um dos países mais abertos a imigrantes, refugiados ou não. Libaneses (o presidente golpista é descendente de libaneses; neste caso, seus antepassados deveriam ter ficado na terra dos cedros), sírios, judeus, haitianos, africanos encontram aqui um novo lar e ajuda para aprenderem o idioma e obterem trabalho. Para sempre amém.

quinta-feira, 2 de março de 2017

LIQUIDAÇÃO DO PAÍS TEM PRESSA, POIS GOLPE PODE CAIR

A liquidação do Brasil prossegue rápido, pois os golpistas sabem que não vão durar muito. E o recurso a MPs (as tais medidas provisórias) ajuda muito. A MP existe até em democracias mais buriladas, mas só pode ser usada em casos de extrema urgência, de recesso do Congresso. Aqui servem para tudo, até para Fernando 1º (Collor) confiscar as poupanças dos brasileiros.
Temer, o ilegítimo, não poderia ignorá-las no desgoverno que faz. A da vez é uma MP para liberar irrestritamente a venda de terras a estrangeiros. Febre semelhante atacou o país aí por 1967-68, no regime militar. Eu trabalhava nos Cadernos Especiais da Folha de S. Paulo e fiz algumas reportagens sobre o tema. Militares nacionalistas conseguiram impedir o avanço, que se baseava em estudos do Hudson Institute, um thinktank, como os estadunidenses chamam, que tinha o olho na Amazônia. Hoje, além dessa MP, cogita-se outra para entregar aos EUA a base de Alcântara. Recordemos que, há uns 15 anos, houve ali uma explosão suspeita que matou vários cientistas espaciais brasileiros. Nunca se apurou nada.
Como sempre, o desgoverno age sem dar chance de debate e de argumentação contrária. A Advocacia Geral da União (AGU) já elaborou o texto da MP, que pode ganhar força de lei imediatamente, só com a sanção do golpista. Ele só não o fez ainda porque, como lá nos longínquos anos 1960, há resistência de militares que se pautam pelos interesses nacionais. O objetivo de Temer, Padilha (há quem o chame de Quadrilha) e demais golpistas é abiscoitar capitais estrangeiros rapidamente, para tentar melhorar a economia nacional. Embora estejam difíceis tais investimentos, pois o desgoverno não tem legitimidade nem merece confiança. No ano passado, ano da imensa conquista pseudodemocrática do impeachment, a atividade econômica no Brasil teve queda de 4,34%.
Pela proposta da AGU, o próprio presidente golpista pode definir o tamanho máximo das extensões de terras que empresas de outros países poderão comprar. O texto também não impõe limites à soma de áreas rurais que uma empresa brasileira controlada por estrangeiros, direta ou indiretamente, pode adquirir em um mesmo município.

Para os militares, em primeiro lugar está a política nacional de defesa, sobretudo as diretrizes que regem a necessidade de o país dispor de meios com capacidade de exercer controle do seu território. Até a Rede Globo está tomando distância de Temer e do seu desgoverno.