domingo, 19 de julho de 2015

GADO A GENTE FERE, TANGE, ENGORDA E MATA, MAS COM GENTE É DIFERENTE



Coitados dos animais. E o pior é que sua carne não faz bem ao organismo humano. Mais uma greve de ônibus para torturar os habitantes do Grande Recife e adjacências. O metrô anunciou parar no dia de jogo do meio da semana na Arena Pernambuco para evitar as depredações costumeiras nas barbas dos policiais. Isto é, torturar mais, pois os deslocamentos diários de quem depende do nosso desumano transporte público já constituem maus tratos suficientes para exigirem um processo de humanização, civilização. É como se os usuários fossem gado, mas “com gente é diferente”, segundo Geraldo Vandré. Não se pode culpar os governos atuais, do Estado e municípios envolvidos, por toda essa bagunça, mas uma hora é preciso dar os primeiros passos para mudar. Será que os que se dizem “empresários” e oferecem tão maus serviços, que são públicos, embora sob o regime de concessão, não veem as reportagens e fotos sobre o quotidiano do transporte público? Será que aqueles que têm a obrigação de fiscalizar as concessões também não as veem?
Fala-se em licitação. Passam-se anos. Quando se faz alguma, os mesmos “empresários” ganham tudo. As contribuições desses senhores para as campanhas eleitorais de políticos são generosas. E fica “tudo como dantes no quartel de Abrantes” ... Gente, não estaria mais do que em tempo de mudar? Mais de 50 anos atrás, o grande prefeito Pelópidas Silveira criou a Companhia de Transportes Urbanos (CTU) para operar diretamente esse essencial serviço público, com ônibus elétricos. Inicialmente, não falou que a CTU ocuparia todas as linhas existentes. Mesmo assim, os “empresários” da época (alguns estão aí até hoje) chiaram. O tempo passou. Veio uma tal de “revolução redentora” (o golpe de 1964), que entregou a CTU a um militar que iniciou a decadência da empresa. Até que um feio dia, a PCR vendeu-a a uma empresa paulista, que se comprometeu a manter os ônibus elétricos, recuperar os cabos aéreos deteriorados e substituir os subtraídos. Nada disso foi feito. Fecharam os olhos ao roubo dos cabos que restavam e temos aí esse transporte público vergonhoso.
O metrô começou muito bem, com limpeza impecável e pontualidade. Foi se deteriorando ao longo dos anos e hoje tem arrastão, ambulantes e depredações. Além de um metrô de boa qualidade, bondes, ônibus elétricos e outros bons tipos de transporte público existem até hoje em capitais europeias. E ninguém pensa em acabar com eles. Por que não no Brasil? É bom lembrar que o Brasil acabou até com as ferrovias.
Tampouco funcionam outros serviços, como as teles, TV fechada. A “privataria tucana” (leiam o livro que tem este título) veio garantindo que tudo iria melhorar. Hoje as teles são campeãs em maus serviços e reclamações dos usuários, e também na cobrança de tarifas escorchantes. Agência reguladora? Só para aumentar tarifas. Os canais fechados, por cabo, que, em países mais organizados, cobram preços decentes e prestam excelentes serviços, aqui impõem o que querem em matéria de conteúdo e preços. Por falar em concessões e “privataria”, a Celpe, sob o comando dos visigodos, continua a matar gente eletrocutada e promover apagões. Eu me queixava da situação em Aldeia. Agora os apagões são generalizados. E teve um governo que vendeu a Celpe para restaurar uma estrada federal. Pode? A estrada já está sucateada e o Estado não foi ressarcido. E ninguém é responsável por nada.

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