quarta-feira, 18 de outubro de 2017

DAS ESTRADAS DE MINAS SEGUIU PRA SÃO PAULO E FALOU COM ANCHIETA / O VIGÁRIO DOS ÍNDIOS ALIOU-SE A DOM PEDRO E ACABOU COM A FALSETA / FOI PROCLAMADA A ESCRAVIDÃO

Bem dizia Bertolt Brecht: “A cadela do fascismo está sempre no cio”. E é bom sempre recordar Sérgio Porto, o imortal Stanislaw Ponte Preta, sobrinho da Tia Zulmira e primo do Altamirando. Entre outros personagens dele está o doutor Data Venia, advogado. É indubitável que a cadela do fascismo soltou-se com o golpe pseudoconstitucional contra Dilma Roussef. É o novo golpe engendrado por Washington. Apesar de que tem aí uns milicos baderneiros, e também civis, dispostos a tentar outra aventura como a de 1964.
Tudo é possível contra o povo no desgoverno golpista de Michel Miguel Elias (fora!) Temer Lulia. Aquele alcunhado pelos irmãos Batista de “ladrão-geral da República” não tem nenhum ideal nem programa decente e sua gana é só enriquecer pessoalmente mais e mais e, fascistamente, levar o povão ao desespero.
A última façanha do golpista foi “proclamar a escravidão”, como dizia Stanislaw do Samba do Crioulo Doido. Agora vai ficar mais difícil localizar e sobretudo punir quem utiliza mão de obra em regime análogo à escravidão. Pela portaria 1.129/2017 do Ministério golpista do Trabalho, passa a ser atribuição do ministro do Trabalho a inclusão de nomes de empregadores flagrados por trabalho escravo na Lista Suja.
Há 20 anos o nosso país recebe elogios de organismos internacionais por sua legislação nessa área. A briga vai ser grande com o Ministério Público do Trabalho. Mas foi muito elogiada pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, o rei da soja.
Sorry, como diria um inglês ou estadunidense. A mentalidade escravagista está entranhada nas nossas cultura e sociedade. E a abolição em 1888 não foi complementada com uma reforma agrária que desse terra para os antigos escravos sobreviverem, como propunha o nosso grande Joaquim Nabuco. Todo país civilizado já fez sua reforma agrária. O Brasil continua “impávido colosso” na defesa do latifúndio e só a muito custo se consegue liberar terras para agricultores que não as possuem. O esforço do MST não tem gerado grandes resultados.
Blairo Maggi e outros acham pouco e aprovam o trabalho escravo. O desgovernante golpista e seu ministro também acham pouco e agora querem dificultar a localização e punição de patrões neoescravagistas.
Então, foi restabelecida a escravidão.

Fora Temer! Diretas já! Constituinte exclusiva já!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

ALÉM DE CHARTRES, TAMBÉM ESTÁ EM RESTAURAÇÂO A CATEDRAL GÓTICA FRANCESA DE NOTRE DAME DE PARIS

Falei a vocês há dias, caras leitoras e caros leitores, sobre um trabalho de restauração em curso na catedral de Notre Dame de Chartres, perto de Paris. Hoje me refiro a sua irmã mais famosa que é Notre Dame de Paris. Ela foi construída entre os séculos 12 e 13 e só passou por reforma em 1844-64. A deterioração não é notada pelos milhões de turistas (cerca de 13 milhões) que a visitam todos os anos. Mas há gárgulas quebradas, balaustradas caídas, muita coisa escurecida pela poluição e corroída pela água das chuvas. Embora não haja risco de colapso, o monumento chegou a um estado crítico e vai ser caro o trabalho de restauração. Cerca de 150 milhões de euros.
Quando eu estudava na França e visitei Notre Dame, é claro que não percebi nada disso. Além da joia arquitetônica medieval, admirei muito seus subterrâneos, com raridades da época em que a capital francesa ainda era chamada pelos romanos Lutetia Parisiorum, de onde veio o nome atual de Paris. Fica na ilha da Cité e, por trás da catedral, há uma ilhazinha menor encantadora, a de Saint Louis. Para levantar fundos para a obra de restauração foi criada a Fundação Amigos de Notre Dame, liderada por Michel Picaud e recentemente criada, que pretende obter doações dos ricos Estados Unidos, país ligado culturalmente à França e que a libertou da ocupação nazista nos anos 1940.
Os vitrais da nave já foram substituídos nos anos 1960, com bom resultado, e a fachada frontal tem hoje um branco reluzente, graças à limpeza da pedra na década passada. Vários sinos foram substituídos em 2013. Peguei os dados desta postagem em artigo de Aurelien Breeden, do The New York Times News Service.
Aqui no Brasil, nossos monumentos históricos, inclusive igrejas, são muito negligenciados. Alguma coisa já foi restaurada. Mas mesmo nos patrimônios culturais da humanidade, declarados pela Unesco, como Olinda (PE), muita coisa está se deteriorando gravemente sem receber socorro. Com um governo ilegítimo e golpista, como o que temos agora com Michel Miguel Elias (fora!) Temer Lulia, a situação fica pior, pois o assim dito larápio-geral da República só se preocupa em gastar dinheiro em propinas para não ir parar na Papuda.

Diretas já! Constituinte exclusiva já!

sábado, 14 de outubro de 2017

LIMA BARRETO: TRISTE VISIONÁRIO É O NOVO LIVRO DA HISTORIADORA LILIA SCHWARCZ

A antropóloga, historiadora e escritora paulista Lilia Schwarcz, que pesquisa a questão racial no Brasil há quase 30 anos, acaba de lançar sua obra Lima Barreto: triste visionário e participou no Recife da Bienal Internacional do Livro, onde deu palestra sobre o posicionamento político e social do escritor carioca, sua vida e sua obra.
Lima Barreto é um escritor pouco lido, que morreu jovem, mas de grande importância para a compreensão de nossas escravagistas e retrógradas história e sociedade. Descendente de escravos, sua família achava, com razão, que a libertação dos cativos não viria com a letra da lei. Dependia de educação. E aqui evoco paralelamente outro aspecto negligenciado, através da opinião do nosso grande Joaquim Nabuco, para o qual a libertação legal sem uma reforma agrária que desse sobrevivência aos libertos não significaria grande coisa. De fato, ao contrário de outros países, nunca fizemos essa reforma. Jango quis e militares entreguistas o derrubaram e ocuparam militarmente o país.
Lima Barreto acreditava na luta por uma democracia mais inclusiva que a que temos até hoje, principalmente após o golpe que entronizou o ilegítimo Michel Miguel Elias (fora!) Temer Lulia. A voz do escritor carioca, em sua luta contra o racismo estrutural remanescente, era a literatura. E boa literatura. Como não houve aquela reforma agrária preconizada por Nabuco, os libertos continuaram praticamente escravizados. Só uns 40 anos depois é que Getúlio Vargas deu um grande passo com as leis trabalhistas, depois consolidadas na CLT, hoje sob a mira golpista dos atuais assaltantes do poder.
A questão racial hoje tornou-se visível: “Acho que agora nós vivemos num momento em que o tema é incontornável. Sempre defendo que a questão racial deve ter  o protagonismo das populações afro-brasileiras, negras, pois são elas que sofrem a dor da discriminação racial, que é uma dor profunda. No entanto a minha posição é que o racismo é uma questão dos brasileiros, da nossa República, então cabe a nós, todos os brasileiros, assumir o tema, sem tirar o protagonismo”, diz Schwarcz.

Viva Lima Barreto! Vamos lê-lo mais.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

NOVO CLIMA PROPICIA A CONSTITUIÇÃO DE UM ESTADO PALESTINO SOBERANO. SERÁ QUE DESTA VEZ SAI?

Pinta aí um novo clima propício a que finalmente o Estado de Israel permita, do alto de seu altos tamancos, que a Palestina seja afinal um Estado em plenitude e não de ficção. O Trumpalhão dos Estados Unidos já não é defensor incondicional da política racista do premiê Netanyiahu. O presidente estadunidense é menos confiável e altamente imprevisível. E, o que é muito importante, está chegando ao fim a dissidência palestina entre o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e a Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mamoud Abbas.
Importante também é que o presidente Vladimir Pútin entrou no circuito, sem nenhuma simpatia pela política sionista segregacionista do governo israelense. O novo chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, é mais moderado que seu antecessor Khaled Meshaal e aceita uma Palestina soberana em coexistência com o Estado judeu.
A Rússia deseja consolidar sua presença e bases militares na Síria e tem boas relações com Teerã. Apesar disso, suas relações com Israel não são hostis. O premiê Netanyahu visitou Moscou várias vezes e, durante o governo de Barack Obama, que ele detestava, pensou em trocar os EUA pela Rússia como aliado preferencial. Pútin não trabalha com um lobby sionista interno, como Washington, nem com o rancor e desconfiança do mundo árabe pelas intervenções estadunidenses. Seria assim Moscou um mediador potencialmente mais crível por ambas as partes. O acendrado racismo de Netanyahu afastou do seu governo grande parte da comunidade judaica dos EUA, principalmente os mais jovens. Moscou não vai oferecer a Israel a aniquilação do Irã, mas á capaz de manter as forças iranianas longe das fronteiras israelenses. Isso se houver cooperação do estado judeu em aceitar uma solução para a questão palestina, o que sempre foi obstruído por Tel-Aviv.
A política fascistoide de Netanyahu, desde sua posse em 2009, foi de inviabilizar um Estado palestino soberano, anexar a maior parte do seu território e formar enclaves sob seu controle no restante, onde conta com uma mão de obra barata e sem direitos de cidadania. Como no apartheid da África do Sul pré-Mandela. Mas o mito da invencibilidade israelense ficou chamuscado na fracassada guerra com o Hezbollah em 2006.

Os acordos de Oslo, que quase solucionaram a questão palestina, foram boicotados sistematicamente pelo governo judeu. Yasser Arafat, que dirigia a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) também não agiu corretamente, o que favoreceu a política sionista de apartheid e limpeza étnica.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

SUPREMO DERRAPA MAIS UMA VEZ AO AUTORIZAR DISCIPLINA RELIGIOSA NAS ESCOLAS PÚBLICAS DE PINDORAMA

Nós estamos mesmo, gente, com um Judiciário (e também outros poderes) muito mambembe. O STF e outras instâncias legislam, abençoam a derrubada ilegal de uma presidente eleita, abrigam juízes que não conhecem aquele provérbio grego, segundo o qual “cabe ao juiz julgar com equidade”, são nomeados pelos chefes de governo conforme as conveniências deles e às vezes ficam de plantão para habeas-corpus a gente próxima.
Temos, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, um Congresso dos mais desacreditados do mundo, com uma maioria fisiológica e predadora. Com aceno de benesses, aprovam tudo o que o presidente golpista e consequentemente ilegítimo Michel Miguel Elias (fora!) Temer Lulia quer, como vinte anos de congelamento de gastos sociais (dinheiro para suborno não falta), fim da CLT com ampla terceirização da mão de obra, “reforma” da Previdência, quando bastaria que os patrões inadimplentes pagassem o que devem etc.
Quanto ao atual presidente falsiê da República nem é preciso falar. Já está tudo falado e os irmãos Batista o chamam impunemente de “ladrão-geral da República”.
Diante de tudo isso, chamo a atenção de vocês para um ótimo artigo do economista e consultor Sérgio Buarque, no Jornal do Commercio do Recife, há umas duas semanas. Ele trata de “um passo atrás na história da civilização”, dado pelo STF ao aprovar a autorização para a introdução de disciplina religiosa nas escolas públicas do país.
“Numa clara negação das regras republicanas do Estado laico previstas na Constituição (desde a Constituição de 1891”, escreve Buarque, “a decisão da alta corte permite que as escolas públicas do Brasil ofereçam ensino religioso confessional específico, ou seja, de uma determinada crença religiosa, a ser escolhida pelo poder público”.

O nosso Estado laico parece ser sui generis, pois temos até bancadas evangélicas, bispos protestantes e pastores que se elegem por igrejas travestidas de partidos. E ninguém reclama. Deve ser bom para o tipo de político que temos. O ministro do STF Luís Roberto Barroso, voto vencido na questão, enfatizou que o ensino religioso “viola a laicidade, porque identifica Estado e Igreja, o que é vedado pela Constituição”.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

PINTURAS E ENFEITES DE MONUMENTOS ANTIGOS COSTUMAM SER ENCOBETOS EM PINDORAMA. NÃO DÁ PARA ENTENDER

Antes de tudo, peço-lhes desculpas pelo atraso desta postagem, obrigada a juntar-se à de sexta-feira/sábado, devido a novo rude ataque da privataria tucana. O provedor estava mais bem comportado, mas teve uma recaída.
Não dá para entender racionalmente o fato de se encobrirem pinturas e enfeites de igrejas e outro monumentos antigos, no decorrer do tempo. Só a ignorância explica. Há poucos dias, falei aqui a vocês sobre reclamações devido a obras de restauração da catedral gótica francesa de Notre Dame de Chartres. No caso, não se tratava de encobrir ou apagar o que havia antes. É defensável por tratar-se de restauração mesmo do que havia antes. Hoje escrevo sobre uma relíquia do século 18 resgatada aqui no Recife, onde moro. Trata-se da igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Militares, na Rua Nova, bairro central e Santo Antônio, construída a partir de 1723.
Escondida por três camadas de tinta, a pintura original do forro da nave central do templo começa a ficar aparente com suas esculturas e talhas originais. Os restauradores, trabalho coordenado pela restauradora Pérside Omena, estão removendo a cor branca para resgatar a policromia, com a ajuda de produtos específicos e bisturi. Além de removedores industriais. A pintura jaspeada que aparece no forro da nave já havia sido encontrada e recuperada na capela mor da igreja. O trabalho inclui a remoção de cupins. Ainda bem que temos o IPHAN para zelar pelo nosso patrimônio artístico e histórico. O trabalho, iniciado na sua fase atual em 2014, está previsto para ser concluído em 2020 e vai custar R$8,7 milhões.
As restaurações de monumentos feitas pelo IPHAN podem ser apreciadas em outras igrejas e prédios. Observe-se a Sé de Olinda, descaracterizada e com ornamentos em pedra até na fachada. Hoje está outra coisa e apreciada por milhares de turistas anualmente, além, claro, dos nativos. Em Olinda, que nasceu praticamente ao mesmo tempo que o Recife, que era seu porto, muitas outras igrejas estão correndo perigo de virar ruínas. Com esse governo golpista e ilegítimo que aí está, chefiado pelo “larápio-geral da República (não sou eu que o digo) Michel Miguel Elias (Fora)Temer Lulia, não se pode esperar nenhuma consideração por bens históricos e culturais, se até o povo sofre bárbara depredação nos seus direitos e bem-estar.

Diretas já! Constituinte exclusiva já!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

SAI BIOGRAFIA DE MARCO MACIEL, ESCRITA PELO JORNALISTA ÂNGELO CASTELO BRANCO

Nesta segunda-feira às 19h, na Academia Pernambucana de Letras, está sendo lançado Marco Maciel – Um artífice do entendimento, do jornalista Ângelo Castelo Branco, pela Cepe. Marco Maciel, na sua vida política, sempre foi um cara de direita, mas também sempre aberto ao entendimento e ao diálogo, afável no trato. Conheci-o na Faculdade de Direito do Recife, onde entrei pensando mais em fazer política estudantil, pois já havia estudado quatro anos de direito canônico no curso de teologia e estava, com licença da palavra, de saco cheio.
Aliás, abomino o direito canônico, que considero uma contrafação do Evangelho. E, quanto ao direito em geral, eu o vejo como um baluarte para a manutenção do statu quo ante: “Quem é rico mora na praia; quem é pobre não tem onde morar” e pronto. O sentido social da propriedade não é levado em conta na prática. Se há uma invasão de terreno há anos abandonado, logo a Justiça emite uma reintegração de posse. O sentido social vai pro beleléu. E o beleléu existe mesmo, conforme garante a escritora Maria Clara Machado.
O livro tem prefácio do ex-presidente Fernando 2º (FHC), hoje apoiador do golpe contra Dilma Roussef e que está assim dando aval a golpes anteriores. Apesar de seu discurso democrático, o ex-presidente comprou (está comprovado) votos parlamentares para a emenda da reeleição e saqueou quase todo o patrimônio público brasileiro (o resto está hoje na lista de Michel Miguel Elias Temer Lulia). Marco Maciel não. Sempre foi fiel a seu ideário político de direita e nunca fez concessões nessa área para obter vantagens políticas e eleitorais.
Fonte importantíssima da pesquisa de Ângelo Castelo Branco foi a companheira de Marco Maciel há mais de meio século, Ana Maria Maciel, que há uns seis anos cuida desveladamente do marido afetado pelo mal de Alzheimer.

Acrescento uma afinidade minha com o ex-colega de faculdade Marco Maciel. Somos ambos fãs do grande filósofo francês Jacques Maritain, hoje meio esquecido, e que, durante a invasão da França pelos nazistas, ensinou na universidade estadunidense de Princeton. A esposa dele, Raïssa, também escreveu um lindo e precioso livro, Les grandes amitiés, sobre os amigos do casal, que incluíram Charles Péguy e Léon Blois.