quarta-feira, 30 de agosto de 2017

JORNALISTA É UMA BELA PROFISSÃO, MAS A MÍDIA NATIVA IGNORA OU DISTORCE A VERDADE FACTUAL. REGULAÇÃO JÁ!

Meus caros leitores e leitoras, a minha profissão de jornalista, de que gosto muito, foi por mim abraçada dentro de uma conjuntura gerada pelo golpe de 1964, que Stanislaw Ponte Preta chamava de “a redentora” (porque os golpistas de então apelidaram seu coice de revolução). Sobre os disparates perpetrados por golpistas mais ignorantes (Castelo Branco se julgava um intelectual) ele escreveu um livro que merece ser lido, Febeapá - Festival de besteira que assola o país.
Depois de deixar a vida clerical, licenciado em teologia pela Université Catholique de Lyon, eu me encaminhava para a docência/pesquisa na equipe de Paulo Freire, que tocava seu sistema de educação e método de alfabetização. Quando foi lançada a Rádio Universitária, o reitor João Alfredo confiou à equipe sua direção e programação, sob a competente chefia de José Laurênio, que havia trabalhado na BBC de Londres.
Foi aí que eu virei jornalista (naquela época ainda não havia reserva de mercado para quem fizesse o curso de jornalismo, que só se justifica como pós-graduação), fazendo dois programas: Resenha de jornais e Resenha de editoriais. Arquivados, serviram mais tarde de provas da minha tresloucada subversão e sustento pelo ouro de Moscou. O capitão Moreira Paes, que comandou o IPM da Universidade (arrancado dos coronéis “revolucionários” por insistência de Gilberto Freyre, que tinha uma pendenga com o reitor João Alfredo), estava tão por fora que ainda era lacerdista, quando Lacerda já não era mais o golpista mor e pouco interessava aos milicos.
Com a “redentora” na rua, eu preso e demitido da Universidade, andei pelo Rio e Sampa procurando emprego em jornais, o que não consegui por não ser conhecido lá e essas cidades já estarem abarrotadas de jornalistas fugitivos de todo o país. Então, fui trabalhar na sucursal recifense do Correio da Manhã, na agência de publicidade Itaity, de Carol Fernandes, e afinal na sucursal da Folha de S. Paulo. Depois fui para a sede da Folha, lá em Sampa, e continuei no jornalismo.
Bem. Isso tudo é para dizer que gosto da profissão, mas a imprensa nativa (como diz Mino Carta) é uma lástima, em geral, sonegando e distorcendo informações, falseando fatos. E seus barões ainda têm a ousadia de falar de censura quando se quer regular o rádio e a TV, que são concessões públicas. Regulação que existe em todo país civilizado.
Na Argentina, o comportamento da mídia não é diferente, dentro do neoliberalismo que nos é imposto. Mas li, outro dia, reportagem que fala de um radialista resistente. Victor Hugo Morales é uruguaio, mas radicado na Argentina, e resiste bravamente na Rádio 750 AM, mantida por um fundo sindical de investimentos; como também o é o jornal Página 12.
O programa de Morales, La Mañana, critica os assim ditos “podres poderes” sem dó nem piedade. Dos meios de comunicação da Argentina 95% são dominados por uma autêntica máfia que mente descaradamente favorecendo uma minoria que explora o povo. Não muito diferente do Brasil. Para Morales, são uma “imundície dominada pelos interesses mais inconfessáveis que existem Mentem sobre a Venezuela, mentem sobre o Brasil, mentem sobre Cristina Kirchner, adulam Macri e tudo o que ele faz, vivem para seus negócios e a informação correta vai para a lata de lixo”.

Regulação da mídia já! Mas isso só quando governos populares voltarem ao poder, após o golpe em que estamos mergulhados. Regulação da mídia concedida não é censura em canto nenhum do mundo.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A RODOVIA BR-232 ESTÁ MUITO RUIM, SEM CONSERVAÇÃO. COMO ALIÁS A BR-101, NO TRECHO PERNAMBUCANO, E OUTRAS MUITAS

Gravatá, cidade pernambucana da Serra das Russas, continua com seu charme e seu microclima ameno. Fazia tempo que lá não ia, pois, com a minha idade, fico muito preso ao meu esconderijo em Aldeia. Minha mulher Patrícia tinha um seminário lá sobre as demolidoras modificações que Michel Miguel Elias (Fora) Temer Lulia está fazendo na velha e boa CLT, que complementou a abolição da escravatura. Fui que nem o príncipe consorte (e que sorte!) da Inglaterra. Teve um juiz lá que desancou a máquina de produzir habeas-corpus indevidos do ministro do STF Gilmar Mendes. Com o Judiciário que temos, Gilmar é o próprio Supremo.
Notei que a BR-232 está muito ruim. Duplicada com o dinheiro da privatização da Celpe, nos tirou autonomia energética e, mesmo sendo federal, não consta que o nosso Estado tenha recuperado a verba ali alocada. Inicialmente pavimentada em concreto, a estrada está hoje cheia de remendos malfeitos e que fazem os veículos trepidar demais. É uma tradição termos estradas com pavimentação trepidante. Aliás, em matéria de estradas, federais ou estaduais, estamos mal servidos. A BR-101, no entorno do Recife, está virando quase um buraco só, o que põe em grave risco motoristas e cargas.
Na republiqueta de banana em que se transformou o Brasil com o golpe de 2016, acredito que só haja dinheiro para comprar parlamentares corruptos, aumentar-lhes os privilégios e pagar os caprichos do desgovernante. Educação, saúde, para o quê? A plebe ignara, na visão golpista, não merece tanto. Se esses caras continuarem aí, o nosso país vai ficar mais ignorante e doente, se é que isso é possível.
Notei também que Gravatá está crescendo demais, o que gera mais desmatamento e poderá prejudicar seu clima gostoso. Em Pindorama, os centros urbanos não têm limites. Felizmente, segundo os demógrafos, a nossa população tende a estabilizar-se a partir de 2050. Essa estabilização já ocorre em países com maior quilometragem de civilização, como os europeus. Alemanha, França, Portugal, Itália, por exemplo, já chegaram a esse processo. No que a população se estabiliza, as cidades também param de crescer demasiadamente e sobra mais espaço para preservação do verde.

Quem sabe chegaremos a esse ponto no meio do século? Amém, aleluia para os demógrafos.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O TREM TÁ ATRASADO OU JÁ PASSOU, COMO NO “SAMBA DO CRIOULO DOIDO”. JÁ FORAM PROCLAMADAS A ESCRAVIDÃO E A COLÔNIA

Voltamos a ser uma colônia. Não mais de Portugal Inglaterra ou Estados Unidos, mas do capital financeiro, das multinacionais. A glória do desgoverno golpista de Michel Miguel Elias (Fora) Temer Lulia pretende nos reduzir a uma plataforma de exportação de commodities.O mercado doméstico está muito fraco pois o povo está com os bolsos vazios e a produção, primária, vai para o mercado externo. À diferença da colônia de antigamente, a mão de obra não é formalmente escrava, mas cuidaram logo os golpistas de podar a velha CLT que completara a abolição.
Esses caras aí não têm nenhum compromisso com o país, com a população, com um projeto nacional consistente. A prosperidade do agronegócio salva uma nesguinha de PIB. O campo criou117 mil vagas. Mas no comércio 123 mil foram fechadas e, na construção civil, 33,1 mil.
A reforma trabalhista alterou 117 artigos da CLT. Agora, empregados formais podem ser substituídos por falsos autônomos e falsas pessoas jurídicas, sem férias, 13º salário. Teremos contratos de trabalho temporário, parcial e intermitente.
Na área da aposentadoria, vai ser difícil o trabalhador alcançá-la, a não ser, para quem crê, na eternidade. A pessoa terá de trabalhar uns 49 anos para ter direito a uma aposentadoria integral, que será, como sempre, carcomida pela raridade de reajustes.
Para especialistas, a concentração de riqueza e a pauperização dos trabalhadores inviabilizam qualquer projeto de desenvolvimento com soberania. E os nossos desgovernantes golpistas sabem muito bem que não haveria nenhum rombo na Previdência se todos os empresários fossem coagidos a pagar seus débitos, reparar suas sonegações.

Mas o projeto golpista é servir ao deus Mercado, senhor onipotente.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

BANCOS DEVEM R$124,4 BILHÕES À UNIÃO. MESMO COM SUA AGIOTAGEM OFICIAL, ELES NÃO SÃO EXECUTADOS

Os desgovernantes golpistas deste país tropical, outrora abençoado por Deus, prosseguem na sua sistemática demolição do nosso patrimônio público (e privado: vejam o desastre das grandes empreiteiras), principalmente do seu patrimônio humano. Segundo dados colhidos com base na Lei de Acesso à Informação, os bancos comerciais, que acumulam lucros crescentes na sua agiotagem oficial, estão entre os maiores devedores da União (R$124,4 bilhões, mesmo com a crise). Em vez de executar as dívidas desses bancos, a quadrilha (opinião de Joesley Batista) golpista restringe gastos públicos com saúde, educação e Previdência Social.
Como já disse aqui, lembrando o “Samba do crioulo doido” de Stanislaw Ponte Preta, foi proclamada a escravidão, até isso, com a poda das leis trabalhistas, que tardiamente tentavam complementar a abolição da escravatura. O trabalhador sozinho paga o pato pela incapacidade, cinismo, oportunismo e falta de compromisso com o povo de um desgoverno que brotou de um golpe, dado à nova moda do bondoso Tio Sam.
Desde a primeira denúncia do procurador geral Rodrigo Janot contra a honestidade de Michel Miguel Elias (Fora)Temer Lulia (ele promete outras antes de deixar o cargo), os golpistas passaram a precipitar a liquidação dos ativos públicos nacionais, como as 14 usinas de geração de energia operadas pela Eletrobras. Como no caso da “privataria tucana” (ver livro com este título), preparemo-nos, se o golpe não foi detido em sua sanha, serviços ainda piores e tarifas mais escorchantes.
E, enquanto clama contra o déficit público, o desgoverno dá ainda mais vantagens ao setor privado, que vão custar R$63 bilhões aos cofres públicos. É um programa de regularização tributária que dá abatimento de 90% nos juros e 50% nas multas de dívidas de empresas privadas com a União. Vantagens que se estendem a clubes de futebol, igrejas, escolas confessionais, produtores de álcool.

Um escárnio. Como diria Castro Alves: “Mas é infâmia demais! Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! Andrada! arranca esse pendão dos ares! Colombo! fecha a porta dos teus mares!”.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) CORRE PERIGO DE DESAPARECER, DEIXANDO MILHÕES DE BRASILEIROS SEM ASSISTÊNCIA MÉDICA. TEMER NÃO PRECISA DO SUS

A sanha antipopular e de desmonte sócio-econômico-político do país exibida cinicamente pela quadrilha (ver opinião de Joesley Batista) chefiada pelo golpista Michel Miguel Elias Temer Lulia certamente, se não for contida, dará fim ao Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se do maior sistema público de saúde do planeta e já tem 30 anos. A Rede Globo e a imprensa nativa em geral não perdem oportunidade de criticar as mazelas do SUS, que são muitas, sabemos, devido à falta de recursos e constantes crises que o atingem. Seu atual carrasco é a emenda constitucional que limita os gastos públicos nas próximas duas décadas. Quem faz o alerta é Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Saúde.
Enquanto a mídia nativa está voltada para o deus Mercado e consequentemente só quer o bem dos famigerados planos privados de saúde, que a financiam, os próprios médicos do SUS em geral não cumprem seus plantões na íntegra e até faltam a eles sem justificativa. Acreditam que se trata de um bico desprezível para melhorar seus rendimentos. Por outro lado, para golpistas, a Constituição vale quase nada e assim galhardamente romperam as regras que estabelecem a saúde como um direito universal, na Constituição vigente. Assim, eles pouco ligam para o descumprimento dos plantões por muitos médicos.
Lembremos que, apesar de suas gritantes deficiências, o SUS atende a uma imensa população, que não cessa de crescer devido ao atual processo de repauperização do brasileiro, após um período em que sua renda melhorou sensivelmente.
Ferreira dos Santos observa que, com todas as dificuldades, o nosso país montou, em 30 anos, um sistema de saúde, o SUS, que, além de ser o maior do mundo, resolve problemas complexos, desde o tratamento da AIDS ao da Zika. Passando pelo transplante de órgãos, SAMU, assistência farmacêutica. O SUS identifica necessidades, intervém e produz conhecimento.

Mais uma glória para os golpistas: a morte do SUS, do qual não precisam nem Temer nem sua quadrilha.

sábado, 19 de agosto de 2017

SUPLEMENTO SOBRE EDUCAÇÃO DO JORNAL DO COMMERCIO MOSTRA IMPORTÂNCIA DE UM ENSINO DE QUALIDADE PARA A PROSPERIDADE DE UM PAÍS

Antes de entrar no tema desta postagem, registro aqui algo que nem causa mais espanto de tão corriqueiro. O Tribunal de Justiça de Pernambuco instituiu um auxílio alimentação para seus pobres membros. Os vencimentos deles não bastam para alimentar a família. Imagine salário mínimo.
E agora ao tema de hoje. O Jornal do Commercio do Recife publicou, domingo passado, um bom suplemento sobre educação, sob o título “A fórmula da mudança”. Em resumo, mostram suas autoras (Luiza Freitas e Margarida Azevedo) que não existe nenhum país próspero sem uma educação de qualidade para toda a população. Tratam também do dado promissor de que, em nosso país ainda longe de um bom desempenho no setor, grupos privados estão participando num processo que, até há bem pouco, atribuía-se apenas ao Estado.
Bancos. indústrias, xópins passaram a prover ensino/educação para formar seus funcionários e aperfeiçoar essa formação. Não se trata propriamente de altruísmo, pois no capitalismo não há espaço para isso e, sim, da convicção de que a economia de mercado exige qualificação da mão de obra e também que haja renda para esta. Se não, cadê o consumo?
Observemos uma realidade. Uma população como a da Região Metropolitana do Recife aceitaria o péssimo transporte público que lhe dão, ruas esburacadas ou sem pavimentação, escolas e assistência de saúde de baixa qualidade, sujeira nas vias públicas e outras calamidades que nos afligem se tivesse recebido um ensino de qualidade? Basta comparar nossos rios e canais aos canais da cidade belga de Bruges. Na Bélgica, na Europa em geral, há bom ensino. E aqui?
Se o ensino básico for precário, ficam eliminadas as chances de uma boa formação, de um bom emprego. O especialista Marcos Magalhães, ouvido pelas autoras do referido suplemento, afirma que a educação “é um desafio gigantesco. Temos 33 milhões de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos de idade. Dessa tropa, só 14% estão na universidade. Menos da metade concluiu o ensino médio. Somente 8% têm um curso técnico”.
Infelizmente, nossos governantes, mais preocupados com pura política e, muitas vezes, politicagem, não dão a devida importância ao ensino. Professores do ensino infantil, básico e médio são mal preparados e pagos; o salário é insuficiente até para a compra de livros, reciclagem.

Nessa mesma edição do JC (13.08.17), o presidente do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC) e do Grupo JCPM, empresário João Carlos Paes Mendonça, dá uma entrevista em que fala da importância da educação e do que vem fazendo o seu grupo empresarial há dez anos no sentido de capacita e estimular a inserção de jovens no mercado de trabalho em Pernambuco, Ceará, Bahia e Sergipe. Esse trabalho foi iniciado no bairro recifense de Brasília Teimosa, onde se situa a sede do grupo e que fica próximo ao Shopping RioMar (que integra o grupo). Mais de 10 mil jovens já foram capacitados.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

CORRUPTO, PATRONAL E CALOTEIRO. EIS A DESCRIÇÃO DO CONGRESSO NACIONAL FEITA POR UMA REVISTA SEMANAL, QUE CERTAMENTE NÃO É A VEJA

Uma revista semanal aí, Carta Capital, dos poucos órgãos da nossa imprensa que divulgam a verdade factual, sem distorções, interpretações, sonegações, descreve o Congresso Nacional como corrupto, patronal e caloteiro. Quando eu falo em interpretação, refiro-me àquelas interpretações do tipo “global”, que só confundem o leitor desprevenido e lhe subtraem a conscientização. Tem até um programa da Globo News que se chama “Fatos e versões”. Quando é uma interpretação ou versão ou distorção de um William Waack, a coisa é ainda mais perigosa, pois o cabra é inteligente e culto. Já um Alexandre Garcia é menos perigoso por ter a cabeça mais ou menos oca.
Pelo repórter, André Barrocal, vemos o presidente espúrio e golpista Michel Miguel Elias Temer Lulia em alegre confraternização com o insigne ministro do Supremo Gilmar Mendes, que pode vir a julgá-lo, e o presidente da Câmara Rodrigo Maia, que quer o lugar do golpista. E ficamos também sabendo que de cada três congressistas, um é caloteiro; e que de 300 a 400 são investigados no STF; R$ 877 milhões é o valor dos papagaios dos congressistas caloteiros; 42% são empresários e fazendeiros; 55 são réus em ações penais no STF.
A pergunta se impõe. Com um Congresso desse jaez, nós somos realmente representados. E um tal conluio de interesses espúrios pode fazer reformas dignas deste nome? Estão querendo parlamentarismo, distritão, mas tudo em proveito próprio e para enfrentar a renovação das casas legislativas mais comodamente e perpetuar seu deletério reinado.
Em duas ocasiões, o regime parlamentarista foi rechaçado com grande folga em plebiscitos. Em 1963, quando 82% do eleitorado votaram contra e só 18% o aprovaram E novamente em 1933, quando 55,6% se pronunciaram contra e 24,9% a favor.

Ora, o regime parlamentarista, a meu ver, é o menos imperfeito e funciona muito bem na Grã-Bretanha, na Índia e em vários países europeus com boa quilometragem de civilização. Se algum dia for adotado no Brasil, teria de ser por uma Constituinte exclusiva, com representação de personalidades preeminentes e não de viciados políticos profissionais (no pior sentido). O mesmo se pode dizer para voto distrital, distritão, distritinho e tudo isso que vem engendrando a mentalidade tacanha de representantes que não representam o eleitorado, e sim a si mesmos, seus financiadores, agronegócio et caterva 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

TAÍ UM PROJETO BOM, O BIKE PE. APARENTEMENTE ABANDONADO, COMO TANTOS OUTROS. MAS GARANTEM QUE ESTÁ EM REFORMULAÇÃO

Mais um projeto civilizado definha, o Bike PE. A explicação dada pelos responsáveis é reformulação. E não se pode reformular (supõe-se que para melhor) sem parar ou encurtar o serviço? Trata-se de um projeto de compartilhamento de bicicletas públicas na Região Metropolitana do Recife. Mas já foram desativadas mais de 15 estações onde o usuário pode pegar uma bicicleta e fazer um percurso até outra.
A colega Roberta Soares, do Jornal do Commercio, escreveu recentemente reportagem a respeito, onde informa que o projeto foi criado há quatro anos com 80 estações e promessa de expansão. Encolheu. Acrescento que, num país desgovernado pelo golpista Michel Miguel Elias Temer Lulia, onde se mata a esmo, rouba-se demais a exemplo da quadrilha que comanda o país (ver opinião de Joesley Batista), serviços públicos de qualidade se ausentam cada vez mais do quotidiano do cidadão, rodovias lembram as crateras lunares, não há dinheiro para educação e saúde mas sobra para o golpista comprar parlamentares driblando a Papuda (presídio de Brasília), ferrovias são sucateadas e por aí vai, nesse país que já foi nosso e hoje pertence ao deus Mercado, podemos esperar tudo de ruim.
Acrescente-se ainda o vandalismo habitual em uma sociedade sem direito a uma boa educação. Direito tem, mas não oportunidade. Qual o interesse que tem o governo golpista em educar a população, dar-lhe ares contemporâneos? Na Holanda, um pequeno país muito civilizado, usa-se muito a bicicleta e ninguém sai por aí roubando nem deteriorando um veículo tão à medida do homem. Mas nós pernambucanos perdemos o trem da história quando mandamos os holandeses de volta à sua terra e restauramos a Inquisição e todo tipo de preconceito. Alguns dos holandeses que daqui partiram fundaram, mais tarde, a cidade de Nova Amsterdam, nos Estados Unidos. Onde é essa cidade? Nada menos que Nova York, rebatizada mais tarde.
A administradora do Bike PE, em parceria com o Banco Itaú, promete para setembro a chegada dos novos modelos de bicicleta, com tecnologia da canadense PBSC Urban Solutions. No Rio, São Paulo, Salvador e Porto Alegre, projetos similares também estão passando por essa mudança operacional, que inclui tecnologia antifurto, informa a repórter.

Vamos torcer para que tanta promessa tenha fundamento e para que o poder público não continue abandonando projetos que dão ou poderiam dar certo.

sábado, 12 de agosto de 2017

A CATÓLICA E CONSERVADORA POLÕNIA, EX-COMUNISTA E HOJE INTEGRANDO A UNIÃO EUROPEIA, TEM PENDORES REACIONÁRIOS. NO QUE É SEGUIDA PELA HUNGRIA

A Polônia é um país diversificado na Europa. País de maioria quase absoluta católica, teve, porém, um governo comunista, no pós-guerra, que durou até 1980, quando foi eleito Lech Walesa, do sindicato Solidariedade. País de católicos, espremido entre a Prússia protestante e a Ucrânia/Rússia ortodoxas, incorporou praticamente a religião às estruturas do Estado. Há ali uma tendência ao conservadorismo que levou o país a governos direitistas. Note-se que, embora escrevendo sua língua com caracteres latinos, os poloneses e sua língua são eslavos, como os russos, ucranianos e outros povos do leste europeu.
Há poucos dias os poloneses foram às ruas com o objetivo de barrar medidas reacionárias e medievais que permitiriam ao governo de direita interferir na independência do Poder Judiciário local. Como o país integra a União Europeia, esta prometeu estabelecer um prazo para o presidente Andrzej Duda reverter as leis que fariam os políticos controlarem a Suprema Corte.
Aí a população foi às ruas, o que levou Duda a vetar o conjunto de leis. Isto o conduziu a um rompimento com o ex-presidente Jaroslaw Kaczynski, líder do partido direitista Lei e Justiça. Para a também direitista primeira-ministra Beata Szydlo, trata-se de uma questão interna e o governo não deveria ceder a nenhuma pressão estrangeira. Mas os partidos de oposição celebraram a decisão de Duda. Kamila Gasiuk-Pihowicz disse: “Foi a decisão certa e um ato de coragem. O veto mostra a força dos protestos populares”.
Outro país ex-comunista que, hoje na União Europeia, pende forte para a direita é a Hungria. Seu primeiro-ministro Viktor Orbán foi duro: “A inquisição ofensiva contra a Polônia não pode ter sucesso, porque a Hungria usará todas as opções legais na União Europeia para demonstrar solidariedade aos poloneses”.

A tendência à direita ocorre, aliás, em quase toda a Europa, que, agora sem medo do fantasma comunista de que falava Karl Marx em seu Manifesto, tende a abandonar o Estado de Bem-Estar que se instalou no pós-guerra. O que é lamentável.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A CIDADE DO RIO DE JANEIRO, QUE JÁ FOI CAPITAL DO IMPÉRIO, DISTRITO FEDERAL E ESTADO DA GUANABARA, PRECISA SER URGENTEMENTE SALVA DOS DEMAGOGOS QUE A ARRUINARAM

Na minha vida profissional, morei e trabalhei um tempo no Rio de Janeiro, ainda Estado da Guanabara. No grupo Manchete, no alternativo Opinião, na atual Editora Globo (então Rio Gráfica e Editora). Era um Estado-Cidade extremamente organizado e cheio de obras que melhoravam a vida do carioca. Também seu primeiro governador, quando o Distrito Federal se mudou para Brasília, foi o arquigolpista Carlos Lacerda, que recebeu da Aliança para o Progresso EUA) todo tipo de ajuda, na preparação da derrubada do governo constitucional em 1964.
O ensino era muito bom e uma amiga nossa que trabalhava na Secretaria de Educação arranjou para meus filhos mais velhos estudarem em duas escolas de primeira linha, a Rodrigues Alves, vizinha ao Palácio do Catete e onde já funcionara a Secretaria do Governo, e a Anne Franck, vizinha ao Palácio Guanabara e à sede do Fluminense. Tanto que, quando voltei ao Recife, os mais velhos passaram facilmente no vestibulinho para o Colégio de Aplicação da UFPE.
De repente sai do cérebro autoritário do ditador de plantão, general Ernesto Geisel, a ideia de juntar aquele avançado Estado ao feudal e coronelista Estado do Rio. A motivação é que, na Cidade Maravilhosa (Guanabara), a população é muito politizada e votava (quando os milicos permitiam eleição) com a esquerda. Não tinham dado um golpe que gerou uma ditadura de 21 anos e, de quebra, Ribamar Sarney Fernando 1º e Fernando 2º? Então era para entrar na ordem unida.
Foi um desastre para a Guanabara. Garotinhos, Garotinhas, Pezões et caterva passaram a fazer política, e ganhar eleições, no novo Estado Frankenstein. O resultado, algumas décadas depois, é o desastre que aí está. O Estado do Rio está falido: a antiga e boa Universidade do Estado da Guanabara sucateada e quase paralisada; funcionários, aposentados e pensionistas com salários e pensões atrasados; o crime organizado na crista da onda; os hospitais sem verba e sem condições de prestar um serviço digno à população; as forças armadas empregadas como polícia contra a opinião do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas.

Não entendo por que os políticos cariocas da velha guarda não fazem uma proposta para restaurar o Estado da Guanabara ou, como propõe o professor Christian Edward Cyril Linch, criar duas capitais no Brasil, como há em vários países, a exemplo da África do Sul e Bolívia. Gente, vamos salvar a Cidade Maravilhosa (essa marchinha era o hino do Estado da Guanabara)!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

PESQUISAS E BOLSISTAS PODERÃO PERDER SEU FINANCIAMENTO. MAS TEM DINHEIRO PARA COMPRAR PARLAMENTARES COM O OBJETIVO DE LIVRAR TEMER LULIA DA PAPUDA

Desculpem a insistência, mas vem aí uma nova calamidade TEMERária. Muitas centenas de bolsistas do CNPq poderão perder seu financiamento, pondo a perder mestrados, doutorados, pesquisas em curso. Há dinheiro de sobra para comprar parlamentares, na peleja por livrar Michel Miguel Elias Temer Lulia da cadeia; mas, na hora de financiar o ensino e a pesquisa, o Tesouro se encurta.
É um absurdo o desmonte do nosso país levado a cabo pelo atual desgoverno golpista. Os países que contam na economia mundial investem pesadamente no ensino/pesquisa. Criam marcas famosas na indústria automobilística, de computação, comunicação. A Alemanha, destruída, e bote destruída aí, pela guerra, é hoje o país mais forte da Europa econômica e financeiramente, sediando o Banco Central Europeu, Japão e Coreia do Sul estão lá na frente. A própria China, após percalços gerados por equívocos da sua Revolução, vai se tornando aos poucos a maior potência do mundo.
Todos estes países investem com empenho e quantidade em educação, pesquisa. Aqui temos um ministro da Educação que não convence. As universidades e outros centros de ensino e pesquisa se queixam da exiguidade das verbas que recebem.  E agora mais uma má notícia, que é a da possibilidade de parada no pagamento de bolsas e pesquisas. Não dá para continuar muito tempo assim. Urge voltarmos a caminhos não golpistas e espúrios.
Na política externa, Pindorama, que cresceu muito em protagonismo internacional nos governos anteriores, se torna cada vez mais irrelevante apenas acolitando o reacionarismo que se instalou na Argentina, Paraguai e outros países sul-americanos. Nas cúpulas internacionais, Temer Lulia praticamente se esconde e ainda leva safanões, como o que recebeu da primeira-ministra da Noruega, devido ao aumento do desmatamento e da grilagem de terras públicas.
Sem agenda e obedientes às leis ao assim dito mercado, essa quadrilha que nos desgoverna (no dizer de Wesley Batista) avança TEMERariamente pelo caminho da privatização sem nenhum critério de tudo o que Fernando 2º (FHC) não conseguiu nem ousou privatizar (vejam o livro A privataria tucana).

Com o prosseguimento da política externa de Lula, de Celso Amorim, o Brasil seria hoje ouvido e respeitado.

sábado, 5 de agosto de 2017

REPETE-SE NA VENEZUELA O CERCO QUE ALLENDE SOFREU NO CHILE NOS ANOS 1970

Repete-se na Venezuela o que mais de 40 anos atrás ocorreu no Chile. O socialista Salvador Allende foi levado à Presidência da República em eleições livres, democráticas e tentava melhorar a vida da população pobre de seu país, fomentando ao mesmo tempo o progresso. Em plena guerra fria, os Estados Unidos não aguentavam mais essa tentativa de alcançar socialismo com desenvolvimento e liberdade. O Chile depende muito do transporte rodoviário para seu abastecimento e foi aí que o bondoso Tio Sam atacou, promovendo e financiando greves e mais greves de caminhoneiros.
Washington conseguiu seu intento de criar na América do Sul mais uma ditadura amiga quando o renegado general Pinochet atacou a sede da Presidência, levando Allende ao suicídio e inaugurando uma ditadura das mais bárbaras e duradouras por estas bandas. Diga-se de passagem, aprovada pelos países ricos, como as da Argentina, do Brasil, do Uruguai.
Agora que os militares estão mais dedicados a seu ofício de defesa dos seus países, Washington ataca por outros meios um regime com o qual não concorda, criado por Hugo Chávez, que morreu e foi substituído por um cara muito menos preparado para prosseguir com os ideais de Simón Bolívar, o Libertador. E ataca com armas semelhantes às usadas no Chile. Promove e financia o desabastecimento e constantes manifestações de rua.
Enquanto isso, os petrodólares utilizados por Chávez para financiar o fim da miséria minguam em virtude da queda dos preços do petróleo. Simultaneamente a Organização dos Estados Americanos (OEA), uma espécie de agência dos Estados Unidos, o governo do bufão Trump e os de outros países ricos condenam a tentativa dita bolivariana e criam sanções contra Caracas. E acolitados pelo Itamaraty de Michel Miguel Elias Temer Lulia, que humilha aquela nossa anterior política externa independente.
Eu nunca vi se condenar uma Constituinte. É o que acontece agora com a Venezuela. O protagonismo da CIA continua firme e atuante na América Latina e Caribe. Para essa agência estadunidense Constituinte, Constituição, democracia são coisa de branco. Povos morenos têm é que se submeter a ditaduras amigas dos EUA. Amigas como as da Arábia Saudita e outras. Para as inimigas valem outras leis. Por enquanto, o presidente Maduro e o chavismo ganharam novo fôlego com a votação pró-Constituinte.

Estranho é como toda a mídia brasileira ataca Maduro e o chavismo violentamente, com raríssimas exceções. Se o projeto mais à esquerda de Lula voltar ao poder, uma das providências urgentes a tomar é a regulação da mídia que depende de concessão (basicamente rádio e TV). Se é uma concessão, não pode ganhar o quase monopólio da Rede Globo, um autêntico partido político contra qualquer oposição.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

SEPARAÇÂO ENTRE IGREJA E ESTADO, RELIGIÃO E POLÍTICA, É O MELHOR REGIME PARA AMBAS AS PARTES. AMÉM! ALELUIA!

Abordo hoje com vocês uma questão, já resolvida em outros países, até menos desenvolvidos que o nosso, que é a teimosia de alguns em continuar misturando e confundindo religião com política, com Estado. A separação, com o Estado laico, foi obtida por nós com a Constituição da República. Até o Império, o catolicismo romano era a religião oficial. Ficou mais na teoria, pois a Igreja Católica Romana estava acostumada a ser oficial e dominante. Os bispos resmungavam muito até que se deram conta de que a separação era melhor para ambos, Estado e Igreja.
Ocorre que as igrejas assim ditas neopentecostais, muito fomentadas pela política estadunidense, que vê a Igreja Católica brasileira como muito esquerdista, começaram a crescer muito, se expandir, e trouxeram de volta de novo a confusão entre religião e política. O que não dá para entender pois, um pouco remotamente, elas se inspiram na Reforma Luterana. Preferem ser denominadas evangélicas, como se a Igreja Católica Romana também não se baseasse no Evangelho, têm seus partidos e fazem propaganda política com base na Bíblia. Seus eleitos se apresentam não como simples políticos, mas como pastor fulano, bispo cicrano etc.
Isso é absolutamente contraditório diante de uma Constituição laica E muitas dessas confissões pregam uma Teologia da Prosperidade, em contraposição à católica Teologia da Libertação. Prometem o céu na terra, recolhem muito dinheiro de fiéis na maioria pobres. Não é assim. Quem quiser ter sua religião que tenha, mas sem colocá-la a serviço de partidos e ideologias.
A confusão, porém, começou mais longe, quando o imperador Constantino decidiu cooptar o cristianismo como religião oficial do Império Romano. Foi aí que o velho preceito de Jesus Cristo “Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César” caiu em desuso. Os bispos passaram à condição de nobres e comensais dos ricos, o clero adquiriu privilégios, os mosteiros enriqueceram e arquivaram a pobreza evangélica. Os papas passaram a ter um poder muito grande, inclusive material e territorial, que só terminou com a unificação da Itália, que engoliu os Estados Pontifícios.
O papa ficou confinado no Vaticano, posteriormente constituído independente, o Stato della Città del Vaticano, através do Tratado de Latrão, assinado pelo ditador fascista Benito Mussolini e o papa Pio 11. Mussolini ainda pagou uma indenização simbólica ao papado, que serviu para criar o Istituto per le Opere di Religione (IOR), como ironicamente é conhecido o Banco do Vaticano. Hoje está em desmonte por Francisco, um papa cristão, mas já se envolveu com a máfia e assassinatos.
Depois da cooptação de Constantino, a Igreja, ou melhor o papado, se envolveu com abominações como as Cruzadas e a Inquisição. No século 16, Martinho Lutero lançou as teses de sua Reforma, que pretendia apenas abolir práticas transviadas da Igreja Romana. Mas foi com o iluminismo e o enciclopedismo, que levaram à Revolução Francesa, que iniciou-se a aspiração pela separação entre Igreja e Estado, religião e política.

Acredito que nossos governantes e políticos deveriam se preocupar seriamente com o assunto, com a clericalização da política, de alguns partidos, do Estado. Mas eles estão tão longe do papel de representação popular que querem é se aproveitar da confusão.