sábado, 12 de agosto de 2017

A CATÓLICA E CONSERVADORA POLÕNIA, EX-COMUNISTA E HOJE INTEGRANDO A UNIÃO EUROPEIA, TEM PENDORES REACIONÁRIOS. NO QUE É SEGUIDA PELA HUNGRIA

A Polônia é um país diversificado na Europa. País de maioria quase absoluta católica, teve, porém, um governo comunista, no pós-guerra, que durou até 1980, quando foi eleito Lech Walesa, do sindicato Solidariedade. País de católicos, espremido entre a Prússia protestante e a Ucrânia/Rússia ortodoxas, incorporou praticamente a religião às estruturas do Estado. Há ali uma tendência ao conservadorismo que levou o país a governos direitistas. Note-se que, embora escrevendo sua língua com caracteres latinos, os poloneses e sua língua são eslavos, como os russos, ucranianos e outros povos do leste europeu.
Há poucos dias os poloneses foram às ruas com o objetivo de barrar medidas reacionárias e medievais que permitiriam ao governo de direita interferir na independência do Poder Judiciário local. Como o país integra a União Europeia, esta prometeu estabelecer um prazo para o presidente Andrzej Duda reverter as leis que fariam os políticos controlarem a Suprema Corte.
Aí a população foi às ruas, o que levou Duda a vetar o conjunto de leis. Isto o conduziu a um rompimento com o ex-presidente Jaroslaw Kaczynski, líder do partido direitista Lei e Justiça. Para a também direitista primeira-ministra Beata Szydlo, trata-se de uma questão interna e o governo não deveria ceder a nenhuma pressão estrangeira. Mas os partidos de oposição celebraram a decisão de Duda. Kamila Gasiuk-Pihowicz disse: “Foi a decisão certa e um ato de coragem. O veto mostra a força dos protestos populares”.
Outro país ex-comunista que, hoje na União Europeia, pende forte para a direita é a Hungria. Seu primeiro-ministro Viktor Orbán foi duro: “A inquisição ofensiva contra a Polônia não pode ter sucesso, porque a Hungria usará todas as opções legais na União Europeia para demonstrar solidariedade aos poloneses”.

A tendência à direita ocorre, aliás, em quase toda a Europa, que, agora sem medo do fantasma comunista de que falava Karl Marx em seu Manifesto, tende a abandonar o Estado de Bem-Estar que se instalou no pós-guerra. O que é lamentável.

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