sábado, 28 de outubro de 2017

UM FANTASMA RONDAVA A EUROPA. LEVANTAI-VOS FAMÉLICOS DO MUNDO. SURGE A UNIÂO DAS REPÚBLICAS SOCIALISTAS SOVIÉTICAS

Comemoramos este ano, gente, cem anos da Revolução Russa. À época, um fantasma rondava a Europa, conforme o Manifesto Comunista de Marx e Engels, e a Internacional cantava “Levantai-vos famélicos do mundo”. Ficou conhecida como Revolução de Outubro porque, na época, o calendário russo diferia do ocidental. Lá já era novembro. A 1ª Guerra Mundial caminhava para o fim. O czar russo já havia sido derrubado em fevereiro e substituído pelo governo de Kerensky, um social-democrata. Mas Lênin voltou do exílio e continuou pregando o bolchevismo. Os mencheviques queriam menos, os bolcheviques de Lênin e Trotsky postulavam mais, eram maximalistas.
Sobre os primeiros dias da Revolução, sua consolidação, o jornalista estadunidense John Reed, que era comunista e foi desgnado para fazer a sua cobertura, escreveu o clássico Dez dias que abalaram o mundo. De fato foi um terremoto universal, que depois se desdobrou na Grande Marcha de Mao Tsé Tung na China e em eventos similares. Na China, os Estados Unidos se meteram onde não foram chamados e separaram Taiwan (Formosa) do continente, além de por muitos anos manterem Formosa como a representante da China do Conselho de Segurança da ONU.
Com Kerenky pouca coisa mudou na Rússia. Lênin prometia paz, pão, liberdade, terra, trabalho. Isso me lembra um comício do Partido Comunista Italiano (PCI) em que um candidato prometia, em comício, “pane e lavoro” (pão e trabalho’. No que um anarquista gritou lá de trás:”basta pane” (basta pão). Lênin assumiu o poder e implantou o socialismo. As terras foram redistribuídas, bancos nacionalizados, as fábricas, os meios de produção passaram às mãos dos trabalhadores. Ele também se retirou da guerra
No entanto, o grande líder cometeu imperdoável equívoco. Marx e Engels pregavam uma sociedade não dividida em classes com o proletariado asumindo o poder. Mas quando Lênin se viu com o Estado na mão, achou aquilo bom e passou a estatizar tudo, o que, a meu ver, é uma contrafação do socialismo/comunismo. No socialismo é a sociedade que exerce o poder e não o Estado.
Por isso, quando houve o desmoronamento da URSS eu não fiquei surpreso. Esperava que Gorbatchev tivesse sucesso com suas Glasnost e Perestroika, que desburocratizariam o Estado, ocupado por aqueles que se diziam “a vanguarda do proletariado” mas eram autênticos burguesotes. Gorbatchev foi golpeado e as empresas estatais passaram aleatoriamente a mãos particulares.

Na China, o comunismo adaptou-se a um capitalismo de Estado, embora o Partido Comunista Chinês seja muito forte. Assim, a meu ver, comunismo mesmo só houve entre as primeiras comunidades cristãs: de cada um conforme sua capacidade, a cada um conforme sua necessidade. Não é heresia, é história.

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