quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SERÁ QUE DONA DILMA IRÁ CONTINUAR POR ESSE CAMINHO?



Estamos em pleno Carnaval, quando inicio esta conversa com vocês. Carnaval é ótimo quando se respeitam os direitos dos outros, o que dificilmente acontece. Não sou saudosista. Acho o atualmente uma beleza em muitos aspectos. Discordo, porém (um exemplo), da ampliação exagerada das brincadeiras carnavalescas. Acho que isso tira o it, o charme específico, aquela velha originalidade do Carnaval. Uma espichadazinha, como as do Bacalhau do Batata (bem tradicional), dos Irresponsáveis, até cai bem para consolar os foliões saudosos e ajudar a aguardar o próximo, assim dito, reinado momesco. Mas não vamos exagerar pra não tirar a graça.
Os acertos (ensaios) dos blocos líricos são uma pedida imperdível e preparam, aquecem tanto os titulares dos blocos como os foliões. São uma beleza. Não se vê uma briga. Os mais velhos levam seus filhos adolescentes, que têm oportunidade de conhecer uma “balada” diferente e gostam muito. Sinto saudade da época em que curtia assiduamente os acertos do Bloco da Saudade e do Cordas e Retalhos. Pulava muito com minha namorada dos anos 90, Luíza, molhava abundantemente o bico e não caí nem uma vezinha. Se fosse pular hoje, certamente levaria um tombo. Tudo tem seu tempo certo, como dizia um poeta cujo nome esqueci.
E no mais, piora a cada dia o governo bradesco-ruralista de dona Dilma. Para isso, ela não precisaria brigar tanto pela reeleição e decepcionar os que nela votaram. Claro que ainda pior seria com um playboy Aécio: aproveitariam a crise da Petrobras, devidamente acompanhada e apurada em seus malfeitos pela PF e pela Justiça, para realizar afinal o sonho tucano de entregá-la, a preço de banana na safra (como nas demais privatizações à la Fernando 2º), a alguma das famosas Sete Irmãs (as grandes companhias petrolíferas estrangeiras), para gozo póstumo do corvo Carlos Lacerda e demais golpistas que “suicidaram” Getúlio.
E também aproveitariam para voltar aos braços do FMI, privatizar também o Banco do Brasil, a Caixa e o BNDES, encher de novo a Senzala acabando com as políticas sociais de Lula, voltar ao liberalismo desbragado de Fernando 1º e Fernando 2º, aumentar ainda mais os impostos pagos por assalariados e a gente mais pobre, além de diminuir os que ainda são pagos por rentistas e similares.
Será que dona Dilma, uma ex-guerrilheira com tinturas socialistas (quando falo em socialismo, nada a ver com o social-coronelismo vigente por aí), irá continuar por esse caminho desastroso? Será que vai continuar com medo dos militares e jogando no lixo o trabalho das Comissões da Verdade?

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PS – Passo a acrescentar comentários sobre este blogdenegoveio.
       a- Alguém que não se identificou observou que Renildo Calheiros é quem arranjava dinheiro, quando deputado, para Luciana fazer obras. Também que a Av. Presidente Kennedy é obra do Estado e não da PMO. E ainda que o clã Calheiros das Alagoas não está encolhendo seu espaço, tanto que Renan emplacou seu rebento no governo. Concordo com as duas primeiras observações. Quanto à diminuição de espaço para o clã imperar e sugar na Terra dos Marechais, foi gozação minha referindo-me à gula pantagruélica de tipos como Renan, Ribamar Sarney, ACM, Maluf e tantos outros gulosos que pilham este país. Obrigado pelas observações.
         b- Minha amiga Dezinha elogia generosamente minhas postagens e minha autobiografia tão “precoce”. E observa que manter o povo analfabeto e doente rende muitos votos aos nossos políticos. E ela esperava que a Mônica (Dilma) não ganhasse as eleições. Obrigado, amiga.
         c- Minha querida ex-cunhada Valerinha diz que navegar é preciso, mas viver realmente não é preciso. É muito perigoso mesmo. E acrescenta que está adorando a biografia e que é preciso publicá-la. Muito obrigado, Presente Ideal (é como eu a chamava quando era bebê).
         d- Minha assídua leitora Eveline Glória, professora na UPE, diz generosamente que meus escritos a encantam. Obrigado.
         e- Meu sobrinho Sílvio, filho do meu famoso compadre Sílvio Neves Baptista, me parabeniza pela iniciativa de divulgar minha longa e perigosa vida. Deus te abençoe, Silvinho.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

TERRORISMO. O DOS BRANCOS, RICOS, CRISTÃOS SERIA UM DIREITO?



Falava eu, na última postagem, sobre alguns equívocos nas reações ao mortal ataque ao jornal satírico francês Charlie Hebdo. Como estavam ficando demasiado longas as minhas observações, deixei para continuar nesta postagem. O ponto básico da minha posição é que o horror diante daquele massacre é plenamente justificável, mas que se deve cobrar também respeito às opiniões dos outros, inclusive cultura, religião Governos de países como os Estados Unidos, os europeus, os ricos em geral enchem a boca de veementes condenações ao terrorismo e de não menos incisivas defesas da liberdade de expressão e dos direitos humanos em geral. Só que seus governos selecionam os direitos que devem ser respeitados, desrespeitam decisões soberanas de muitos países e praticam o terrorismo de Estado.
Terrorismo de Estado, sim. Quando o governo dos Estados Unidos mandou jogar duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki (que não eram alvos estratégicos) no final de 2ª Guerra Mundial, destruindo-as e matando, em poucos segundos, centenas de pessoas, estava praticando evidente terrorismo. O mesmo quando destrói países como o Iraque, a Líbia, sob pretextos democráticos, mas, na realidade, para controlar fontes petrolíferas. Idem quando promove golpes militares contra governos democráticos, como fez no Brasil, Chile e Argentina nos anos 1960-1970.
E direitos humanos? Como pode Washington exigir, da China, de Cuba, da Rússia, por exemplo, respeito aos direitos humanos quando mantém centro de torturas na base militar de Guantanamo (ainda por cima território roubado a Cuba) e em outros lugares fora de seu território?; quando manda assassinar pessoas selecionadas, através de comandos, de drones etc.?; quando permite que seus bancos e financeiras engendrem graves crises mundiais que afetam o mundo inteiro?
Além do mais, quem deu início ao multissecular terrorismo cujas consequências servem de combustível hoje ao ódio mortal que muitos povos dedicam aos países assim ditos do “mundo livre”? É uma história muito antiga. Entre 1095 e 1291, sob o pretexto de recuperar a Terra Santa, sobretudo Jerusalém, onde Jesus Cristo tinha sido crucificado e perto de onde ele nasceu, então dominada por muçulmanos, reis cristãos europeus, abençoados pelo papado, empreenderam uma série de guerras coloniais (no tempo não eram chamadas assim). Na Terra Santa e arredores, como Síria, havia muitos cristãos e também remanescentes judeus que viviam em paz com os muçulmanos (muitos deles foram mortos porque não se vestiam “a moda europeia).
Cerca de apenas 200 anos depois do fim das Cruzadas, começavam as grandes viagens marítimas a partir do Ocidente e os assim ditos “descobrimentos”. Na concepção eurocentrista, todo o mundo não europeu estava “encoberto”, era como se não existisse. Então, eles teriam todo o direito de se apossar daquelas terras e colonizá-las em seu proveito. Com a incultura que lhes era peculiar, destruíram velhas civilizações pré-colombianas nas Américas, como os impérios inca, maia e asteca, além de povos menos evoluídos que chamavam de índios confundindo América com Índia. Toda essa destruição em nome de Deus e da Igreja. Não satisfeitos, no século 19 começaram a dividir entre si África, Ásia e Oriente Médio. E só largaram esses povos dividindo tudo antes em países artificiais, separando etnias amigas e colocando juntas as que não se entendiam entre si.
E ainda vêm condenar o terrorismo (só o que vem do lado daqueles povos) e se julgar no direito de achincalhar as convicções e opiniões alheias, inclusive cultura e religião.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

EU NÃO SOU CHARLIE, COMO DIZ LEONARDO BOFF



Gente amiga, eu não esqueci este blogue nem parei de escrever o “Viver é muito perigoso”. É que a gente não manda no pedaço. Quem manda são “us homi” que têm poder, podem descumprir compromissos e mesmo leis, são inimputáveis. Por exemplo: contrata-se uma banda-larga que de larga não tem nada, recebe as contas, sempre altas, todo mês, paga, mas a internet foge praticamente todo dia; contrata-se TV por assinatura, não pode escolher o que interessa, mas o que é imposto, recebe contas muito mais altas do que no mundo soit-disant civilizado; e por aí vai. Aqui em casa, a banda, além de se estreitar a cada dia, falha constantemente. E o usuário não merece nenhuma explicação. É pegar ou largar. As tais agências reguladoras, criadas pelo ínclito xogum Fernando 2º somente para conceder aumentos absurdos de tarifas, continuam nos sacaneando também nos governos de Lula e Dilma. Tudo graças às privatizações de conchavo (ver A privataria tucana) com que nossa sociedade foi brindada pelo demolidor xogunato. Por falar em Dilma, parece que quer cumprir o programa do neto de Tancredo, nomeando um cara do Bradesco para a Fazenda e uma “agroindustriosa” para a Agricultura.
Daí minha demora em voltar a conversar com vocês. Antes de tudo, desejo-lhes que este ainda imberbe 2015 seja um ano de muitas realizações para todas e todos. Para a França, minha terra adotiva junto com a Itália, o ano começou mal com o bárbaro ataque a um jornal humorístico de Paris, o Charlie Hebdo. Houve muita solidariedade de quase todo o resto do mundo, cada um botando suas barbas de molho com medo de ataques similares. No mundo que se diz livre e garante prezar e defender liberdade de expressão, jornalismo livre, a imensa maioria dos comentários sobre o triste fato se resume a isso: a liberdade de imprensa foi mortalmente ferida (e foi mesmo). Cadê a tolerância? Cadê o respeito pela opinião dos outros?
Pergunto eu: nessa tolerância e respeito não se incluem a religião, a cultura, a etnia e tantas outras características dos diversos povos? O cara que satiriza Maomé não tem obrigação de levar em conta que o islamismo é uma das maiores e mais espalhadas religiões do mundo? Mesmo que ele satirize também ícones do cristianismo, do budismo, do hinduísmo. Estas observações não querem dizer que a reação a ultrajes contra o profeta do Islã foi correta e adequada. Simplesmente que toda opinião merece respeito
Leve-se em conta também que a liberdade de expressão tão badalada aqui no Brasil, sobretudo por quem menos a pratica (a grande imprensa nacional, principal partido de oposição a qualquer avanço social e político), é algo da maior importância em toda democracia. No entanto, para essa grande imprensa, liberdade de expressão significa divulgar, publicar o que interessa aos controladores da mesma, censurar (é isso mesmo) o que não interessa e manipular o conjunto com as famosas interpretações e comentários (a Globo faz isso com maestria).
Esta conversa está ficando muito comprida e vocês têm mais o que fazer. Continuo na próxima postagem. Deem agora uma olhada, please, nas laterais “Viver é muito perigoso” e “Artigos na imprensa”.

domingo, 14 de dezembro de 2014

POSTAGEM DE EMERGÊNCIA


Gente,
Peço que abram aí do lado esquerdo que tem mais um capítulo de minha autobiografia “precoce”. E também do lado direito, onde começo a colocar trabalhos meus que, para alguns, vale a pena reler. Começo com minha colaboração para o jornal virtual O Porta-Voz, que pode ser acessado teclando http://jornaloporta-voz.blogspot.com.br. Aos poucos, irei selecionando centenas de artigos no Jornal do Commercio e outros órgãos da imprensa.
Também tentarei responder aos comentários a minhas postagens. Vou pedir
ajuda a meu filho informata Paulo e a minha mulher Patrícia. É que, sendo eu uma produção do remoto século 20, minha familiaridade com a web é apenas sofrível.
Boas Festas e excelente 2015 para todas e todos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

MAR DE LAMA – O REPETECO



Lá se vão 60 anos que o arquigolpista Carlos Lacerda, hoje patrono do PSDB, do DEM e de outros partidos arenosos (lembram-se da Arena da ditadura?), descobria um “mar de lama” no governo constitucional e democrático de Getúlio Vargas. Trombeteou ferozmente a aparente descoberta em seu jornal Tribuna da Imprensa e no Congresso. Parecia que o brasileiro nem sabia o que era corrupção e bandalheira em seus quatro séculos e meio de história. Tudo isso lembra muito o que está ocorrendo agora com “mensalões” e “petrolões”. Até a expressão “mar de lama” foi ressuscitada pela Rede Globo, jornais O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão, em meio a tanta imprensa equivocada que, ao contrário da mídia de países civilizados, não aceita nenhuma regulação, taxando-a de atentado à liberdade de expressão.
A propósito, recebi de um amigo artigo do empresário Ricardo Frank Semler, que tem formação em Harvard e é um tucano de primeira hora, não do PSDB de Fernando 2º (FHC), Serra, Aécio et caterva, mas sim do PSDB idealizado por Mário Covas e Franco Montoro com o objetivo de alternativa a um PMDB cada dia mais fisiológico. O título do artigo já é sugestivo: “Nunca se roubou tão pouco”. Partindo do caso Petrobras, que tanto ocupa e preocupa a mídia nativa (como Mino Carta designa a nossa grande imprensa), o autor diz que desde os anos 1970 tenta vender equipamentos à estatal, continuando pelos anos 1980 e 1990 e até recentemente. Nada. Sem propina, nada feito. E quem governava naqueles anos todos? pergunto eu. Não era o PT (hoje bem mudado) e, sim, os generais-presidentes, o inefável Ribamar Sarney, o dinâmico Collorido, o xogum-pavão Fernando 2º.
E prossegue o autor: “Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia! Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$1 trilhão, cem vezes mais que o caso Petrobras, pelos empresários? Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado aqui”. Observação minha: até o nosso ínclito e impoluto Joaquim Barbosa tem um pé em Miami, adquirido sem muita clareza.
Ele acredita que essa “onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país”. Amém. E prossegue: “A coisa não para na Petrobras Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas. O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras” E conclui: “O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas”.
PS - Minha ex-colega de faculdade e hoje grande escritora Ana Maria César está lançando O último porto de Henrique Galvão, a história da passagem do revolucionário português pelo Recife depois de sequestrar o navio Santa Maria na Venezuela, em 1961, pensando dar início à derrubada do ditador luso Oliveira Salazar, o que, na realidade, só aconteceria 12 anos depois com a Revolução dos Cravos. *** Estão sendo lembrados os 30 anos do encantamento do grande poeta Mauro Mota. Já houve uma leitura dramatizada de poesias dele na Academia Pernambucana de Letras. Inesquecíveis os seus versos em homenagem a Carlos Pena Filho: “São trinta homens sentados. / Dentro deles como dói. / Ausência do poeta Carlos nas mesas do bar Savoy”.