sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

SEM CONSTITUINTE EXCLUSIVA NÃO HÁ SALVAÇÃO

O panorama que conseguimos enxergar para 2016 é bem inquietante, mas temos o direito de esperar que nossos políticos, incluindo a presidente Dilma, criem juízo e funcionem melhor do que neste definhante 2015. O Congresso precisa agir como representante do povo, deixando de lado múltiplas patifarias, aprovando leis que possam nos tirar do atoleiro e elegendo líderes que não estejam implicados em malfeitos, sobretudo o presidente da Câmara, que consegue ser mais cínico na embromação que Paulo Maluf. E a chefe do Executivo não pode continuar esnobando políticos e empresários e ignorando a própria realidade nacional. Não bastará que ela aprenda a governar. Será necessário também que o Congresso a deixe governar.
É igualmente preciso que nós, cidadãos, eleitores, exerçamos nosso direito de vigiar os poderes constitucionais e cobrar deles que cumpram seus papéis, deixando de lado interesses pessoais. Tudo isso só será possível com uma constante e rápida elevação do nível educacional do brasileiro, que, como sabemos e sentimos na pele, ainda é baixíssimo. (Escrevi a propósito recentemente.) Somente aqui na América do Sul, perdemos para a Argentina, Chile, Uruguai. Nossos professores ganham mal, vivem mal e, consequentemente, são desmotivados. Despreparados quase sempre, pois uma simples graduação, sem especialização, reciclagem, não lhes permite o desempenho que seria necessário para elevar o nível geral do ensino.
Acredito que, não só esta elevação da qualidade do ensino, mas a solução de outros tantos demasiados problemas que a afligem o brasileiro só será viável com algumas muletas básicas que nunca tivemos pra valer. Uma delas é uma Constituinte exclusiva (Congresso investido de poderes constituintes nunca funcionou: políticos viciados em privilégios votam uma Constituinte viciada, como eles). Nunca tivemos uma. No pós-ditadura, quase conseguimos. Chegou-se a ter um esboço para servir de base às deliberações, feito pelo jurista Afonso Arinos. Mas prevaleceu a vontade dos políticos profissionais e aproveitadores. Resultado: uma Constituinte com algumas boas determinações, muitas que nunca foram regulamentadas, e a seguir tantas emendas casuísticas que agora ela parece mais uma colcha de retalhos desprestigiada.
Outra é termos, afinal, um pacto federativo. Com o golpe republicano (que país para gostar de golpe!), as províncias do Império, com pouquíssima autonomia, foram transformadas, num passe de mágica, em Estados extremamente dependentes do poder central. Jantaram a federação. E, como Pedro 1º havia feito no passado, o sanguinário Floriano Peixoto mandou os constituintes para casa e outorgou ao país uma Constituição a sua imagem e semelhança. Essa usurpação da vontade popular continuou depois da Revolução de 1930, no Estado Novo, em 1946, durante a ditadura de 1964-85, na redemocratização à la Sarney-Collor. O resultado é que hoje ser congressista virou um bom negócio e há uma boa quantidade de malandros disfarçados de representantes do povo. Assim não dá.

Como convocar uma Constituinte exclusiva? Creio que haverá maneiras legais de se fazer isso, por iniciativa popular ou, quem sabe, da Presidência da República. Com a palavra os juristas.

Nenhum comentário: