quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

SIM, NA EUROPA TEM TERRORISMO. E O TERRORISMO À BRASILEIRA

O caso do Brasil é uma opção pelo atraso mesmo, como eu lhes dizia na postagem anterior. Lembrava a vocês uma Europa que funcionava, e bem, sete anos apenas após a guerra de 1939-45, quando eu cheguei a Roma para estudar, desembarcando em Nápoles. Incrível como o porto dessa cidade abrigava uma grande quantidade de belonaves estadunidenses. Os EUA não ocupavam mais a península, mas tinham, na óptica deles, de cuidar para que a Itália não fosse dominada pelo Partido Comunista, fortão na época. Apesar da democracia reconquistada e de uma Constituição exemplar, que dura até hoje, a Democrazia Cristiana dominante (que não era assim tão democrata nem cristã) fazia das suas, usando a polícia para atacar e destruir comitês eleitorais comunistas. Quatro anos depois, vi cenas semelhantes na França, em Lyon, onde concluí a licenciatura em teologia na Université Catholique. Foi por ocasião da rebelião húngara contra a URSS.
Mas havia liberdade de imprensa (voltando à Itália). Todo dia, quando a gente ia para a Universidade Gregoriana, passava pela Via delle Botteghe Oscure, sede do jornal comunista L’Unità. Ironicamente, a universidade servia de abrigo a manifestantes perseguidos pela polícia, pois, pelo Tratado de Latrão, que criou o Estado da Cidade do Vaticano, alguns próprios eclesiásticos, inclusive essa escola com mais de 500 anos, eram considerados extensão do Estado papal. Era o Vaticano protegendo os subversivos... Falava eu, na postagem anterior, como tudo funcionava, apesar dos estragos da guerra. Vocês já imaginaram o Brasil em semelhante situação pós-bélica? Quantas décadas levaríamos para retomar a normalidade?
É que o nosso passado de colônia, capitanias hereditárias, latifúndio, escravidão, e uma história de golpes, ainda não foram superados, longe disso, apesar de algumas tentativas. A Casa-Grande continua firme e a Senzala tem mesmo é que reconhecer seu lugar, de acordo com nossas pretensas elites tão tronchas. Até quando? Como falei, já fazem mais de 60 anos que passei aqueles bons tempos lá no velho continente e ainda vejo por aqui um clima de guerra sem fim. Ninguém tem segurança. Bancos, ônibus, residências, comércio assaltados; assassinatos em proporções piores do que ocorre nas guerras da Síria e outras; ruas esburacadas, mal iluminadas e sem pavimentação; estradas da morte; quanto a ferrovias, vejam o Beleléu na última postagem; ensino público pior do que no passado; saúde pública negligenciada ao extremo; desemprego que aumenta o nosso índice de pobreza e mesmo miséria; políticos nababos que riem de nós enquanto tramam e executam seus golpes ... O que mais dizer?
Por que não fiquei lá? Arranjaria um emprego e continuaria os estudos. Meu saudoso amigo Irineu Guimarães arranjou logo dois, mas mandaram-no para o Brasil: correspondente do jornal Le Monde e da France Presse. Voltei para ser agarrado de mau jeito pelos golpistas de 1964, preso e demitido da antiga Universidade do Recife (hoje UFPE). Interessante que vi recentemente, em artigo no Jornal do Commercio, o consultor Fernando Dourado Filho, um cidadão do mundo, se perguntando por que não mora na Europa e sim em São Paulo.

Ora, direis, a Europa hoje é vítima de muito terrorismo. E o terrorismo à brasileira?

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